Melhores leituras de 2018

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2018 foi um ano ruim para leituras, com muita procrastinação provocada por redes sociais, Youtube, Neflix e crise política. Comecei algumas leituras, abandonei outras, levei meses para ler certos livros. Também não sabia o que deveria fazer – um post no blog ou no Instagram. Decidi que 2019 vai ser o ano do blog! E com um foco mais nos escritores e escritoras.

Aqui vai uma listinha resumida dos livros que me marcaram em 2018.

Boas festas e muitos livros em 2019!

O castelo de vidro – Jeannette Walls

O castelo de vidro foi resenhado este ano no blog.  Neste livro de memórias, a jornalista Jeannette Walls recorda sua vida em uma família excêntrica e disfuncional. O que mais me marcou nesta leitura foi o retrato da miséria nos Estados Unidos, como vivem os pobres neste país que é considerado um modelo capitalista. A autora também escreve de maneira original, sem julgar os pais ou as circunstâncias, apenas registrando os fatos pela perspectiva de uma criança.

Apenas uma mulher – D.H.Lawrence

O título original em inglês deste conto do escritor D.H.Lawrence é The Fox – algo como A raposa ou O raposo numa tradução literal.  No finalzinho da Segunda Guerra, duas mulheres moram sozinhas em uma pequena fazenda no interior da Inglaterra. A rotina delas é interrompida com a chegada de um jovem soldado. Apenas uma mulher  é uma novela curta, mas um grande exemplo do talento literário do escritor D.H.Lawrence para envolver o leitor.

O anel do poder – Jean Shinoda Bolen

Jean Shinoda Bolen é uma psicanalista e psiquiatra americana. Em O anel do poder, Bolen se propõe a fazer uma análise psicanalítica da ópera “O anel dos nibelungos” de Richard Wagner. A obra de Wagner é complexa: são quatro óperas que basicamente giram em torno do “anel do nibelungo”, com uma trama que parece muito com o Senhor dos Anéis.

Para conseguir o poder do anel, os personagens tomam decisões questionáveis e destroem a vida das pessoas próximas. Jean Shinoda Bolen usa as quatro óperas para ilustrar como funciona uma sociedade patriarcal e autoritária, e como essa estrutura é reproduzida em escala menor nas famílias. Livro interessante para quem quer saber mais sobre psicologia e psicanálise junguiana.

 

Filme sobre a escritora e psicanalista Lou Andreas-Salomé estreia no Brasil

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Lou Andreas-Salomé foi uma mulher à frente de seu tempo. Ela nasceu em São Petersburgo, na Rússia, em 1861, e teve papel destacado na psicanálise, ciência em ascensão nos séculos XIX e XX. Foi discípula de Sigmund Freud, o pai da psicanálise, e escreveu inúmeros artigos e livros, pouco divulgados no Brasil.

O filme Loudirigido pela diretora alemã Cordula Kablitz-Post, estreou no Brasil no último dia 11. No filme, Lou Andreas-Salomé está com 72 anos e escrevendo suas memórias com a ajuda do acadêmico Ernst Pfeiffer.

Apesar de sua brilhante trajetória como psicanalista, Lou Andreas-Salomé tornou-se famosa por suas amizades com alguns dos principais intelectuais europeus da época. Aos 20 anos, Lou era uma grande amiga dos filósofos Friedrich Nietzsche e Paul Rée. O três viveram uma amizade bastante próxima, mas que foi desfeita após uma briga entre Lou e Nietzsche.

 

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Lou Andreas-Salomé, Paul Rée e Friedrich Nietzsche

Depois do casamento com o linguista Friedrich C. Andreas, a relação com Paul Rée começou a declinar, mas vieram novos amigos que influenciaram a vida intelectual de Lou. Ela iniciou um intenso caso com o então aspirante a poeta Rainer Maria Rilke, quinze anos mais jovem que a escritora. Outro momento decisivo foi o encontro com Sigmund Freud, que a introduziu à psicanálise. Lou escreveu obras importantes como O Erotismo Seguido de Reflexões Sobre o Problema do Amor.

A obra como escritora e ensaísta foi prolífica. Lou publicou também uma autobiografia e análises sobre a obra de Nietzsche e Rilke. Suas correspondências com Freud e Rilke foram reunidas em livro. Infelizmente, as obras desta autora não estão disponíveis em português. Como sempre, quem quiser ler alguma obra pode procurar edições em inglês ou livros raros em sebos.

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3 livros para quem se perdeu no meio do caminho

 

3 livros para quem se perdeu no meio do caminho

 

Às vezes a vida nos puxa para uma direção inesperada. A sensação é que a gente se perdeu do caminho previamente traçado, do tão sonhado pote de ouro no fim do arco-íris. E os planos devem ser revistos. Mas se perder no meio do caminho não é tão ruim como se imagina. Você tem a chance de reconstruir sua vida, mudar de rumo, mudar a forma de pensar. Eu também tive que rever alguns conceitos e padrões de pensamento para escolher um novo caminho.

Para me guiar nesta mudança interna, alguns livros foram fundamentais. Abri os olhos para algumas características minhas que eu ignorava, e também defeitos. Esses livros apontaram saídas e um jeito mais leve de olhar a vida. Claro que é uma seleção muito pessoal, mas acho que sempre vale a pena ver a vida sob um novo ângulo.

O poder dos quietos – Susan Cain

Em um mundo que valoriza cada vez mais a extroversão, ser um introvertido pode ser um fardo. Mas Susan Cain nos alivia desse peso com pesquisas científicas e entrevistas com psicólogos que mostram as vantagens de ser introvertido, e como podemos usar essa característica a nosso favor.

A autora aponta que a grande crise financeira de 2008 nos Estados Unidos aconteceu por que muitas vezes as opiniões dos analistas mais introvertidos não eram levadas em conta. As atitudes mais agressivas dos extrovertidos eram mais valorizadas em Wall Street, o que levava a escolhas e decisões altamente arriscadas. Quem era mais cauteloso era ignorado. O que resultou numa enorme crise financeira.

Eu sempre achei que tinha que ser mais extrovertida, que tinha que sair mais, falar mais. Mas depois de ler este livro, percebi que ser introvertido não é nenhuma doença, apenas um traço de personalidade. Introvertidos sempre precisam de um tempo a mais sozinhos depois de irem a uma festa ou após longos períodos de interação social.

Os introvertidos também são mais criativos, pois a solidão é fundamental para o desenvolvimento de novas ideias. Muitos pensadores importantes foram introvertidos, como Charles Darwin e Marie Curie.

Título: O poder dos quietos
Autora: Susan Cain
Editora: Agir

Mulheres que correm com os lobos – Clarissa Pinkola Estés

Clarissa Pinkola Estés é uma psicóloga junguiana que nasceu nos Estados Unidos, mas é de origem latina. Foi criada por uma família de refugiados do Leste Europeu que tinham o hábito da contação de histórias.

Estés reuniu a sua paixão por contos e lendas com a psicanálise junguiana. Em Mulheres que correm com os lobos, a escritora tenta resgatar o arquétipo da “mulher selvagem”, que ajudaria a mulher moderna a lidar com as pressões e a resgatar “os processos da psique instintiva natural”. Ao longo dos séculos, a natureza instintiva da mulher foi reprimida e domesticada.

Os contos reunidos por Estés falam sobre diversos aspectos da personalidade e da vida das mulheres, como o relacionamento amoroso, resgate da intuição, amadurecimento da personalidade. Clarissa Pinkola Estés reuniu contos de diversas origens (russa, europeia, esquimó).

Cada conto é uma ponte para a autora abordar aspectos da personalidade feminina. O conto “Vasalisa, a sabida” aborda a importância da intuição; o conto “Barba azul” alerta sobre os perigos do predador interno e externo, que impedem a mulher de ter uma vida criativa. O “predador” também aparece quando a mulher vive uma vida certinha, abafando seus instintos para ter uma condição mais confortável e se adaptar à sociedade.

Nas palavras da autora:

“Quando a mulher renuncia aos seus instintos que lhe indicam a hora certa para dizer sim ou não, quando ela renuncia ao seu insight, sua intuição e outros traços de natureza selvagem, ela se encontra, então, em situações que prometem ouro mas que acabam gerando dor. Algumas mulheres desistem da sua arte em troca de um grotesco casamento por interesse, abandonam o sonho de uma vida para ser uma boa esposa, boa filha ou boa menina, ou renunciam à sua verdadeira vocação a fim de levar o que elas esperam que venha a ser uma vida, mais aceitável, mais plena e mais digna.”

Título: Mulheres que correm com os lobos 
Autora: Clarissa Pinkola Estés
Editora: Rocco

Nada de especial – vivendo Zen — Charlotte Joko Beck

Charlotte Joko Beck (1917-2011) foi uma mestre zen budista nascida nos Estados Unidos. Beck compara nossas vidas a rodamoinhos em um rio. No percurso de um rio, surgem os rodamoinhos, formações temporárias causadas por galhos, pedras, irregularidades no leito. Nós somos como rodamoinhos no rio da vida, formações meramente temporárias. Se entulharmos nosso rodamoinho com coisas inúteis, pensamentos, mágoas, a água não fluirá, a vida seguirá estagnada.

“O melhor que podemos fazer por nós e pela vida é manter a água de nosso rodamoinho fluindo e limpa para que apenas continue seu curso. Quando fica represada, criamos problemas mentais, físicos e espirituais.”

Enquanto nos enrolamos com problemas cotidianos e desejos frustrados, perdemos a conexão com o momento presente. Estamos sempre preocupados em lutar, sem deixar que o fluxo da vida corra e leve embora tudo o que está estagnado, para que algo novo possa surgir.

Título: Nada de Especial – Vivendo Zen
Autora: Charlotte Joko Beck
Editora: Saraiva