Sete filmes sobre arte

Esta lista com filmes sobre arte é uma escolha pessoal. Talvez haja filmes melhores, ou que retratem com mais precisão a vida de determinados artistas, mas estes filmes são os que mais me marcaram!

Amor e inocência

Este filme de ficção é baseado na vida real da escritora Jane Austen. Durante a juventude, Austen conheceu o jovem Tom Lefroy e os dois se apaixonaram. Porém a família do rapaz não concordou com o casamento, pois Jane pertencia a uma família sem posses. Anne Hathaway está muito bem no papel de Jane, e mesmo que saibamos o final da história, não há como não se emocionar.

Hitchcock

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O cineasta Alfred Hitchcock dirigiu clássicos como “Psicose” e “Os pássaros”

O cineasta Alfred Hitchcock, considerado o mestre do suspense, dirigiu clássicos do cinema como Janela indiscreta e Os Pássaros. Mas o sucesso dos filmes de Hitchcock não é apenas mérito do diretor. Alma Reville, sua esposa, que era roteirista e editora, também trabalhou com o marido e o ajudou na carreira.

No filme Hitchcock, o diretor  entra em crise conjugal com Alma durante as filmagens do clássico Psicose. A roteirista decide começar um novo trabalho com um amigo, e as gravações de Psicose enfrentam problemas. Um filme para os fãs de Alfred Hitchcock e também para conhecer um pouco mais de Alma.

Pollock

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“Convergence”, uma das obras mais famosas de Jackson Pollock

Jackson Pollock foi um dos grandes artistas do século XX. Ele criou uma revolucionária técnica de pintura e pintou belíssimas obras abstratas. O ator Ed Harris, além de dirigir o filme, também faz o papel de Pollock. O filme retrata o início da carreira do pintor, sua ascensão e os problemas com o álcool. A vida intensa de Pollock é amenizada pela sua arte e as cenas que recriam o processo criativo incomum do gênio das artes.

No amor e na guerra

O escritor americano Ernest Hemingway dirigiu ambulâncias durante a Primeira Guerra Mundial, o que acabou resultando em um ferimento por estilhaços de bomba enquanto estava na Itália. No hospital, ele conheceu a enfermeira Agnes von Kurowsky. Com apenas 18 anos, o escritor se apaixonou por Agnes. O primeiro amor de Hemingway marcou o escritor, que se inspirou na enfermeira para escrever Adeus às armas.

Lixo extraordinário

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Durante dois anos, o artista plástico brasileiro Vik Muniz acompanhou o cotidiano dos trabalhadores do Jardim Gramacho, um dos maiores aterros sanitários do mundo. Muniz recriou obras de arte, utilizando material reciclável e com os trabalhadores do Gramacho posando como modelos. A diretora Lucy Walker acompanhou o processo criativo do artista, que resultou no documentário Lixo extraordinário. O filme foi indicado ao Oscar em 2011.

Gala

Elena Gala foi a mulher e “descobridora” do talento do artista Salvador Dalí. Além de musa inspiradora, Gala foi uma agitadora cultural na Paris de 1920. Antes de se casar com o artista, ela foi casada com o poeta Paul Éluard. O documentário Gala retrata a influência que ela exerceu na arte de Dalí e é imperdível por mostrar os bastidores do mundo da arte.

 

Jane Austen: Behind Closed Doors

A historiadora Lucy Worsley visitou as várias residências da vida de Jane Austen, que inspiraram romances como Emma e Orgulho e preconceito. O documentário foi produzido pela BBC de Londres em 2017.

Seis filmes imperdíveis dirigidos por mulheres

Diretoras ainda são minoria no mundo do cinema. Apesar da crescente participação das mulheres na indústria cinematográfica, elas ainda não possuem a mesma projeção que os homens. No Oscar 2018, que será no próximo domingo (4), não será diferente. Apenas uma mulher, Greta Gerwig, concorrerá ao Oscar de melhor direção pelo filme Lady Bird.

Desde a criação do Oscar, há 90 anos, Gerwig é a quinta mulher a ser indicada à categoria melhor direção. Talvez com os movimentos recentes como #Metoo  e
#Time´s up ajudem a mudar este quadro no futuro. Contam também as denúncias contra grandes executivos, como Harvey Weinstein.

No Globo de Ouro deste ano, a atriz Natalie Portman ironizou o fato de que apenas  homens foram indicados na categoria. Até o momento, Kathryn Bigelow foi a primeira e única diretora a ganhar um Oscar pelo filme Guerra ao terror, em 2010. Enquanto torcemos por um Oscar para Greta Gerwig, que tal fazer um aquecimento para o Oscar com filmes dirigidos por mulheres?

Natalie Portman And Here Are The All Male Nominees GIF by Golden Globes - Find & Share on GIPHY

“E aqui estão todos os indicados masculinos”

Lady Bird

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Cartaz do filme “Lady Bird”, um dos indicados a melhor filme do Oscar 2018

A estreia da atriz Greta Gerwig na direção resulta num filme delicado e intenso sobre a adolescência e a complicada relação entre mães e filhas. Lady Bird recebeu indicações ao Oscar nas categorias melhor filme, melhor direção, melhor roteiro, melhor atriz (Saoirse Ronan) e melhor atriz coadjuvante (Laurie Metcalf).

Saoirse Ronan interpreta uma adolescente que prefere ser chamada de Lady Bird e que mora na cidade de Sacramento, Califórnia. Ela está no último ano do Ensino Médio e entra em conflito com a mãe, que não acredita no potencial da filha em cursar uma faculdade de primeira linha em Nova York.

Mulher Maravilha

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Cartaz do filme “Mulher Maravilha”

O filme Mulher Maravilha foi a maior estreia nas bilheterias de um filme dirigido por uma mulher. Mas o filme de Patty Jenkins é muito mais do que um fenômeno das bilheterias. Em um contexto social onde o feminismo vem ganhando cada vez mais destaque, Mulher Maravilha se tornou um manifesto da força da mulher e por mais heroínas no cinema.

A amazona Diana (Gal Gadot)  vivia na Ilha de Themyscira, onde as amazonas protegiam uma arma mortal que iria destruir o deus da guerra Ares. A vida de Diana muda após o avião do soldado Steve Trevor cair próximo à Ilha. Diana, após usar o laço da verdade, resolve acompanhar Trevor para destruir Ares e terminar com a Primeira Guerra Mundial.

Frida

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Frida 
é um filme belíssimo. A diretora Julie Taymor conseguiu transmitir a vivacidade das obras da pintora mexicana Frida Kahlo com uma bela fotografia. A interpretação de Salma Hayek  mostra as dores (físicas e emocionais) que a artista sofreu ao longo da vida.

Taymor consegue extrair beleza das passagens mais dolorosas, como o acidente que Frida sofreu aos 18 anos, quando o bonde em que estava se chocou com um automóvel. A pintora sofreu uma grave fratura pélvica que deixou sequelas pelo resto da vida. Um homem que estava no bonde carregava um saco com ouro em pó para as obras de uma igreja. O corpo ferido de Frida Kahlo ficou coberto por uma fina camada de ouro.

O filme foi lançado em 2003 pela produtora do famigerado Harvey Weinstein. Com a crescente onda de denúncias contra o produtor, a atriz Salma Hayeck publicou um artigo no The New York Times em 2017 sobre as ameaças que sofreu de Weinstein durante as filmagens de Frida. O poderoso de Hollywood chegou a ameaçá-la de morte.

 

Um castelo na Itália

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A atriz e diretora Valeria Bruni Tedeschi interpreta e dirige em “Um castelo na Itália”

Valeria Bruni Tedeschi é uma atriz e diretora italiana radicada na França. Ela e a irmã cantora Carla Bruni pertencem a uma rica família italiana que se mudou para a França fugindo das brigadas vermelhas na Itália. A experiência de uma infância rica e mimada serviu de combustível para Valéria criar e interpretar a personagem principal de Um castelo na Itália.

O filme é uma comédia, mas também uma crítica ao modo de vida dos muito ricos. Valeria interpreta Louise Rossi Levi, uma atriz que abandonou os palcos e enfrenta problemas financeiros com a família. Junto com a mãe e o irmão, devem decidir se vendem ou não um castelo italiano com valor sentimental. O filme é cheio de diálogos mordazes e referências autobiográfias. A mãe de Louise é interpretada pela mãe de Valeria na vida real, assim como o ex-namorado Louis Garrel.

Precisamos falar sobre kevin

O filme é baseado no livro Precisamos falar sobre Kevin, da escritora. Na obra, uma mãe escreve cartas ao marido refletindo sobre o passado para entender como o filho se tornou um assassino em massa. A diretora Lynne Ramsay fez uma adaptação impactante do filme. Tilda Swinton interpreta Eva, a mãe de um jovem que comete um massacre na escola em que estuda.

Kevin (Ezra Miller) é problemático desde a infância e demonstra sinais de sadismo, mas Eva não consegue lidar e procurar ajuda adequada para o garoto. O pai é ausente e parece não perceber a personalidade de Kevin. Um filme para refletir sobre o mal e a maternidade.

Que horas ela volta?

Um dos melhores filmes nacionais dos últimos anos. Anna Muylaert ganhou diversos prêmios no Brasil e no exterior. Regina Casé também foi premiada como melhor atriz pela interpretação de Val, uma empregada doméstica que deixa a filha em Pernambuco para ganhar a vida em São Paulo. Ela mora no emprego, na dependência de empregada, e está sempre à disposição dos patrões.

A vida de Val muda após a vinda da filha Jessica do nordesete para prestar vestibular. As tensões entre empregados e patrões ficam nítidas com a vinda da jovem. O filme reflete sobre as desigualdades sociais do Brasil e o modo como a classe média trata as empregadas domésticas no país.

Gostou das sugestões? Que filmes dirigidos por mulheres você indicaria?

Dica de filme: Funny Girl -A garota genial

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Barbra Streisand brinca com os padrões de beleza em “Funny Girl”

Em 1968, Barbra Streisand já era uma cantora de sucesso na Broadway quando estreou no cinema com o filme “Funny girl – A garota genial”. O que a cantora não imaginava é que iria construir uma carreira sólida no cinema e ainda ganhar  um Oscar de Melhor atriz (dividido com Katharine Hepburn).

Streisand estreou na Broadway em 1964 com o espetáculo “Funny girl”, sobre a vida da cantora e atriz Fanny Brice. O musical teve um enorme sucesso e foi adaptado para o cinema pelo renomado diretor William Wyler (“Ben-Hur”, “A princesa e o plebeu”).

Assim como Streisand, Fanny Brice está longe do padrão de beleza de Hollywood, mas tem charme e talento. Ela é  uma atriz e cantora iniciante que mora num bairro judeu com a mãe. Fanny sabe jogar com inteligência e humor para garantir o seu lugar num mundo onde a beleza é o principal valor. Ela muda a sua entrada no espetáculo do diretor Ziegfeld, colocando uma barriga de grávida para que a audiência não risse quando ela cantasse o refrão “tão bonita”.

Durante a sua busca pela fama, Fanny Brice encontra Nicky Arnstein (Omar Sharif) que ganha a vida jogando poker. Nicky Arnstein é o clássico canalha charmoso, e a ingênua Fanny cai na lábia dele. Durante o casamento ele se ressente de não ter dinheiro para acompanhar Fanny, uma estrela da Broadway. Arnstein começa a entrar em negócios escusos e jogatinas.

O filme é uma boa opção para quem gosta de musicais e comédias e está disponível na Netflix.

 

 

Indicados ao Oscar 2017: A chegada

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Amy Adams interpreta uma linguista que tem como missão entrar em contato com extraterrestres

“La La Land” tem tudo para ser o grande campeão do Oscar 2017, com 14 indicações, alcançando o feito de “Titanic”. Mas outra película que foi indicada para a categoria de “Melhor Filme” e que merece atenção é “A chegada”, um filme que vai ser discutido por muito tempo, graças à complexidade da trama e a quantidade de temas que evoca.

O filme foi baseado no conto “História da sua vida“, do escritor americano Ted Chiang e dirigido pelo diretor Dennis Villeneuve (que já dirigiu os filmes “Sicário” e “Os Suspeitos”.  O livro com o conto de Ted Chiang foi lançado ano passado no Brasil pela editora Intrínseca.

A chegada

“A chegada” é sobre como a linguagem é importante para a construção das relações sociais e para o entendimento entre culturas diferentes. É a linguagem que nos permite comunicar o que sentimos e pensamos, é através dela que materializamos ideias e projetos no mundo real.

É por meio da linguagem também que nos comunicamos com outras sociedades e povos. Na maioria das vezes, essa língua é uma outra, como o inglês ou o francês. E esta comunicação muitas vezes truncada e de difícil tradução pode causar problemas, como conflitos e, nos piores casos, a guerra.

No filme, a Terra recebe a visita de 12 naves alienígenas que se posicionam em pontos estratégicos do planeta (claro, uma delas pousa nos Estados Unidos). Os militares americanos iniciam um processo para entrar em contato com esses alienígenas e descobrir quais são suas intenções.

A linguista Louise Banks (interpretada por Amy Adams) é chamada pelo Exército para estabelecer uma comunicação com esses seres. A nave é aberta por algumas horas durante o dia e, neste período, a equipe liderada pela Dr. Louise Banks e pelo Dr. Iam (Jeremy Renner) entra na nave para tentar descobrir o que esses seres querem na Terra. À medida que os encontros acontecem, a linguista consegue estabelecer parâmetros para traduzir a língua dos heptapodes.

Eles conseguem criar um dicionário para os termos da língua dos heptapodes, mas o grande impasse chega quando finalmente a pergunta fatal é feita: qual o objetivo deles na Terra? Sem entregar os detalhes da trama, a resposta à esta pergunta exige não apenas as habilidades profissionais da Dra. Louise Banks, mas também serenidade dos líderes políticos e a capacidade de agir sem preconceitos.

O filme não tem uma estrutura linear, o que lembra muito o idioma dos heptapodes. O espectador demora um pouco para se situar e acompanhar todos os passos do pensamento da Dra. Louise. A chegada é um filme de ficção científica diferente, sem grandes efeitos especiais, futurismos e batalhas. Mas consegue fazer com que pensemos na nossa condição humana e como nos relacionamos com o outro, com culturas diferentes.

Amy Adams fez uma boa interpretação, com uma boa mistura de racionalidade e emoção. A atriz era uma das grandes apostas dos críticos para o Oscar de melhor atriz, mas infelizmente ficou de fora. O diretor Dennis Villeneuve ficou revoltado com o fato de Amy Adams, que interpreta a protagonista do filme, ter sido esnobada pelo Oscar 2017.