Aquarius é indicado ao César, o Oscar francês

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Sônia Braga interpreta a personagem Clara no longa “Aquarius”

 

O filme brasileiro “Aquarius“, que teve grande repercussão no Brasil e na crítica especializada em 2016, foi indicado ao premio César na categoria melhor filme estrangeiro.

O longa, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conta a história de Clara (Sônia Braga), a última residente do edifício “Aquarius” que se recusa a sair do prédio na orla do Recife para que seja vendido a uma grande construtora. O filme mostra o poder das grandes empreiteiras no Brasil e as tensas relações de classe no país.

Aquarius” é sustentado pela ótima interpretação de Sônia Braga, que consegue transmitir a força e a personalidade de Clara, que já é uma das grandes personagens do cinema brasileiro.

Polêmicas com o Oscar

Aquarius” não foi selecionado para ser o representante brasileiro na disputa pelo Oscar 2017 de melhor filme estrangeiro. O escolhido foi “O pequeno segredo”, que também ficou fora da disputa pela estatueta.

O filme de Mendonça Filho realmente não teve muita sorte com o Oscar. A empresa distribuidora do filme nos Estados Unidos não inscreveu o filme oficialmente. Muitos queriam votar em Sônia Braga para o Oscar de melhor filme estrangeiro e em “Aquarius”, como informa o blog Baixo Manhattan .

Bom, já que não há “Aquarius” no Oscar 2017, o jeito é curtir a trilha sonora do filme no Spotify, que é mara.

Indicados ao Oscar 2017: A chegada

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Amy Adams interpreta uma linguista que tem como missão entrar em contato com extraterrestres

“La La Land” tem tudo para ser o grande campeão do Oscar 2017, com 14 indicações, alcançando o feito de “Titanic”. Mas outra película que foi indicada para a categoria de “Melhor Filme” e que merece atenção é “A chegada”, um filme que vai ser discutido por muito tempo, graças à complexidade da trama e a quantidade de temas que evoca.

O filme foi baseado no conto “História da sua vida“, do escritor americano Ted Chiang e dirigido pelo diretor Dennis Villeneuve (que já dirigiu os filmes “Sicário” e “Os Suspeitos”.  O livro com o conto de Ted Chiang foi lançado ano passado no Brasil pela editora Intrínseca.

A chegada

“A chegada” é sobre como a linguagem é importante para a construção das relações sociais e para o entendimento entre culturas diferentes. É a linguagem que nos permite comunicar o que sentimos e pensamos, é através dela que materializamos ideias e projetos no mundo real.

É por meio da linguagem também que nos comunicamos com outras sociedades e povos. Na maioria das vezes, essa língua é uma outra, como o inglês ou o francês. E esta comunicação muitas vezes truncada e de difícil tradução pode causar problemas, como conflitos e, nos piores casos, a guerra.

No filme, a Terra recebe a visita de 12 naves alienígenas que se posicionam em pontos estratégicos do planeta (claro, uma delas pousa nos Estados Unidos). Os militares americanos iniciam um processo para entrar em contato com esses alienígenas e descobrir quais são suas intenções.

A linguista Louise Banks (interpretada por Amy Adams) é chamada pelo Exército para estabelecer uma comunicação com esses seres. A nave é aberta por algumas horas durante o dia e, neste período, a equipe liderada pela Dr. Louise Banks e pelo Dr. Iam (Jeremy Renner) entra na nave para tentar descobrir o que esses seres querem na Terra. À medida que os encontros acontecem, a linguista consegue estabelecer parâmetros para traduzir a língua dos heptapodes.

Eles conseguem criar um dicionário para os termos da língua dos heptapodes, mas o grande impasse chega quando finalmente a pergunta fatal é feita: qual o objetivo deles na Terra? Sem entregar os detalhes da trama, a resposta à esta pergunta exige não apenas as habilidades profissionais da Dra. Louise Banks, mas também serenidade dos líderes políticos e a capacidade de agir sem preconceitos.

O filme não tem uma estrutura linear, o que lembra muito o idioma dos heptapodes. O espectador demora um pouco para se situar e acompanhar todos os passos do pensamento da Dra. Louise. A chegada é um filme de ficção científica diferente, sem grandes efeitos especiais, futurismos e batalhas. Mas consegue fazer com que pensemos na nossa condição humana e como nos relacionamos com o outro, com culturas diferentes.

Amy Adams fez uma boa interpretação, com uma boa mistura de racionalidade e emoção. A atriz era uma das grandes apostas dos críticos para o Oscar de melhor atriz, mas infelizmente ficou de fora. O diretor Dennis Villeneuve ficou revoltado com o fato de Amy Adams, que interpreta a protagonista do filme, ter sido esnobada pelo Oscar 2017.