Como a leitura pode melhorar a nossa escrita?

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Todos estão cansados de ouvir que ler muito (livros, revistas, artigos, etc) é importante para escrever melhor. Acho que aqui cabe uma analogia com o aprendizado de uma língua estrangeira: temos que ler muitos textos no idioma que queremos aprender para entender o significado das palavras e a construção das frases.

Mas um bom texto não é só feito de gramática e ortografia. Tem que ter conteúdo. E é por meio da leitura que aumentamos nossa bagagem para criarmos textos com conteúdo valioso.

Ter o hábito de ler ficção, biografias, notícias, etc, aumenta o nosso repertório de conhecimento, o que nos ajuda a elaborar raciocínios e textos com mais desenvoltura. Conhecemos novos pontos de vista e realidades diferentes das que vivenciamos.

Como aconselha o escritor americano Ray Bradburry, por mil noites, leia um conto, um poema e uma matéria sobre diversas áreas do conhecimento, como biologia, direito, história. O cérebro irá usar essas informações para criar novas ideias. Isso porque as informações armazenadas no cérebro podem ser recombinadas mais tarde para encontrar a solução de um problema, gerar uma nova ideia ou produto.

E essas combinações inusitadas podem surgir na hora de escrever (dá para saber mais nesta resenha feita pela Ligia Fascioni). A dica de Bradburry é mais voltada para escritores, mas é útil para todas as profissões. Mil noites é um exagero, mas duas noites por semana já podem fazer milagres.

Ok, e o que eu leio agora?

O passo mais importante é ler por prazer . E aqui vale tudo: quadrinhos, blogues, sites de notícias e entretenimento, textão de Facebook, revistas, romances, ficção científica. O importante é ler.

Se você ainda não encontrou sua praia, a internet pode ajudar a encontrar boas dicas de livros. Há redes sociais voltadas para livros, como Skoob e Good Reads. As próprias editoras mantém blogs e sites interessantes, como a Companhia das Letras e Intrínseca. O Instagram também é uma boa fonte de dicas, com muitos perfis dedicados aos livros.

Porém, um bom leitor gosta de novidades e de se sentir desafiado. Para alimentar o cérebro com novas informações, é bom sair da bolha de nossos próprios gostos e procurar novas leituras estimulantes. Você pode ler clássicos da literatura ou buscar novas áreas do conhecimento, como filosofia, psicologia. Também vale a pena buscar novos formatos, como os quadrinhos. O importante é diversificar. E ler!

Nada é mais importante do que uma biblioteca não lida

Nada é mais importante do que uma biblioteca não lida John Waters

 

Nada é mais importante do que uma biblioteca não lida.” Esta frase do cineasta John Waters foi retirada do livro “Roube como um artista”, de Austin Kleon.

A intenção não é se vangloriar de uma biblioteca imensa, mas destacar a importância de acumular conhecimento  (não apenas em suporte físico).

Quando era criança, os livros eram um item caro. Nós tínhamos uma pequena biblioteca herdada do meu avô, com livros infantis, crônicas, enciclopédias, livros de história e alguma literatura. Esta biblioteca foi muito importante para estimular o meu gosto por livros. Muitos desses livros demoraram para ser lidos, mas eles estavam lá, à espera.

Meus pais também sempre me incentivavam, compravam livros sempre que eu pedia, mas mesmo assim eram muito caros. Lembro que pedi o livro “O mundo de Sofia” para minha mãe de presente de Natal, custou uma pequena fortuna. Hoje, os livros são bem mais acessíveis, principalmente com a internet. E essa facilidade fez com que eu comprasse livros além da minha capacidade de leitura (sem contar as visitas aos sebos). Eles estão na minha estante. Talvez eu leia o segundo volume de “O tempo perdido”, talvez crie vergonha na cara e leia “Gabriela”, de Jorge Amado. Mas, nesses tempos de crise, saber que existe uma biblioteca à minha disposição deixa tudo mais leve.