Dica de filme: A festa de Babette

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festa de Babette é um filme dinamarquês de 1987, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O filme de Gabriel Axel é uma adaptação do conto de mesmo nome da escritora dinamarquesa Karen Blixen (1885-1962). Além de ser um grande filme, é também uma  homenagem aos artistas e a todas as formas de arte.

O filme mostra o choque entre a religiosidade e a arte. Duas irmãs, filhas de um austero pastor, vivem numa vila no interior da Dinamarca. Durante a juventude, cada uma teve a chance de mudar completamente de vida e seguir um destino diferente. Uma poderia ter sido uma grande cantora em Paris, mas a modéstia e a simplicidade religiosa a impediram. A outra irmã teve a chance de casar com um oficial, mas preferiu continuar vivendo sua vida simples no vilarejo de pescadores.

Depois de muitos anos, quando as duas irmãs já alcançaram a velhice, elas recebem a visita misteriosa de Babette, uma francesa que precisa de ajuda e um local para morar. Depois de anos servindo à família, Babette ganha um bom dinheiro na loteria e decide dar um presente a todos que a ajudaram: um banquete.

Por influência do cristianismo, os moradores locais veem o banquete de Babette como uma tentação, algo que os tirará do caminho religioso. Porém, para Babette, que era uma reconhecida chef francesa, a comida é vista não só como mero sustento, mas também uma forma de arte.

O mais interessante em A festa de Babette é a contraposição de como as irmãs e Babette lidam com seus talentos artísticos. As irmãs não consideravam a arte como ponto de partida para a fama ou ganhar dinheiro. Era apenas uma manifestação de Deus. Exercer uma atividade artística não era fundamental.

Enquanto as irmãs renunciavam a uma existência mais criativa, Babette sofreu enquanto não pode exercer plenamente sua profissão e arte. O banquete para os moradores é o auge, e para isso Babette irá empregar todo o seu talento. A cozinheira que deu tudo de si para exercer com perfeição sua arte, em contraposição às duas irmãs, que renunciaram a uma vida criativa. Porém, no fim do filme há uma celebração, pois um jantar preparado com tanto cuidado e dedicação só pode ser divino, uma verdadeira obra de arte.