Resenha: O castelo de vidro – Jeannette Walls

Resenha: O castelo de vidro – Jeannette Walls

O livro da jornalista Jeannette Walls foi adaptado para o cinema

 

Após uma infância difícil, a jornalista americana Jeannette Walls construiu um mundo seguro e confortável. Usava pérolas e morava em um apartamento na Park Avenue, um dos endereços mais sofisticados de Nova York. Em um final de tarde, presa no engarrafamento enquanto ia para uma festa, viu sua mãe revirando uma caçamba de lixo. A mãe de Jeannette, Rose Mary Walls, já havia recusado ajuda várias vezes e preferia continuar nas ruas.

A renomada jornalista, que assinava uma coluna na revista New York, se sentindo envergonhada, não conseguiu cumprimentar sua mãe. A visão de sua mãe catando comida no lixo a perturbara demais. Voltou para casa e, mais tarde, almoçou com Rose Mary Walls. Jeannette queria ajudar de alguma forma, mas ela apenas murmurou: “Seu pai e eu somos quem somos. Aceite isso”.

Jeannette havia construído uma carreira de sucesso no jornalismo, porém nunca havia contado a ninguém sobre seu passado. Em uma entrevista ao jornal The New York Times, Jeannette afirmou que tinha uma coluna de fofocas e era boa em revelar o segredo dos outros, mas ela mesma mantinha em segredo sua vida. O livro O castelo de vidro é uma tentativa de aceitação e também de fazer as pazes com o passado.

 

Vida nômade da família retratada no filme “O castelo de vidro”

Quando se mudou para Nova York ainda adolescente, Jeannette procurava uma vida totalmente diferente da que teve na infância e na adolescência. Seu pai, Rex Walls, fora militar da aeronáutica e fazia bicos como eletricista. Rose Mary Walls era uma professora que preferia o trabalho artístico: pintava e escrevia contos e romances.

A trajetória nômade da família Walls pelos Estados Unidos também virou filme, lançado em 2017. O casal não tinha endereço fixo e peregrinava pelos Estados Unidos de acordo com as oportunidades e a perseguição dos cobradores (que Rex dizia serem agentes do FBI).

Os três filhos do casal foram criados num ambiente de liberdade, mas também beirando a negligência. Rex era alcoólatra e sempre perdia empregos ou se metia em confusões por causa do vício. Rose vivia entre altos e baixos emocionais e tinha opiniões bem particulares sobre a vida e como as crianças deveriam ser educadas. Enquanto toda a família passava fome, Rose se recusava a trabalhar como professora. Nas poucas vezes em que arranjou trabalho, foi por insistência dos filhos, que até ajudavam a mãe a corrigir as lições.

As residências da família eram sempre improvisadas. Carros em estacionamentos, antigas estações de trem. Os Walls viveram momentos difíceis, mas as dificuldades também eram travestidas de lirismo. Como não havia dinheiro suficiente para os presentes de Natal, Rex pediu que cada filho escolhesse uma estrela no céu como presente.

Jeannette Walls escreveu um livro memorável. Os capítulos são bem encadeados e envolvem o leitor no mundo caótico da família. Apesar dos momentos difíceis, a autora torna o livro menos pesado ao usar uma linguagem bem humorada e adotar o ponto de vista ingênuo e simples de uma criança.

The Guardian publicará coluna semanal de Elena Ferrante

The Guardian coluna semanal de Elena Ferrante

Elena Ferrante tornou-se fenômeno literário com a série napolitana.

Os ávidos leitores da escritora italiana Elena Ferrante já podem comemorar. Após publicar a famosa tetralogia napolitana, a autora agora se lança em um novo desafio: uma coluna semanal no jornal inglês The Guardian. A coluna será publicada no caderno dominical do jornal.

Em sua estreia, Ferrante fala sobre como planejou escrever sobre suas primeiras vezes. A primeira vez que viu o mar, a primeira vez que fez amor, a primeira vez que se apaixonou. O projeto não deu certo, mas rendeu à escritora uma crônica sobre o  primeiro amor.

A escritora faz reflexões sobre a natureza do amor e as incertezas da adolescência. Os fãs poderão matar a saudade do estilo único de Ferrante e de sua peculiar visão do amor e da vida.

“Eu esperava e queria mais, e fiquei surpresa ao saber que ele, por outro lado, depois de me querer tanto, me achou supérflua e fugiu, pois tinha outras coisas para fazer.”

Portfólio – Gazeta do Povo

Links

Bolsas ajudam 2 mil atletas no Paraná

Chegou a hora de profissionalizar?  – Para especialistas, empreendedor deve ter a sensibilidade de escolher o momento certo para saber quando é necessário trazer alguém de fora para dentro da empresa.

 Transferidos para bem longe – Mais da metade das multinacionais quer deslocar funcionários para outros países neste ano. Brasil é o segundo principal destino dos expatriados.

Pelo direito de ser criança  – Programa da Rede Marista de Solidariedade quer estimular a reflexão da sociedade e do poder público sobre a importância das atividades lúdicas durante a infância.

Sagrado e profano em Guadalupe – Fiéis que frequentam a missa do padre Reginaldo Manzotti fazem contraponto ao terminal intermunicipal conhecido pelos casos de violência.