Mike Flanagan será o diretor de “Doutor Sono”, continuação de “O iluminado”

O iluminado, clássico do terror dirigido por Stanley Kubrick, terá uma continuação, o filme Doutor Sono. A Warner Bros. definiu esta semana que Mike Flanagan será o diretor do filme e que também será responsável pelo roteiro.

 

 

O iluminado foi baseado no livro de Stephen King de mesmo nome. Na obra, Jack Torrance é um escritor que aceita trabalhar como zelador em um hotel afastado. Ele se muda para o hotel com o filho e a mulher durante o inverno rigoroso. O filho de Torrance tem habilidades psíquicas e consegue ver os espíritos que rondam o local. Aos poucos, o escritor é tomado por forças sobrenaturais e se torna uma ameaça para a mulher e o filho.

Lançado em 1980,  O iluminado se tornou referência do gênero terror com cenas marcantes, como o banho de sangue no corredor e a cena das gêmeas.

 

Filme sobre a escritora e psicanalista Lou Andreas-Salomé estreia no Brasil

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Lou Andreas-Salomé foi uma mulher à frente de seu tempo. Ela nasceu em São Petersburgo, na Rússia, em 1861, e teve papel destacado na psicanálise, ciência em ascensão nos séculos XIX e XX. Foi discípula de Sigmund Freud, o pai da psicanálise, e escreveu inúmeros artigos e livros, pouco divulgados no Brasil.

O filme Loudirigido pela diretora alemã Cordula Kablitz-Post, estreou no Brasil no último dia 11. No filme, Lou Andreas-Salomé está com 72 anos e escrevendo suas memórias com a ajuda do acadêmico Ernst Pfeiffer.

Apesar de sua brilhante trajetória como psicanalista, Lou Andreas-Salomé tornou-se famosa por suas amizades com alguns dos principais intelectuais europeus da época. Aos 20 anos, Lou era uma grande amiga dos filósofos Friedrich Nietzsche e Paul Rée. O três viveram uma amizade bastante próxima, mas que foi desfeita após uma briga entre Lou e Nietzsche.

 

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Lou Andreas-Salomé, Paul Rée e Friedrich Nietzsche

Depois do casamento com o linguista Friedrich C. Andreas, a relação com Paul Rée começou a declinar, mas vieram novos amigos que influenciaram a vida intelectual de Lou. Ela iniciou um intenso caso com o então aspirante a poeta Rainer Maria Rilke, quinze anos mais jovem que a escritora. Outro momento decisivo foi o encontro com Sigmund Freud, que a introduziu à psicanálise. Lou escreveu obras importantes como O Erotismo Seguido de Reflexões Sobre o Problema do Amor.

A obra como escritora e ensaísta foi prolífica. Lou publicou também uma autobiografia e análises sobre a obra de Nietzsche e Rilke. Suas correspondências com Freud e Rilke foram reunidas em livro. Infelizmente, as obras desta autora não estão disponíveis em português. Como sempre, quem quiser ler alguma obra pode procurar edições em inglês ou livros raros em sebos.

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“Boneco de Neve”, filme baseado no policial de Jo Nesbo, estreia dia 23/11

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O escritor norueguês Jo Nesbo criou uma série de livros policiais sobre o detetive Harry Hole

 

O filme “Boneco de neve“, baseado no romance de Jo Nesbo que já vendeu mais de 20 milhões de cópias no mundo, estreia no próximo dia 23 de novembro. No livro, o detetive Harry Hole investiga uma série de assassinatos macabros que acontecem sempre durante o gelado inverno da Noruega.

O alvo principal dos assassinatos são mulheres casadas e mães. À medida que Harry Hole desvenda o quebra-cabeça deixado pelo assassino, ele se convence cada vez mais que, pela primeira vez, há um serial killer em sua área.

O sinal característico do serial killer é um boneco de neve – o anúncio de uma nova vítima. Inicialmente, o detetive Harry Hole enfrenta uma resistência do departamento de polícia, que desacredita a teoria de Hole: “Não há serial killers na Noruega”.

Harry Hole é um detetive brilhante e inteligente, mas com um impulso para a autodestruição. É viciado em álcool; vive como um abstêmio sempre à beira de uma recaída. Tem um relacionamento complicado com a ex-namorada e se envolve com a colega de trabalho Katrine Bratt. No filme, Hole é interpretado pelo ator Michael Fassbender, uma escolha que combina com o charme do personagem. 

O escritor Jo Nesbo já publicou diversos livros sobre o detetive Harry Hole. A série já possui onze livros e ainda não terminou. “Boneco de neve” é o primeiro livro adaptado para o cinema.

“Assassinato no Expresso Oriente”, de Agatha Christie, ganha novo filme

assassinato no expresso oriente filme

 

O clássico do romance policial, “Assassinato no Expresso Oriente”, da escritora Agatha Christie, ganhará uma nova versão nos cinemas. O filme, dirigido pelo diretor Kenneth Branagh, estreia no dia 23 de novembro.

Aliás, é o próprio Kenneth Branagh que interpreta o famoso detetive Hercule Poirot, o personagem mais célebre da escritora inglesa. Em “Assassinato no Expresso Oriente”, Poirot está na Turquia quando recebe uma mensagem para retornar a Londres. Ele embarca no Expresso Oriente. Após a viagem ser interrompida por uma forte nevasca, um dos passageiros é assassinado. Li o livro quando era adolescente e lembro que na época achei a trama bem original 🙂

assassinato no expresso oriente 2017
A adaptação de 2017 é repleta de estrelas como Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Penélope Cruz, Judi Dench e Willem Dafoe. O  diretor  Branagh tem a pressão de superar o filme de 1974, que ganhou Oscar nas categorias atriz coadjuvante (Ingrid Bergman), melhor roteiro adaptado e melhor fotografia. A versão da década de 70 também teve no seu elenco estrelas como Lauren Bacall e Sean Connery.

Série napolitana de Elena Ferrante será adaptada para a TV pela HBO

Mais um motivo de desespero para os fãs da escritora  Elena Ferrante: o primeiro livro da série napolitana, “A amiga genial“, será transformado em uma série da HBO. Quem consegue dormir sabendo que não leu o último livro da série napolitana, que há mais livros da escritora para ler, e agora, uma série?

No início, serão filmados apenas oito episódios. A série começará a ser produzida no verão do hemisfério norte e será filmada na Itália, em uma parceria com a TV italiana RAI. De acordo com o The New York Times, a previsão da HBO é filmar os quatro livros da série.

Outras adaptações da obra de Elena Ferrante

O livro “Dias de abandono” foi adaptado para o cinema em 2005.

 

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“I giorni dell´abbandono” é a adaptação cinematográfica do livro “Dias de abandono”, de Elena Ferrante

 

Outro livro da autora adaptado para o cinema foi “Um amor incômodo“, lançado em 1995. O filme foi indicado à Palma de Ouro em Cannes.

Dica de filme: Funny Girl -A garota genial

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Barbra Streisand brinca com os padrões de beleza em “Funny Girl”

Em 1968, Barbra Streisand já era uma cantora de sucesso na Broadway quando estreou no cinema com o filme “Funny girl – A garota genial”. O que a cantora não imaginava é que iria construir uma carreira sólida no cinema e ainda ganhar  um Oscar de Melhor atriz (dividido com Katharine Hepburn).

Streisand estreou na Broadway em 1964 com o espetáculo “Funny girl”, sobre a vida da cantora e atriz Fanny Brice. O musical teve um enorme sucesso e foi adaptado para o cinema pelo renomado diretor William Wyler (“Ben-Hur”, “A princesa e o plebeu”).

Assim como Streisand, Fanny Brice está longe do padrão de beleza de Hollywood, mas tem charme e talento. Ela é  uma atriz e cantora iniciante que mora num bairro judeu com a mãe. Fanny sabe jogar com inteligência e humor para garantir o seu lugar num mundo onde a beleza é o principal valor. Ela muda a sua entrada no espetáculo do diretor Ziegfeld, colocando uma barriga de grávida para que a audiência não risse quando ela cantasse o refrão “tão bonita”.

Durante a sua busca pela fama, Fanny Brice encontra Nicky Arnstein (Omar Sharif) que ganha a vida jogando poker. Nicky Arnstein é o clássico canalha charmoso, e a ingênua Fanny cai na lábia dele. Durante o casamento ele se ressente de não ter dinheiro para acompanhar Fanny, uma estrela da Broadway. Arnstein começa a entrar em negócios escusos e jogatinas.

O filme é uma boa opção para quem gosta de musicais e comédias e está disponível na Netflix.

 

 

Henry & June: o diário de um amor livre

“Um rosto surpreendentemente branco, olhos ardentes. June Mansfield, a esposa de Henry. Quando ela veio em minha direção da escuridão do meu jardim até a luz da entrada, vi pela primeira vez a mulher mais linda da Terra.

Anos atrás, quando tentei imaginar uma verdadeira beleza, criara uma imagem em minha mente exatamente de tal mulher. Até imaginara que ela seria judia. Já conhecia há muito tempo a cor de sua pele, seu perfil, seus dentes.

A beleza dela sobrepujou-me. Quando me sentei à sua frente, senti que faria qualquer loucura por ela, qualquer coisa que ela me pedisse. Henry esvaneceu-se. Ela era cor, brilho, estranheza.”

Henry & June: diários não expurgados de Anaïs Nin. Anaïs Nin. Porto Alegre, RS: Ed.L&PM, 2014.

Essa foi a primeira impressão que a escritora Anaïs Nin teve de June, esposa do escritor americano Henry Miller, quando a conheceu em dezembro de 1931. Naquele mesmo ano, Anaïs Nin e Miller iniciaram um relacionamento amoroso nada convencional.

Anaïs Nin nasceu em 21 de fevereiro de 1903, na França. Seu pai era cubano e a mãe dinamarquesa. Viveu durante a infância na Europa e depois nos Estados Unidos. Em 1923, Nin se casou com o banqueiro Hugh Guiler e voltou a Paris. Ela e Hugh viviam um casamento aberto numa época em que isso era considerado tabu.

No período em que conheceu Miller, Anaïs Nin estava começando sua carreira como escritora de ficção. A atração entre ambos foi intensa e logo começaram um romance. O encontro com Henry Miller influenciou a escrita e a vida de Nin, como ela mesma afirma: “Erotismo e sensualidade agora tinham um grande significado para mim”. O encontro também foi significativo para Miller, que escreveu o clássico “Trópico de câncer” durante o seu período em Paris.

Tudo ia bem entre os dois até a chegada de June. Anaïs Nin sentiu uma atração imediata e desenvolveu uma obsessão por June. Apesar do ambiente liberal, Henry sentia ciúmes da intimidade entre as duas mulheres, e Nin, do amor de Miller por June.

“Mas que jogo soberbo nós três estamos jogando. Quem é o demônio? Quem é o mentiroso? Quem é o ser humano? Quem é o mais inteligente? Quem é o mais forte? Quem ama mais? Somos três egos imensos lutando por dominação ou por amor, ou estas coisas estão misturadas?”

Henry & June: diários não expurgados de Anaïs Nin. Anaïs Nin. Porto Alegre, RS: Ed.L&PM, 2014.

“Henry & June” e os diários de Anaïs Nin

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O livro foi adaptado para o cinema em 1990 pelo diretor Philip Kaufman

O relacionamento com Henry e June foi contado em detalhes nos diários de Anaïs Nin. Porém, a autora excluiu esse período quando os diários começaram a ser publicados, a partir de 1969, para preservar o marido. “Henry & June” foi publicado na década de 1980, após a morte de Nin. Os eventos narrados no livro vão de outubro de 1931 a outubro de 1932. Além do triângulo amoroso, Nin escreve sobre suas experiências com a psicanálise, ainda incipiente, e as crises no casamento com Hugh.

Apesar de ter se aventurado na ficção, com obras eróticas como “Uma espiã na casa do amor”, a maior obra de Anaïs Nin foram os diários. Neles, a autora relata sem pudores suas descobertas sexuais e os altos e baixos do casamento com o banqueiro Hugh Guiler. Nin reflete sobre a condição da mulher, o amor e o desejo sexual, aprofundados pela psicanálise (Nin inclusive tornou-se psicanalista). A escritora falou sobre os diários nesta entrevista.

O livro Henry & June  é um extrato dos diários editados para contar o caso com os Miller. Como os demais diários da autora, entramos no mundo íntimo desses “personagens”, nos dilemas  de Nin à medida que se entrega a Henry. Vemos o processo de criação dos dois escritores, as trocas intelectuais. E o efeito desagregador que June provoca nos dois.

A escrita de Anaïs Nin é concisa, sem sentimentalismos. Os diários tem um ritmo de ficção, o leitor se envolve com as descobertas da escritora e a honestidade em analisar os próprios sentimentos. As descrições da vida em Paris na década de 30 também são interessantes.

O livro de Anaïs Nin foi adaptado para o cinema em 1990 pelo diretor Philip Kaufman. No filme, a atriz Uma Thurman interpreta June, e a atriz portuguesa Maria de Medeiros, Anaïs Nin.

Os livros raros de Sigrid Undset

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As obras da escritora norueguesa Sigrid Undset tratam da emancipação da mulher

Em janeiro, a revista americana Slate indicou a escritora norueguesa Sigrid Undset como a próxima “Elena Ferrante”. Mas enquanto Ferrante é uma escritora contemporânea com milhões de livros vendidos, Sigrid Undset foi a vencedora do Prêmio Nobel de 1928. O que levaria a revista a comparar essas duas escritoras de períodos tão diferentes?

Assim como Ferrante, a escritora norueguesa escreveu uma série de livros com uma personagem feminina principal, Kristin Lavransdatter. A trilogia relata a vida de Kristin do nascimento até a morte durante a Idade Média, reconstituindo a vida deste período e a condição feminina.

O livro é um sucesso até hoje na Noruega, e a casa de Undset transformou-se em um museu. A série também foi adaptada para o cinema em 1995 pela diretora Liv Ullmann  – em português o filme ganhou o título de “Kristin – Amor e Perdição”.

Apesar de ser vencedora do Nobel, a obra de Sigrid Undset não é amplamente divulgada e conhecida pelo público. Quando li a reportagem, fiquei com muita vontade de ler a trilogia, mas é mais fácil achar os livros em inglês. Infelizmente não há traduções recentes da escritora no Brasil, mas é possível encontrar exemplares em bibliotecas públicas e sebos.

Biografia

Sigrid Undset nasceu em 1882, na Dinamarca. Quando tinha dois anos de idade, a família mudou-se para a Noruega. Publicou o primeiro livro, “Fru Marte Oulie”, aos 25 anos. Nesta época, trabalhava durante o dia num escritório e escrevia à noite.

Depois de divorciar-se do marido, com quem teve três filhos, Undset se converteu ao catolicismo. Inclusive, a escritora tem muitos fãs católicos e tem entre suas obras uma biografia de Santa Catarina de Siena.

Mas a obra que lhe garantiu o Prêmio Nobel com apenas 46 anos foi Kristin Lavransdatter. A escritora tinha um grande conhecimento sobre a Idade Média e conseguiu transmitir todos os detalhes da vida nesta época, fato reconhecido pela Academia Sueca. Mas a vida depois do Nobel não foi fácil. Durante a Segunda Guerra Mundial, Sigrid exilou-se nos Estados Unidos e fez parte da resistência contra a ocupação nazista da Noruega. Depois da guerra, mudou-se para a cidade norueguesa de Lillehammer, onde morreu, em 1949.

O poeta dinamarquês

Sigrid Undset foi personagem do curta metragem “O poeta dinamarquês”, lançado em 2006 e que ganhou o Oscar de melhor curta-metragem de animação. O filme é muito bonitinho e tem um ótimo roteiro, vale a pena ver.

Aquarius é indicado ao César, o Oscar francês

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Sônia Braga interpreta a personagem Clara no longa “Aquarius”

 

O filme brasileiro “Aquarius“, que teve grande repercussão no Brasil e na crítica especializada em 2016, foi indicado ao premio César na categoria melhor filme estrangeiro.

O longa, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conta a história de Clara (Sônia Braga), a última residente do edifício “Aquarius” que se recusa a sair do prédio na orla do Recife para que seja vendido a uma grande construtora. O filme mostra o poder das grandes empreiteiras no Brasil e as tensas relações de classe no país.

Aquarius” é sustentado pela ótima interpretação de Sônia Braga, que consegue transmitir a força e a personalidade de Clara, que já é uma das grandes personagens do cinema brasileiro.

Polêmicas com o Oscar

Aquarius” não foi selecionado para ser o representante brasileiro na disputa pelo Oscar 2017 de melhor filme estrangeiro. O escolhido foi “O pequeno segredo”, que também ficou fora da disputa pela estatueta.

O filme de Mendonça Filho realmente não teve muita sorte com o Oscar. A empresa distribuidora do filme nos Estados Unidos não inscreveu o filme oficialmente. Muitos queriam votar em Sônia Braga para o Oscar de melhor filme estrangeiro e em “Aquarius”, como informa o blog Baixo Manhattan .

Bom, já que não há “Aquarius” no Oscar 2017, o jeito é curtir a trilha sonora do filme no Spotify, que é mara.

Indicados ao Oscar 2017: A chegada

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Amy Adams interpreta uma linguista que tem como missão entrar em contato com extraterrestres

“La La Land” tem tudo para ser o grande campeão do Oscar 2017, com 14 indicações, alcançando o feito de “Titanic”. Mas outra película que foi indicada para a categoria de “Melhor Filme” e que merece atenção é “A chegada”, um filme que vai ser discutido por muito tempo, graças à complexidade da trama e a quantidade de temas que evoca.

O filme foi baseado no conto “História da sua vida“, do escritor americano Ted Chiang e dirigido pelo diretor Dennis Villeneuve (que já dirigiu os filmes “Sicário” e “Os Suspeitos”.  O livro com o conto de Ted Chiang foi lançado ano passado no Brasil pela editora Intrínseca.

A chegada

“A chegada” é sobre como a linguagem é importante para a construção das relações sociais e para o entendimento entre culturas diferentes. É a linguagem que nos permite comunicar o que sentimos e pensamos, é através dela que materializamos ideias e projetos no mundo real.

É por meio da linguagem também que nos comunicamos com outras sociedades e povos. Na maioria das vezes, essa língua é uma outra, como o inglês ou o francês. E esta comunicação muitas vezes truncada e de difícil tradução pode causar problemas, como conflitos e, nos piores casos, a guerra.

No filme, a Terra recebe a visita de 12 naves alienígenas que se posicionam em pontos estratégicos do planeta (claro, uma delas pousa nos Estados Unidos). Os militares americanos iniciam um processo para entrar em contato com esses alienígenas e descobrir quais são suas intenções.

A linguista Louise Banks (interpretada por Amy Adams) é chamada pelo Exército para estabelecer uma comunicação com esses seres. A nave é aberta por algumas horas durante o dia e, neste período, a equipe liderada pela Dr. Louise Banks e pelo Dr. Iam (Jeremy Renner) entra na nave para tentar descobrir o que esses seres querem na Terra. À medida que os encontros acontecem, a linguista consegue estabelecer parâmetros para traduzir a língua dos heptapodes.

Eles conseguem criar um dicionário para os termos da língua dos heptapodes, mas o grande impasse chega quando finalmente a pergunta fatal é feita: qual o objetivo deles na Terra? Sem entregar os detalhes da trama, a resposta à esta pergunta exige não apenas as habilidades profissionais da Dra. Louise Banks, mas também serenidade dos líderes políticos e a capacidade de agir sem preconceitos.

O filme não tem uma estrutura linear, o que lembra muito o idioma dos heptapodes. O espectador demora um pouco para se situar e acompanhar todos os passos do pensamento da Dra. Louise. A chegada é um filme de ficção científica diferente, sem grandes efeitos especiais, futurismos e batalhas. Mas consegue fazer com que pensemos na nossa condição humana e como nos relacionamos com o outro, com culturas diferentes.

Amy Adams fez uma boa interpretação, com uma boa mistura de racionalidade e emoção. A atriz era uma das grandes apostas dos críticos para o Oscar de melhor atriz, mas infelizmente ficou de fora. O diretor Dennis Villeneuve ficou revoltado com o fato de Amy Adams, que interpreta a protagonista do filme, ter sido esnobada pelo Oscar 2017.