Seis filmes imperdíveis dirigidos por mulheres

Diretoras ainda são minoria no mundo do cinema. Apesar da crescente participação das mulheres na indústria cinematográfica, elas ainda não possuem a mesma projeção que os homens. No Oscar 2018, que será no próximo domingo (4), não será diferente. Apenas uma mulher, Greta Gerwig, concorrerá ao Oscar de melhor direção pelo filme Lady Bird.

Desde a criação do Oscar, há 90 anos, Gerwig é a quinta mulher a ser indicada à categoria melhor direção. Talvez com os movimentos recentes como #Metoo  e
#Time´s up ajudem a mudar este quadro no futuro. Contam também as denúncias contra grandes executivos, como Harvey Weinstein.

No Globo de Ouro deste ano, a atriz Natalie Portman ironizou o fato de que apenas  homens foram indicados na categoria. Até o momento, Kathryn Bigelow foi a primeira e única diretora a ganhar um Oscar pelo filme Guerra ao terror, em 2010. Enquanto torcemos por um Oscar para Greta Gerwig, que tal fazer um aquecimento para o Oscar com filmes dirigidos por mulheres?

Natalie Portman And Here Are The All Male Nominees GIF by Golden Globes - Find & Share on GIPHY

“E aqui estão todos os indicados masculinos”

Lady Bird

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Cartaz do filme “Lady Bird”, um dos indicados a melhor filme do Oscar 2018

A estreia da atriz Greta Gerwig na direção resulta num filme delicado e intenso sobre a adolescência e a complicada relação entre mães e filhas. Lady Bird recebeu indicações ao Oscar nas categorias melhor filme, melhor direção, melhor roteiro, melhor atriz (Saoirse Ronan) e melhor atriz coadjuvante (Laurie Metcalf).

Saoirse Ronan interpreta uma adolescente que prefere ser chamada de Lady Bird e que mora na cidade de Sacramento, Califórnia. Ela está no último ano do Ensino Médio e entra em conflito com a mãe, que não acredita no potencial da filha em cursar uma faculdade de primeira linha em Nova York.

Mulher Maravilha

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Cartaz do filme “Mulher Maravilha”

O filme Mulher Maravilha foi a maior estreia nas bilheterias de um filme dirigido por uma mulher. Mas o filme de Patty Jenkins é muito mais do que um fenômeno das bilheterias. Em um contexto social onde o feminismo vem ganhando cada vez mais destaque, Mulher Maravilha se tornou um manifesto da força da mulher e por mais heroínas no cinema.

A amazona Diana (Gal Gadot)  vivia na Ilha de Themyscira, onde as amazonas protegiam uma arma mortal que iria destruir o deus da guerra Ares. A vida de Diana muda após o avião do soldado Steve Trevor cair próximo à Ilha. Diana, após usar o laço da verdade, resolve acompanhar Trevor para destruir Ares e terminar com a Primeira Guerra Mundial.

Frida

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Frida 
é um filme belíssimo. A diretora Julie Taymor conseguiu transmitir a vivacidade das obras da pintora mexicana Frida Kahlo com uma bela fotografia. A interpretação de Salma Hayek  mostra as dores (físicas e emocionais) que a artista sofreu ao longo da vida.

Taymor consegue extrair beleza das passagens mais dolorosas, como o acidente que Frida sofreu aos 18 anos, quando o bonde em que estava se chocou com um automóvel. A pintora sofreu uma grave fratura pélvica que deixou sequelas pelo resto da vida. Um homem que estava no bonde carregava um saco com ouro em pó para as obras de uma igreja. O corpo ferido de Frida Kahlo ficou coberto por uma fina camada de ouro.

O filme foi lançado em 2003 pela produtora do famigerado Harvey Weinstein. Com a crescente onda de denúncias contra o produtor, a atriz Salma Hayeck publicou um artigo no The New York Times em 2017 sobre as ameaças que sofreu de Weinstein durante as filmagens de Frida. O poderoso de Hollywood chegou a ameaçá-la de morte.

 

Um castelo na Itália

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A atriz e diretora Valeria Bruni Tedeschi interpreta e dirige em “Um castelo na Itália”

Valeria Bruni Tedeschi é uma atriz e diretora italiana radicada na França. Ela e a irmã cantora Carla Bruni pertencem a uma rica família italiana que se mudou para a França fugindo das brigadas vermelhas na Itália. A experiência de uma infância rica e mimada serviu de combustível para Valéria criar e interpretar a personagem principal de Um castelo na Itália.

O filme é uma comédia, mas também uma crítica ao modo de vida dos muito ricos. Valeria interpreta Louise Rossi Levi, uma atriz que abandonou os palcos e enfrenta problemas financeiros com a família. Junto com a mãe e o irmão, devem decidir se vendem ou não um castelo italiano com valor sentimental. O filme é cheio de diálogos mordazes e referências autobiográfias. A mãe de Louise é interpretada pela mãe de Valeria na vida real, assim como o ex-namorado Louis Garrel.

Precisamos falar sobre kevin

O filme é baseado no livro Precisamos falar sobre Kevin, da escritora. Na obra, uma mãe escreve cartas ao marido refletindo sobre o passado para entender como o filho se tornou um assassino em massa. A diretora Lynne Ramsay fez uma adaptação impactante do filme. Tilda Swinton interpreta Eva, a mãe de um jovem que comete um massacre na escola em que estuda.

Kevin (Ezra Miller) é problemático desde a infância e demonstra sinais de sadismo, mas Eva não consegue lidar e procurar ajuda adequada para o garoto. O pai é ausente e parece não perceber a personalidade de Kevin. Um filme para refletir sobre o mal e a maternidade.

Que horas ela volta?

Um dos melhores filmes nacionais dos últimos anos. Anna Muylaert ganhou diversos prêmios no Brasil e no exterior. Regina Casé também foi premiada como melhor atriz pela interpretação de Val, uma empregada doméstica que deixa a filha em Pernambuco para ganhar a vida em São Paulo. Ela mora no emprego, na dependência de empregada, e está sempre à disposição dos patrões.

A vida de Val muda após a vinda da filha Jessica do nordesete para prestar vestibular. As tensões entre empregados e patrões ficam nítidas com a vinda da jovem. O filme reflete sobre as desigualdades sociais do Brasil e o modo como a classe média trata as empregadas domésticas no país.

Gostou das sugestões? Que filmes dirigidos por mulheres você indicaria?

Mike Flanagan será o diretor de “Doutor Sono”, continuação de “O iluminado”

O iluminado, clássico do terror dirigido por Stanley Kubrick, terá uma continuação, o filme Doutor Sono. A Warner Bros. definiu esta semana que Mike Flanagan será o diretor do filme e que também será responsável pelo roteiro.

 

 

O iluminado foi baseado no livro de Stephen King de mesmo nome. Na obra, Jack Torrance é um escritor que aceita trabalhar como zelador em um hotel afastado. Ele se muda para o hotel com o filho e a mulher durante o inverno rigoroso. O filho de Torrance tem habilidades psíquicas e consegue ver os espíritos que rondam o local. Aos poucos, o escritor é tomado por forças sobrenaturais e se torna uma ameaça para a mulher e o filho.

Lançado em 1980,  O iluminado se tornou referência do gênero terror com cenas marcantes, como o banho de sangue no corredor e a cena das gêmeas.

 

Filme sobre a escritora e psicanalista Lou Andreas-Salomé estreia no Brasil

lou adrea filme

 

Lou Andreas-Salomé foi uma mulher à frente de seu tempo. Ela nasceu em São Petersburgo, na Rússia, em 1861, e teve papel destacado na psicanálise, ciência em ascensão nos séculos XIX e XX. Foi discípula de Sigmund Freud, o pai da psicanálise, e escreveu inúmeros artigos e livros, pouco divulgados no Brasil.

O filme Loudirigido pela diretora alemã Cordula Kablitz-Post, estreou no Brasil no último dia 11. No filme, Lou Andreas-Salomé está com 72 anos e escrevendo suas memórias com a ajuda do acadêmico Ernst Pfeiffer.

Apesar de sua brilhante trajetória como psicanalista, Lou Andreas-Salomé tornou-se famosa por suas amizades com alguns dos principais intelectuais europeus da época. Aos 20 anos, Lou era uma grande amiga dos filósofos Friedrich Nietzsche e Paul Rée. O três viveram uma amizade bastante próxima, mas que foi desfeita após uma briga entre Lou e Nietzsche.

 

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Lou Andreas-Salomé, Paul Rée e Friedrich Nietzsche

Depois do casamento com o linguista Friedrich C. Andreas, a relação com Paul Rée começou a declinar, mas vieram novos amigos que influenciaram a vida intelectual de Lou. Ela iniciou um intenso caso com o então aspirante a poeta Rainer Maria Rilke, quinze anos mais jovem que a escritora. Outro momento decisivo foi o encontro com Sigmund Freud, que a introduziu à psicanálise. Lou escreveu obras importantes como O Erotismo Seguido de Reflexões Sobre o Problema do Amor.

A obra como escritora e ensaísta foi prolífica. Lou publicou também uma autobiografia e análises sobre a obra de Nietzsche e Rilke. Suas correspondências com Freud e Rilke foram reunidas em livro. Infelizmente, as obras desta autora não estão disponíveis em português. Como sempre, quem quiser ler alguma obra pode procurar edições em inglês ou livros raros em sebos.

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“Boneco de Neve”, filme baseado no policial de Jo Nesbo, estreia dia 23/11

estreia filme boneco de neve

O escritor norueguês Jo Nesbo criou uma série de livros policiais sobre o detetive Harry Hole

 

O filme “Boneco de neve“, baseado no romance de Jo Nesbo que já vendeu mais de 20 milhões de cópias no mundo, estreia no próximo dia 23 de novembro. No livro, o detetive Harry Hole investiga uma série de assassinatos macabros que acontecem sempre durante o gelado inverno da Noruega.

O alvo principal dos assassinatos são mulheres casadas e mães. À medida que Harry Hole desvenda o quebra-cabeça deixado pelo assassino, ele se convence cada vez mais que, pela primeira vez, há um serial killer em sua área.

O sinal característico do serial killer é um boneco de neve – o anúncio de uma nova vítima. Inicialmente, o detetive Harry Hole enfrenta uma resistência do departamento de polícia, que desacredita a teoria de Hole: “Não há serial killers na Noruega”.

Harry Hole é um detetive brilhante e inteligente, mas com um impulso para a autodestruição. É viciado em álcool; vive como um abstêmio sempre à beira de uma recaída. Tem um relacionamento complicado com a ex-namorada e se envolve com a colega de trabalho Katrine Bratt. No filme, Hole é interpretado pelo ator Michael Fassbender, uma escolha que combina com o charme do personagem. 

O escritor Jo Nesbo já publicou diversos livros sobre o detetive Harry Hole. A série já possui onze livros e ainda não terminou. “Boneco de neve” é o primeiro livro adaptado para o cinema.

“Assassinato no Expresso Oriente”, de Agatha Christie, ganha novo filme

assassinato no expresso oriente filme

 

O clássico do romance policial, “Assassinato no Expresso Oriente”, da escritora Agatha Christie, ganhará uma nova versão nos cinemas. O filme, dirigido pelo diretor Kenneth Branagh, estreia no dia 23 de novembro.

Aliás, é o próprio Kenneth Branagh que interpreta o famoso detetive Hercule Poirot, o personagem mais célebre da escritora inglesa. Em “Assassinato no Expresso Oriente”, Poirot está na Turquia quando recebe uma mensagem para retornar a Londres. Ele embarca no Expresso Oriente. Após a viagem ser interrompida por uma forte nevasca, um dos passageiros é assassinado. Li o livro quando era adolescente e lembro que na época achei a trama bem original 🙂

assassinato no expresso oriente 2017
A adaptação de 2017 é repleta de estrelas como Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Penélope Cruz, Judi Dench e Willem Dafoe. O  diretor  Branagh tem a pressão de superar o filme de 1974, que ganhou Oscar nas categorias atriz coadjuvante (Ingrid Bergman), melhor roteiro adaptado e melhor fotografia. A versão da década de 70 também teve no seu elenco estrelas como Lauren Bacall e Sean Connery.

Série napolitana de Elena Ferrante será adaptada para a TV pela HBO

Mais um motivo de desespero para os fãs da escritora  Elena Ferrante: o primeiro livro da série napolitana, “A amiga genial“, será transformado em uma série da HBO. Quem consegue dormir sabendo que não leu o último livro da série napolitana, que há mais livros da escritora para ler, e agora, uma série?

No início, serão filmados apenas oito episódios. A série começará a ser produzida no verão do hemisfério norte e será filmada na Itália, em uma parceria com a TV italiana RAI. De acordo com o The New York Times, a previsão da HBO é filmar os quatro livros da série.

Outras adaptações da obra de Elena Ferrante

O livro “Dias de abandono” foi adaptado para o cinema em 2005.

 

Série napolitana série hbo elena ferrante

“I giorni dell´abbandono” é a adaptação cinematográfica do livro “Dias de abandono”, de Elena Ferrante

 

Outro livro da autora adaptado para o cinema foi “Um amor incômodo“, lançado em 1995. O filme foi indicado à Palma de Ouro em Cannes.

Dica de filme: Funny Girl -A garota genial

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Barbra Streisand brinca com os padrões de beleza em “Funny Girl”

Em 1968, Barbra Streisand já era uma cantora de sucesso na Broadway quando estreou no cinema com o filme “Funny girl – A garota genial”. O que a cantora não imaginava é que iria construir uma carreira sólida no cinema e ainda ganhar  um Oscar de Melhor atriz (dividido com Katharine Hepburn).

Streisand estreou na Broadway em 1964 com o espetáculo “Funny girl”, sobre a vida da cantora e atriz Fanny Brice. O musical teve um enorme sucesso e foi adaptado para o cinema pelo renomado diretor William Wyler (“Ben-Hur”, “A princesa e o plebeu”).

Assim como Streisand, Fanny Brice está longe do padrão de beleza de Hollywood, mas tem charme e talento. Ela é  uma atriz e cantora iniciante que mora num bairro judeu com a mãe. Fanny sabe jogar com inteligência e humor para garantir o seu lugar num mundo onde a beleza é o principal valor. Ela muda a sua entrada no espetáculo do diretor Ziegfeld, colocando uma barriga de grávida para que a audiência não risse quando ela cantasse o refrão “tão bonita”.

Durante a sua busca pela fama, Fanny Brice encontra Nicky Arnstein (Omar Sharif) que ganha a vida jogando poker. Nicky Arnstein é o clássico canalha charmoso, e a ingênua Fanny cai na lábia dele. Durante o casamento ele se ressente de não ter dinheiro para acompanhar Fanny, uma estrela da Broadway. Arnstein começa a entrar em negócios escusos e jogatinas.

O filme é uma boa opção para quem gosta de musicais e comédias e está disponível na Netflix.

 

 

Henry & June: o diário de um amor livre

“Um rosto surpreendentemente branco, olhos ardentes. June Mansfield, a esposa de Henry. Quando ela veio em minha direção da escuridão do meu jardim até a luz da entrada, vi pela primeira vez a mulher mais linda da Terra.

Anos atrás, quando tentei imaginar uma verdadeira beleza, criara uma imagem em minha mente exatamente de tal mulher. Até imaginara que ela seria judia. Já conhecia há muito tempo a cor de sua pele, seu perfil, seus dentes.

A beleza dela sobrepujou-me. Quando me sentei à sua frente, senti que faria qualquer loucura por ela, qualquer coisa que ela me pedisse. Henry esvaneceu-se. Ela era cor, brilho, estranheza.”

Henry & June: diários não expurgados de Anaïs Nin. Anaïs Nin. Porto Alegre, RS: Ed.L&PM, 2014.

Essa foi a primeira impressão que a escritora Anaïs Nin teve de June, esposa do escritor americano Henry Miller, quando a conheceu em dezembro de 1931. Naquele mesmo ano, Anaïs Nin e Miller iniciaram um relacionamento amoroso nada convencional.

Anaïs Nin nasceu em 21 de fevereiro de 1903, na França. Seu pai era cubano e a mãe dinamarquesa. Viveu durante a infância na Europa e depois nos Estados Unidos. Em 1923, Nin se casou com o banqueiro Hugh Guiler e voltou a Paris. Ela e Hugh viviam um casamento aberto numa época em que isso era considerado tabu.

No período em que conheceu Miller, Anaïs Nin estava começando sua carreira como escritora de ficção. A atração entre ambos foi intensa e logo começaram um romance. O encontro com Henry Miller influenciou a escrita e a vida de Nin, como ela mesma afirma: “Erotismo e sensualidade agora tinham um grande significado para mim”. O encontro também foi significativo para Miller, que escreveu o clássico “Trópico de câncer” durante o seu período em Paris.

Tudo ia bem entre os dois até a chegada de June. Anaïs Nin sentiu uma atração imediata e desenvolveu uma obsessão por June. Apesar do ambiente liberal, Henry sentia ciúmes da intimidade entre as duas mulheres, e Nin, do amor de Miller por June.

“Mas que jogo soberbo nós três estamos jogando. Quem é o demônio? Quem é o mentiroso? Quem é o ser humano? Quem é o mais inteligente? Quem é o mais forte? Quem ama mais? Somos três egos imensos lutando por dominação ou por amor, ou estas coisas estão misturadas?”

Henry & June: diários não expurgados de Anaïs Nin. Anaïs Nin. Porto Alegre, RS: Ed.L&PM, 2014.

“Henry & June” e os diários de Anaïs Nin

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O livro foi adaptado para o cinema em 1990 pelo diretor Philip Kaufman

O relacionamento com Henry e June foi contado em detalhes nos diários de Anaïs Nin. Porém, a autora excluiu esse período quando os diários começaram a ser publicados, a partir de 1969, para preservar o marido. “Henry & June” foi publicado na década de 1980, após a morte de Nin. Os eventos narrados no livro vão de outubro de 1931 a outubro de 1932. Além do triângulo amoroso, Nin escreve sobre suas experiências com a psicanálise, ainda incipiente, e as crises no casamento com Hugh.

Apesar de ter se aventurado na ficção, com obras eróticas como “Uma espiã na casa do amor”, a maior obra de Anaïs Nin foram os diários. Neles, a autora relata sem pudores suas descobertas sexuais e os altos e baixos do casamento com o banqueiro Hugh Guiler. Nin reflete sobre a condição da mulher, o amor e o desejo sexual, aprofundados pela psicanálise (Nin inclusive tornou-se psicanalista). A escritora falou sobre os diários nesta entrevista.

O livro Henry & June  é um extrato dos diários editados para contar o caso com os Miller. Como os demais diários da autora, entramos no mundo íntimo desses “personagens”, nos dilemas  de Nin à medida que se entrega a Henry. Vemos o processo de criação dos dois escritores, as trocas intelectuais. E o efeito desagregador que June provoca nos dois.

A escrita de Anaïs Nin é concisa, sem sentimentalismos. Os diários tem um ritmo de ficção, o leitor se envolve com as descobertas da escritora e a honestidade em analisar os próprios sentimentos. As descrições da vida em Paris na década de 30 também são interessantes.

O livro de Anaïs Nin foi adaptado para o cinema em 1990 pelo diretor Philip Kaufman. No filme, a atriz Uma Thurman interpreta June, e a atriz portuguesa Maria de Medeiros, Anaïs Nin.

Os livros raros de Sigrid Undset

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As obras da escritora norueguesa Sigrid Undset tratam da emancipação da mulher

Em janeiro, a revista americana Slate indicou a escritora norueguesa Sigrid Undset como a próxima “Elena Ferrante”. Mas enquanto Ferrante é uma escritora contemporânea com milhões de livros vendidos, Sigrid Undset foi a vencedora do Prêmio Nobel de 1928. O que levaria a revista a comparar essas duas escritoras de períodos tão diferentes?

Assim como Ferrante, a escritora norueguesa escreveu uma série de livros com uma personagem feminina principal, Kristin Lavransdatter. A trilogia relata a vida de Kristin do nascimento até a morte durante a Idade Média, reconstituindo a vida deste período e a condição feminina.

O livro é um sucesso até hoje na Noruega, e a casa de Undset transformou-se em um museu. A série também foi adaptada para o cinema em 1995 pela diretora Liv Ullmann  – em português o filme ganhou o título de “Kristin – Amor e Perdição”.

Apesar de ser vencedora do Nobel, a obra de Sigrid Undset não é amplamente divulgada e conhecida pelo público. Quando li a reportagem, fiquei com muita vontade de ler a trilogia, mas é mais fácil achar os livros em inglês. Infelizmente não há traduções recentes da escritora no Brasil, mas é possível encontrar exemplares em bibliotecas públicas e sebos.

Biografia

Sigrid Undset nasceu em 1882, na Dinamarca. Quando tinha dois anos de idade, a família mudou-se para a Noruega. Publicou o primeiro livro, “Fru Marte Oulie”, aos 25 anos. Nesta época, trabalhava durante o dia num escritório e escrevia à noite.

Depois de divorciar-se do marido, com quem teve três filhos, Undset se converteu ao catolicismo. Inclusive, a escritora tem muitos fãs católicos e tem entre suas obras uma biografia de Santa Catarina de Siena.

Mas a obra que lhe garantiu o Prêmio Nobel com apenas 46 anos foi Kristin Lavransdatter. A escritora tinha um grande conhecimento sobre a Idade Média e conseguiu transmitir todos os detalhes da vida nesta época, fato reconhecido pela Academia Sueca. Mas a vida depois do Nobel não foi fácil. Durante a Segunda Guerra Mundial, Sigrid exilou-se nos Estados Unidos e fez parte da resistência contra a ocupação nazista da Noruega. Depois da guerra, mudou-se para a cidade norueguesa de Lillehammer, onde morreu, em 1949.

O poeta dinamarquês

Sigrid Undset foi personagem do curta metragem “O poeta dinamarquês”, lançado em 2006 e que ganhou o Oscar de melhor curta-metragem de animação. O filme é muito bonitinho e tem um ótimo roteiro, vale a pena ver.

Aquarius é indicado ao César, o Oscar francês

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Sônia Braga interpreta a personagem Clara no longa “Aquarius”

 

O filme brasileiro “Aquarius“, que teve grande repercussão no Brasil e na crítica especializada em 2016, foi indicado ao premio César na categoria melhor filme estrangeiro.

O longa, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conta a história de Clara (Sônia Braga), a última residente do edifício “Aquarius” que se recusa a sair do prédio na orla do Recife para que seja vendido a uma grande construtora. O filme mostra o poder das grandes empreiteiras no Brasil e as tensas relações de classe no país.

Aquarius” é sustentado pela ótima interpretação de Sônia Braga, que consegue transmitir a força e a personalidade de Clara, que já é uma das grandes personagens do cinema brasileiro.

Polêmicas com o Oscar

Aquarius” não foi selecionado para ser o representante brasileiro na disputa pelo Oscar 2017 de melhor filme estrangeiro. O escolhido foi “O pequeno segredo”, que também ficou fora da disputa pela estatueta.

O filme de Mendonça Filho realmente não teve muita sorte com o Oscar. A empresa distribuidora do filme nos Estados Unidos não inscreveu o filme oficialmente. Muitos queriam votar em Sônia Braga para o Oscar de melhor filme estrangeiro e em “Aquarius”, como informa o blog Baixo Manhattan .

Bom, já que não há “Aquarius” no Oscar 2017, o jeito é curtir a trilha sonora do filme no Spotify, que é mara.