Nova temporada de Arquivo X estreia dia 10

Nova temporada de Arquivo X estreia dia 10

 

A 11ª temporada da série Arquivo X estreia dia 10 de janeiro no Brasil pelo canal Fox. O primeiro episódio já foi ao ar nos Estados Unidos e trouxe uma reviravolta chocante sobre o filho de Scully e Mulder.

Arquivo X fez sucesso mundial na década de 90, época em que várias teorias da conspiração surgiram, como o caso Roswell, discos voadores e outras esquisitices. Dois agentes do FBI, Fox Mulder e Dana Scully, trabalham na divisão Arquivo X, responsável pela investigação de casos paranormais e que não foram solucionados por outros agentes.

A agente Scully é o lado racional da dupla. Formada em Medicina, ela sempre procura explicações científicas para os diversos fenômenos investigados. Já Mulder acredita que há uma grande conspiração envolvendo alienígenas e parte do governo americano para colonizar a terra e criar uma raça híbrida entre humanos e extraterrestres. Após presenciar a abdução da irmã, Mulder entrou para o FBI para buscar respostas sobre o desaparecimento da irmã.

Nova temporada de Arquivo X estreia dia 10

O cartaz com a frase “Eu quero acreditar” virou ícone da série

 

Filmes e novas temporadas de Arquivo X

Desde a estreia da série, em 1993, até o fim das nove temporadas, Arquivo X abordou diversos assuntos em voga na época, como os “chupa-cabras” e outros folclores. Mas o forte da série eram os Óvnis.

À medida que Scully e Mulder iam descobrindo mais detalhes sobre a conspiração, maior era o preço que pagavam por descobrir a verdade (o pai de Mulder e a irmã de Scully foram assassinados).

No final da 9ª temporada, Mulder é julgado culpado por traição e foge com Scully. Aliás, a relação entre os dois, interpretados por David Duchovny e Gillian Anderson, é o motivo do sucesso da série. Além das histórias esquisitas, um dos motivos para assistir aos episódios cheios de casos paranormais era a excelente química entre os dois atores. Todos ficavam na expectativa de um relacionamento entre os dois. Muitas temporadas depois, Scully engravidou de Mulder, mas teve que entregar o filho para adoção devido à perseguição do governo.

Após o fim da série, houve uma tentativa de revival com o filme “Arquivo X – Eu quero acreditar”. Mulder é reintegrado ao FBI para investigar um novo caso, mas sem muitas novidades.

Na 10ª temporada, Mulder e Scully descobrem que a conspiração alienígena ainda está de pé. No episódio final, Mulder está gravemente doente e precisa das células tronco de seu filho desaparecido. Vamos ver se os próximos dez episódios trarão explicações para os fãs sobre a conspiração e um final feliz para o casal.

“Estação onze” – um livro sobre memórias afetivas e o poder da arte

estação onze livro emily st. john mandel

Conheci por acaso o livro “Estação onze“, da escritora canadense Emily St. John Mandel. E que livro! Minha tia comprou numa promoção nas lojas Americanas e minha mãe pegou emprestado. A obra foi publicada em 2014 nos Estados Unidos e teve uma boa repercussão entre os críticos (tem até elogio da New Yorker na contracapa).

Em “Estação onze“, depois de uma pandemia de gripe, a civilização se desintegra, e o que resta são pequenos povoados estabelecidos pelos sobreviventes. Não há mais governos, polícia, fronteiras. Nem remédios, internet e celulares. No ano 20 após a tragédia, a companhia teatral Sinfonia Itinerante percorre esses pequenos povoados entre o Canadá e os Estados Unidos, apresentando peças de Shakespeare e concertos de música clássica.

A autora Emily St. John Mandel entrelaça a história da atriz da Sinfonia Kirsten Raymonde com a do famoso ator hollywoodiano Arthur Leander. Kirsten tinha apenas oito anos quando seus pais morreram na epidemia de gripe. No dia em que a epidemia se alastrou, Kirsten estava no palco representando uma das filhas de Rei Lear, em uma montagem estrelada por Arthur. O ator morreu no palco nesta mesma noite.

Estação Onze emily st. john mandel

No mundo pós-apocalíptico de “Estação Onze” não há cafeterias, nem máquinas de café expresso

O único elo que Kirsten tem com o passado são as misteriosas revistas em quadrinhos do “Dr. Onze”, um presente de Arthur. Enquanto viaja com a Sinfonia Itinerante representando e sobrevivendo, ela tenta reconstruir este passado com revistas de celebridades cheias de fofocas sobre o ator.

Estação Onze – uma ficção científica diferente

As revistas em quadrinhos do “Dr. Onze” foram escritas pela primeira mulher de Arthur, Miranda, e nunca foram publicadas antes da epidemia. Miranda desenhava as revistas com perfeccionismo: elas nunca estavam prontas o suficiente para serem publicadas. A desenhista nunca teve fama ou reconhecimento profissional pela sua arte. Mas agora elas são lidas e fazem a diferença na vida de outras pessoas, mesmo que a artista não veja o resultado final. O que resta é a obra.

Em “Estação Onze“, Emily St. John Mandel  reflete sobre a importância da arte em momentos difíceis e quando tudo parece desmoronar. A autora não reflete sobre as causas da pandemia de gripe, ou se uma cura será descoberta. O que importa são as relações pessoais e familiares e como a arte é tudo o que resta quando todas as tecnologias falham.

“Não havia mais mergulhos em piscinas de água clorada com luzes verdes por baixo. Não havia mais jogos de bola sob holofotes. Não havia mais luzes nas varandas circundadas por mariposas nas noites de verão. Não havia mais trens correndo sob as cidades com a força alucinante do terceiro trilho condutor de eletricidade. Não havia mais cidades. Não havia mais filmes, exceto raramente, exceto quando um gerador de energia estava ligado e abafava metade do diálogo, e mesmo isso só por algum tempo, até que o combustível para os geradores acabou, porque a gasolina dos automóveis estragou depois de dois ou três anos. O combustível dos aviões durava mais tempo, porém era difícil conseguir.”

Curiosidades: no livro, as pessoas não usam carros, aviões, etc., para se deslocarem. Parece que a gasolina estraga após um tempo. Como vou assistir The Walking Dead após essa informação?

Indicados ao Oscar 2017: A chegada

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Amy Adams interpreta uma linguista que tem como missão entrar em contato com extraterrestres

“La La Land” tem tudo para ser o grande campeão do Oscar 2017, com 14 indicações, alcançando o feito de “Titanic”. Mas outra película que foi indicada para a categoria de “Melhor Filme” e que merece atenção é “A chegada”, um filme que vai ser discutido por muito tempo, graças à complexidade da trama e a quantidade de temas que evoca.

O filme foi baseado no conto “História da sua vida“, do escritor americano Ted Chiang e dirigido pelo diretor Dennis Villeneuve (que já dirigiu os filmes “Sicário” e “Os Suspeitos”.  O livro com o conto de Ted Chiang foi lançado ano passado no Brasil pela editora Intrínseca.

A chegada

“A chegada” é sobre como a linguagem é importante para a construção das relações sociais e para o entendimento entre culturas diferentes. É a linguagem que nos permite comunicar o que sentimos e pensamos, é através dela que materializamos ideias e projetos no mundo real.

É por meio da linguagem também que nos comunicamos com outras sociedades e povos. Na maioria das vezes, essa língua é uma outra, como o inglês ou o francês. E esta comunicação muitas vezes truncada e de difícil tradução pode causar problemas, como conflitos e, nos piores casos, a guerra.

No filme, a Terra recebe a visita de 12 naves alienígenas que se posicionam em pontos estratégicos do planeta (claro, uma delas pousa nos Estados Unidos). Os militares americanos iniciam um processo para entrar em contato com esses alienígenas e descobrir quais são suas intenções.

A linguista Louise Banks (interpretada por Amy Adams) é chamada pelo Exército para estabelecer uma comunicação com esses seres. A nave é aberta por algumas horas durante o dia e, neste período, a equipe liderada pela Dr. Louise Banks e pelo Dr. Iam (Jeremy Renner) entra na nave para tentar descobrir o que esses seres querem na Terra. À medida que os encontros acontecem, a linguista consegue estabelecer parâmetros para traduzir a língua dos heptapodes.

Eles conseguem criar um dicionário para os termos da língua dos heptapodes, mas o grande impasse chega quando finalmente a pergunta fatal é feita: qual o objetivo deles na Terra? Sem entregar os detalhes da trama, a resposta à esta pergunta exige não apenas as habilidades profissionais da Dra. Louise Banks, mas também serenidade dos líderes políticos e a capacidade de agir sem preconceitos.

O filme não tem uma estrutura linear, o que lembra muito o idioma dos heptapodes. O espectador demora um pouco para se situar e acompanhar todos os passos do pensamento da Dra. Louise. A chegada é um filme de ficção científica diferente, sem grandes efeitos especiais, futurismos e batalhas. Mas consegue fazer com que pensemos na nossa condição humana e como nos relacionamos com o outro, com culturas diferentes.

Amy Adams fez uma boa interpretação, com uma boa mistura de racionalidade e emoção. A atriz era uma das grandes apostas dos críticos para o Oscar de melhor atriz, mas infelizmente ficou de fora. O diretor Dennis Villeneuve ficou revoltado com o fato de Amy Adams, que interpreta a protagonista do filme, ter sido esnobada pelo Oscar 2017.