Contos de autores brasileiros para ler em qualquer lugar

 

Contos de autores brasileiros

A editora Companhia das Letras criou uma newsletter gratuita que enviará contos de autores brasileiros uma vez por semana para o seu e-mail.

Entre os autores escolhidos estão Adriana Lisboa, Marcílio França Castro, João Anzanello Carrascoza e Noemi Jaffe. A ideia é divulgar os escritores por meio de contos curtos, que podem ser lidos em qualquer lugar.

Você pode se cadastrar no blog da editora. A duração do projeto é de três meses.

The Guardian publicará coluna semanal de Elena Ferrante

The Guardian coluna semanal de Elena Ferrante

Elena Ferrante tornou-se fenômeno literário com a série napolitana.

Os ávidos leitores da escritora italiana Elena Ferrante já podem comemorar. Após publicar a famosa tetralogia napolitana, a autora agora se lança em um novo desafio: uma coluna semanal no jornal inglês The Guardian. A coluna será publicada no caderno dominical do jornal.

Em sua estreia, Ferrante fala sobre como planejou escrever sobre suas primeiras vezes. A primeira vez que viu o mar, a primeira vez que fez amor, a primeira vez que se apaixonou. O projeto não deu certo, mas rendeu à escritora uma crônica sobre o  primeiro amor.

A escritora faz reflexões sobre a natureza do amor e as incertezas da adolescência. Os fãs poderão matar a saudade do estilo único de Ferrante e de sua peculiar visão do amor e da vida.

“Eu esperava e queria mais, e fiquei surpresa ao saber que ele, por outro lado, depois de me querer tanto, me achou supérflua e fugiu, pois tinha outras coisas para fazer.”

Filme sobre a escritora e psicanalista Lou Andreas-Salomé estreia no Brasil

lou adrea filme

 

Lou Andreas-Salomé foi uma mulher à frente de seu tempo. Ela nasceu em São Petersburgo, na Rússia, em 1861, e teve papel destacado na psicanálise, ciência em ascensão nos séculos XIX e XX. Foi discípula de Sigmund Freud, o pai da psicanálise, e escreveu inúmeros artigos e livros, pouco divulgados no Brasil.

O filme Loudirigido pela diretora alemã Cordula Kablitz-Post, estreou no Brasil no último dia 11. No filme, Lou Andreas-Salomé está com 72 anos e escrevendo suas memórias com a ajuda do acadêmico Ernst Pfeiffer.

Apesar de sua brilhante trajetória como psicanalista, Lou Andreas-Salomé tornou-se famosa por suas amizades com alguns dos principais intelectuais europeus da época. Aos 20 anos, Lou era uma grande amiga dos filósofos Friedrich Nietzsche e Paul Rée. O três viveram uma amizade bastante próxima, mas que foi desfeita após uma briga entre Lou e Nietzsche.

 

Nietzsche_paul-ree_lou-von-salome188

Lou Andreas-Salomé, Paul Rée e Friedrich Nietzsche

Depois do casamento com o linguista Friedrich C. Andreas, a relação com Paul Rée começou a declinar, mas vieram novos amigos que influenciaram a vida intelectual de Lou. Ela iniciou um intenso caso com o então aspirante a poeta Rainer Maria Rilke, quinze anos mais jovem que a escritora. Outro momento decisivo foi o encontro com Sigmund Freud, que a introduziu à psicanálise. Lou escreveu obras importantes como O Erotismo Seguido de Reflexões Sobre o Problema do Amor.

A obra como escritora e ensaísta foi prolífica. Lou publicou também uma autobiografia e análises sobre a obra de Nietzsche e Rilke. Suas correspondências com Freud e Rilke foram reunidas em livro. Infelizmente, as obras desta autora não estão disponíveis em português. Como sempre, quem quiser ler alguma obra pode procurar edições em inglês ou livros raros em sebos.

Gostou do post? Siga o blog também no Instagram!

Odes de Ricardo Reis – Fernando Pessoa

belem-portugal

Com que vida encherei os poucos breves
Dias que me são dados? Será minha
A minha vida ou dada
A outros ou a sombras?

À sombra de nós mesmos quantas vezes
Inconscientes nos sacrificamos,
E um destino cumprimos
Nem nosso nem alheio!

Porém nosso destino é o que for nosso
Quem nos deu o acaso, ou, alheio fado,
Anônimo a um anónimo,
Nos arrasta a corrente.

Os deuses imortais, saiba eu ao menos
Aceitar sem querê-lo, sorridente,
O curso áspero e duro
Da strada permitida.

                                                                                                 (5/5/1925)

Nova temporada de Arquivo X estreia dia 10

Nova temporada de Arquivo X estreia dia 10

 

A 11ª temporada da série Arquivo X estreia dia 10 de janeiro no Brasil pelo canal Fox. O primeiro episódio já foi ao ar nos Estados Unidos e trouxe uma reviravolta chocante sobre o filho de Scully e Mulder.

Arquivo X fez sucesso mundial na década de 90, época em que várias teorias da conspiração surgiram, como o caso Roswell, discos voadores e outras esquisitices. Dois agentes do FBI, Fox Mulder e Dana Scully, trabalham na divisão Arquivo X, responsável pela investigação de casos paranormais e que não foram solucionados por outros agentes.

A agente Scully é o lado racional da dupla. Formada em Medicina, ela sempre procura explicações científicas para os diversos fenômenos investigados. Já Mulder acredita que há uma grande conspiração envolvendo alienígenas e parte do governo americano para colonizar a terra e criar uma raça híbrida entre humanos e extraterrestres. Após presenciar a abdução da irmã, Mulder entrou para o FBI para buscar respostas sobre o desaparecimento da irmã.

Nova temporada de Arquivo X estreia dia 10

O cartaz com a frase “Eu quero acreditar” virou ícone da série

 

Filmes e novas temporadas de Arquivo X

Desde a estreia da série, em 1993, até o fim das nove temporadas, Arquivo X abordou diversos assuntos em voga na época, como os “chupa-cabras” e outros folclores. Mas o forte da série eram os Óvnis.

À medida que Scully e Mulder iam descobrindo mais detalhes sobre a conspiração, maior era o preço que pagavam por descobrir a verdade (o pai de Mulder e a irmã de Scully foram assassinados).

No final da 9ª temporada, Mulder é julgado culpado por traição e foge com Scully. Aliás, a relação entre os dois, interpretados por David Duchovny e Gillian Anderson, é o motivo do sucesso da série. Além das histórias esquisitas, um dos motivos para assistir aos episódios cheios de casos paranormais era a excelente química entre os dois atores. Todos ficavam na expectativa de um relacionamento entre os dois. Muitas temporadas depois, Scully engravidou de Mulder, mas teve que entregar o filho para adoção devido à perseguição do governo.

Após o fim da série, houve uma tentativa de revival com o filme “Arquivo X – Eu quero acreditar”. Mulder é reintegrado ao FBI para investigar um novo caso, mas sem muitas novidades.

Na 10ª temporada, Mulder e Scully descobrem que a conspiração alienígena ainda está de pé. No episódio final, Mulder está gravemente doente e precisa das células tronco de seu filho desaparecido. Vamos ver se os próximos dez episódios trarão explicações para os fãs sobre a conspiração e um final feliz para o casal.

Frases de escritores famosos para incentivar a escrita

FRASES DE ESCRITORES FAMOSOS PARA INCENTIVAR A ESCRITA

Que tal começar 2018 com algumas frases de inspiração? Às vezes, para iniciar um projeto, ou apenas uma leitura, precisamos de um empurrãozinho. Melhor quando este empurrão vem de autores renomados.

“O pecado é a matéria-prima do escritor. As paixões do coração, o pão e vinho que saboreia.”
François Mauriac

“Não faz muito sentido escrever se não for para incomodar alguém.”
Kingsley Amis

“Escrever, a mais solitária das ocupações, é uma espécie de aflição.”
Nadine Gordimer

“As pessoas sempre criaram os seus próprios mundos de mitos e sonhos.”
Yasar Kemal

“Dramaturgo é uma pessoa que põe as tripas penduradas no palco.”
Edward Albee

“Um romance que não revela um aspecto até então desconhecido da existência é imoral.”
Milan Kundera

“Se você não tem aquela confissão secreta, talvez não tenha um poema.”
Ted Hughes

“Precisamos de escritores porque precisamos de testemunhas deste terrível século.”
E.L. Doctorow

“Há uma coisa que eu creio estar crescendo em mim à medida que fico mais velha: os finais felizes.”
Alice Munro

“Se eles podem levar você a fazer perguntas erradas, não têm de se preocupar com as respostas.”
Thomas Pynchon

“As únicas respostas interessantes são aquelas que destroem perguntas.”
Susan Sontag

“Sobrevivi representando esses meus sofrimentos na forma de romances.”
Kenzaburo Oe

“Uma mulher precisa de dinheiro e de um quarto só seu, se vai escrever ficção.”
Virginia Woolf

Referência: 501 grandes escritores. Ed. Sextante: 2009.

Chove. É Dia de Natal – Fernando Pessoa

Chove. É Dia de Natal - Fernando Pessoa
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Romance moderno: uma investigação sobre relacionamentos na era digital

Romance Moderno: uma investigação sobre relacionamentos na era digital

Os sites de namoro já existiam antes dos smartphones, mas ganharam uma nova dimensão com aplicativos como Tinder e Happn. As novas tecnologias mudaram a forma como encaramos os relacionamentos amorosos.

Neste mundo de matches e deslizadas de tela, encontrar um par se tornou banal. Em segundos descobrimos que existem centenas de solteiros (e outros que mentem o estado civil) a apenas poucos metros de distância. Mas isto não significa que é mais fácil encontrar um parceiro amoroso.

Diante deste cenário, o comediante Aziz Ansari (da série Master of None, da Netflix) decidiu investigar o que mudou na vida amorosa no início deste século. Ele se juntou ao sociólogo Eric Klinenberg e escreveu o livro “Romance moderno: uma investigação sobre relacionamentos na era digital”.

O livro traz uma retrospectiva de como eram os relacionamentos na década de 60, onde não havia muitas opções de lazer e de vida, até o nosso mundo recheado de opções.
Até metade do século XX, as expectativas de relacionamento eram mais baixas. Os casamentos aconteciam entre pessoas que viviam próximas, frequentavam o mesmo bairro, as mesmas escolas. O mais provável é que você se casasse com alguém de sua vizinhança. As mulheres não estudavam ou trabalhavam, e nem era esperado que elas fizessem isso, o que reduzia as chances de encontrar um parceiro diferente.

Hoje, o esperado de um jovem é que ele conheça a vida, viaje, namore e construa uma carreira antes de se comprometer em um casamento ou relacionamento mais sério. Ao mesmo tempo que isso permite uma maior liberdade de relacionamento, também prejudica a criação de laços. O amor da sua vida deve ser alguém que o complete totalmente, alguém com quem você tenha uma conexão profunda. E sempre há a tentação: será que eu conheço alguém mais interessante?

Se relacionar com pessoas de outras cidades e até países ficou mais fácil com a internet. A única vantagem é que, quando o namoro vinga, pode ser uma relação realmente significativa na vida da pessoa.

Algoritmos do amor

Nesta era digital, somos julgados pelos algoritmos e pelos julgamentos inconscientes (nossos e dos pretendentes). As fotos, o texto de descrição dos aplicativos de namoro, a velocidade com que você responde a uma mensagem, isso tudo conta na hora de ser bem sucedido na paquera virtual.

Há alguns achados interessantes na pesquisa feita pelos autores: homens que não sorriem e que não olham para a câmera se dão melhor nos matches. Para as mulheres, as fotos que geram mais sucesso são a “selfie frontal tirada de cima, com uma expressão levemente coquete”. Já fotos em que as mulheres aparecem bebendo ou com um animal não são muito favoráveis.

O mundo virtual traz nuances que são difíceis de interpretar. Não é à toa que as pessoas se sentem tão perdidas. Há muitas variáveis e nem sabemos por que atraímos (ou afastamos) pretendentes na internet.

Aziz Ansari e Eric Klinenberg também viajaram para cidades como Buenos Aires, Paris e Tóquio para refletir sobre as diferenças culturais na hora da paquera. Enfim,”Romance moderno” é um livro para quem quer entender (e sobreviver) nesses tempos modernos.

Título: Romance moderno
Autores: Aziz Ansari e Eric Klinenberg
Tradução: Christian Schwartz
Ano de publicação: 2016
Editora: Paralela

Melhores leituras de 2017

Li menos do que planejei em 2017, mas também acho que não fiz feio considerando o tempo que as rede sociais sugam (e Netflix, Youtube…). Algumas leituras foram memoráveis e merecem ser compartilhadas com vocês!

 História de quem foge e de quem fica elena ferrante

História de quem foge e de quem fica – Elena Ferrante

Este é o terceiro volume da série napolitana, escrito pela misteriosa escritora italiana Elena Ferrante e sucesso no mundo inteiro. A personagem Elena Greco começa a narrar a história de sua amizade desde a infância com Raffaella Cerullo – Lila.

Em “História de quem foge e de quem fica“, as amigas Lenu e Lila encontram-se agora em importantes momentos da vida adulta. Elena não consegue se dedicar à carreira literária com o casamento e as filhas. Lila tenta reconstruir sua vida no bairro da infância. Uma leitura que me fez refletir sobre a situação da mulheres e sobre as relações de amizade.


História da menina perdida – Elena Ferrante

O último livro da série é a melhor leitura da tetralogia napolitana. É o mais bem escrito e com capacidade de dizer muito em poucas linhas. A cada linha que avançamos na leitura, sabemos que algo irremediavelmente ruim irá acontecer e ficamos com a respiração suspensa durante toda a leitura. Vamos sentindo as dores dos personagens, mas também desenvolvendo uma relação de amor e ódio com eles (principalmente com Nino).

 

melhores livros 2017


Clarice Lispector – esboço para um possível retrato – Olga Borelli

Este livro de memórias escrito por Olga Borelli, amiga íntima de Clarice Lispector, foi publicado em 1981 e está fora do mercado. Olga Borelli conviveu de perto com a escritora nos seus últimos anos de vida e ajudou a editar várias de suas obras.

Os detalhes da vida cotidiana e a seleção de textos e cartas feita por Olga Borelli fazem com que o leitor sinta o pensamento de Clarice e tenha uma compreensão íntima da escritora. Borelli selecionou escritos inéditos e também cartas da escritora. Uma leitura imperdível para os fãs de Clarice.

melhores livros 2017

O escritor norueguês Karl Ove Knausgård


A morte do pai – Karl Ove Knausgård

O escritor norueguês Karl Ove Knausgård sempre quis escrever sobre a morte do seu pai após anos de alcoolismo. Depois de ter publicado dois livros de ficção, Knausgård decidiu escrever sobre a própria vida, como em um diário. Ele escreve sobre os filhos, a morte do pai e detalhes banais do cotidiano, mas numa escrita muito sensível que envolve o leitor em seu universo.

“A morte do pai” é o primeiro livro da série Minha Luta, que é sucesso de público e crítica em diversos países.


Um outro amor – Karl Ove Knausgård

“Um outro amor” é o segundo livro da série de Knausgård e uma leitura supreendente. No segundo livro sobre sua vida, o escritor aborda agora as suas relações amorosas, o casamento com a mulher Linda, os filhos, problemas conjugais e relações com os amigos.

O grande segredo de Knausgård é transformar o banal do dia a dia em literatura da mais alta qualidade. Trocas de fraldas, brigas com os vizinhos, o simples ato de colocar o lixo no depósito, tudo prende o leitor, que quer ler mais e entrar mais na vida do autor. Acho que este é o grande segredo, nos sentimos próximos do escritor, entrando em seus pensamentos e cotidiano.

Knausgård não esconde o que pensa dos amigos, da mulher e parentes, o que às vezes nos faz sentir raiva, às vezes compreensão. Esta sinceridade trouxe problemas ao autor, que perdeu amigos e enfrentou problemas no casamento. Também houve críticas à exposição dos filhos e da família.

Apesar das polêmicas, foi uma das melhores leituras que fiz nos últimos anos. E o final dos dois livros são perfeitos, muito bem escritos.

Um verão em Siena – Esther Freud

um verão em siena esther freud

Piazza del Campo, em Siena


Esther Freud
é uma escritora britânica, apontada pela revista literária Granta em 1993 entre os melhores jovens escritores com menos de 40. Ela já publicou seis livros e, por incrível que pareça, suas obras ainda não foram traduzidas no Brasil. Digo incrível considerando que, além de ser uma excelente escritora, a autora é bisneta do pai da psicanálise, Sigmund Freud, e filha do pintor Lucian Freud. Comprei o e-book na Amazon por dez reais.

Em suas obras, Freud sempre usa elementos pessoais para construir tramas e personagens. Em “Um verão em Siena” (tradução portuguesa) ela refle sobre a relação com o pai, o pintor Lucian Freud, por meio da personagem Lara, uma jovem de 17 anos.

Lara irá passar um verão em Siena com o pai, o famoso historiador Lambert Gold. Os dois nunca tiveram uma relação próxima; Lara sempre fora criada pela mãe. Durante a viagem de trem até a Itália, ela começa a se aproximar do pai, que até aquele momento era apenas uma imagem, um continente a ser explorado.

Freud se inspirou na própria relação com o pai para criar Lambert. Assim como Lara, ela só se aproximou do pai no final da adolescência, como afirmou em uma entrevista para o jornal Telegraph. A escritora demorou um tempo para conseguir lidar com a ausência de Lucian Freud e conseguir escrever sobre o tema.

Assim como Lucian Freud, Lambert é um judeu refugiado em Londres durante a Segunda Guerra Mundial, que consegue criar uma exitosa carreira longe de sua terra natal.

Freud escreve sobre sexualidade e tabus

Em Siena, pai e filha ficam hospedados na casa de Caroline, uma grande amiga de Lambert. Há também Ginny, a cozinheira inglesa que os acompanha e está ansiosa pelo casamento entre a princesa Diana e o príncipe Charles (o livro se passa em 1981). Perto da casa de Caroline, moram os Willoughbys, família aristocrata inglesa que comprou uma vila inteira para morar: a vila de Ceccomoro.

Lara logo socializa com os Willoughbys e fica fascinada por Kip, o filho mais novo da família. Andrew, o patriarca, mora na Itália com a amante Pâmela, uma atriz de cinema, enquanto a mulher mora na Inglaterra. Entre banhos de piscina e passeios por Siena, Lara começa a se envolver com Kip e a descobrir a própria sexualidade.

A escrita de Esther Freud é leve, condizente com o clima de verão e férias na Toscana. Parece que entramos naquele mundo de brisa fresca à beira da piscina, sem deveres, nem obrigações. Freud nunca aponta os momentos de tensão com palavras e descrições desnecessárias. A sexualidade e assuntos tabus como assédio sexual e estupro são tratados de maneira sutil, mas nunca suavizados ao leitor.

A narração é em terceira pessoa, mas entramos no ponto de vista de uma garota de 17 anos. Freud cria um fluxo de consciência diferente, sem passagens do presente para as lembranças de Lara quando era criança e viajou com a mãe para o Nepal.Enfim, são muitos os temas tratados por Freud em sua obra, como as relações sociais, questões familiares mal resolvidas, a adolescência. Uma leitura que nos faz refletir.

Título: Um verão em Siena
Autora: Esther Freud
Editora: Asa
País: Portugal
Ano de publicação: 2007