A série “The Hanmaid’s Tale” e o futuro sombrio das mulheres

the handmaids tale
Finalmente, depois de todo o bafafá, maratonei a primeira temporada  de “The Handmaid’s Tale” (baseada no livro O conto da Aia da escritora Margaret Atwood).  O romance de Margaret Atwood foi publicado em 1985, mas não poderia ser mais atual, principalmente com o governo Trump nos Estados Unidos e com a ascensão do conservadorismo no mundo.

Em um futuro não muito distante, o governo dos Estados Unidos é derrubado e parte do território se transforma na República de Gilead, um estado cristão fundamentalista. Parte das mulheres e dos homens são inférteis devido aos altos níveis de poluição ambiental. Para contornar esse problema, mulheres férteis são capturadas e transformadas em escravas sexuais, as “aias”.

As aias se vestem de vermelho e são estupradas todos os meses por homens da “classe superior”. A única função dessas mulheres na sociedade é a procriação. Elas não têm empregos, não têm família, não podem ler e nem viajar, são prisioneiras de uma sociedade de castas. Se por acaso engravidarem, o filho é criado pelas esposas dos homens da alta sociedade de Gilead.

Tanto na série como no livro, a história é narrada pela aia Offred (numa tradução livre “do Fred”). Ela não tem direito a usar o nome do passado, e é nomeada de acordo com o homem a quem está ligada no momento. As aias são passadas de família em família, como objetos.

Na série, a narração ganha mais impacto com a atuação da atriz Elisabeth Moss, que consegue interpretar todas as nuances emocionais vividas por Offred.

Na série, os direitos das mulheres são cortados aos poucos: um dia elas não têm mais direito ao trabalho, a ter uma conta no banco, pequenos passos que acabam levando a completa dominação. No Brasil, parece que estamos vivendo um início de um pequeno pesadelo, com a aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados de uma PEC que inclui a proibição do aborto em casos de estupro.

 

Dicas rápidas sobre marketing digital

Dicas rápidas sobre marketing digital

 

Quem tem um blog ou precisa divulgar o seu trabalho pela internet sabe o quanto é difícil se destacar com tanta informação disponível na web. Os mecanismos de pesquisa do Google e os algoritmos das redes sociais mudam com frequência, diminuindo o rankeamento nos sites de pesquisa e o alcance nas redes sociais.

Para ganhar destaque, só há um caminho: conteúdo de qualidade.

Encontrar algo único, que irá chamar a atenção do seu público, é fundamental. Crie conteúdo que tenha valor e que atraia a atenção das pessoas. Texto bem escrito e conteúdo de qualidade são uma dupla imbatível (Escrevi dois posts com dicas de texto para a web, parte 1parte 2).

Depois de tanto esforço, você não vai querer morrer na praia, vai? É preciso pensar na estratégia de divulgação e distribuição de conteúdo. No marketing digital, pequenos detalhes fazem a diferença. Listei algumas dicas rápidas de marketing  para quem está engatinhando na área e quer melhorar seus resultados.


Defina a persona, mas defina mesmo

O marketing de conteúdo é muito centrado no conceito de persona, que é diferente de público-alvo. A persona é uma caracterização deste público. Um exemplo: Teresa, 25 anos, faz mestrado em letras, deseja construir uma carreira como professora universitária, gosta de literatura, mas não tem muito tempo na rotina para ler.

Um bom conteúdo leva em conta as características e necessidades da persona. Este vídeo da Paula Abreu é o muito bom para entender o conceito:

 

Divulgue seu conteúdo no horário certo

Descubra o horário em que você recebe mais visitantes para o seu blog, página do Facebook ou Instagram e poste nesses horários. Mas não divulgue o conteúdo apenas uma vez. De acordo com Guy Kawasaki, mestre das redes sociais, divulgue o mesmo post quatro vezes em uma rede social – em horários e dias diferentes.


Seja único

A especialista em Social Media Peg Fitzpatrick ensina: divulgue o que o torna único, o que 0 diferencia das outras pessoas/blogs. Seja original e publique suas ideias e pensamentos. É assustador no início, mas pode ser libertador. Outra fonte legal sobre branding e marketing pessoal é o blog da Ale Garattoni e de sua empresa.


Atualize-se

Há sites legais para quem quer se atualizar sobre marketing, como o HubSpot e o blog   da Resultados Digitais.


Compartilhe nas redes 

Crie uma página no Facebook ou outra rede social, como o Instagram, para o seu blog. As redes sociais ajudam a divulgar seu conteúdo e a atrair novos leitores. Cada rede tem suas características, e o conteúdo deve ser adaptado para cada rede. Este artigo ensina como aproveitar cada rede.

Dicas para escrever um bom texto para a web – parte 2

 

Dicas para escrever um bom texto para a web

Na primeira parte desta série de posts, aprendemos como os motores de buscam influenciam na escrita de um texto para a internet. Nesta segunda parte, organizei alguns truques e dicas para escrever um bom texto para a web e que irão facilitar a organização de seu trabalho.

A produção de um texto de qualidade depende não só de uma redação coesa e sem erros gramaticais, mas também do planejamento prévio ao ato da escrita. Esse planejamento deve levar em conta a estrutura de um texto para a internet e a organização das ideias de forma coerente, o que irá facilitar o processo de escrita.


1) Organize suas ideias

Antes de começar a escrever, faça um brainstorming com os assuntos e palavras-chave que você quer incluir no texto. Depois você pode organizar os assuntos que serão abordados em tópicos, com uma breve descrição do conteúdo. A estrutura em tópicos irá ajudar a montar a estrutura do texto.


2)Defina a estrutura

A leitura de textos na internet tem características próprias que devem ser levadas em conta na hora de escrever. O leitor normalmente “passa os olhos” pelo conteúdo e divide a sua atenção de leitura com notificações de redes sociais, aplicativos de mensagens, etc. Para contornar esse problema, seguem algumas dicas:

  • O texto deve ter escaneabilidade. O leitor deve passar os olhos pelo texto e se sentir atraído pelo conteúdo. O uso de subtítulos aumenta a escaneabilidade do texto e faz com que o leitor compreenda o conteúdo e também possa ler as partes que mais lhe interessem. Em textos para a internet, o mínimo recomendado é de três subtítulos.
  • Os parágrafos também devem ser pequenos, para facilitar a leitura e não assustar o leitor com blocos grandes de texto.
  • Também esteja atento para o tamanho do seu artigo. Revise o tamanho dos parágrafos e analise se um texto menor pode dar conta do conteúdo.

 

3)Tópicos frasais

Os parágrafos devem ser estruturados em tópicos frasais, frases que contém a ideia principal do parágrafo. O parágrafo devem ser estruturado em torno desta ideia. A última frase deve servir de ponte para o próximo parágrafo, conectando ideias e tornando o texto mais coeso.


4)Seja sempre objetivo

Evite termos técnicos e frases muito empoladas. Ao contrário do que se pensa, uma linguagem simples é mais efetiva do que palavras rebuscadas. Tente escrever na ordem direta (sujeito-verbo-complemento) e sempre procure cortar palavras. Menos é mais.


5)Revisão

Depois de finalizado o texto, está na hora da revisão. Confira títulos, legendas e intertítulos duas vezes e com muito cuidado. Também cheque duas vezes nomes próprios, estrangeiros, números e fatos.

Além de revisar a ortografia e a gramática, avalie se alguns trechos podem ser cortados e se as frases são claras e de fácil compreensão.

Avalie a coesão e a coerência do texto: o conteúdo é de fácil compreensão? Os parágrafos e as frases estão estruturados de uma forma lógica?

Depois da revisão, seu texto está prontinho para ser publicado!

E aí, gostou do post? Que tal compartilhar com seus amigos?

Dicas para escrever um bom texto para a web – parte 1

Dicas para escrever um bom texto para a web

Durante a faculdade de jornalismo aprendi várias técnicas de escrita que foram úteis para a minha vida profissional. Porém a internet trouxe alguns desafios para quem vive da escrita. Para ser lido na web, é preciso levar em conta mecanismos de pesquisa como o Google e os logaritmos das redes sociais.

As qualidades de um bom texto, como clareza e concisão, continuam valendo, mas seguir algumas dicas de redação para a web fazem a diferença. As técnicas de escrita para a internet ajudam não apenas quem escreve profissionalmente, mas todos que precisam divulgar seu trabalho na rede, seja em sites ou redes sociais. Reuni algumas dicas de como escrever um bom texto para a web que podem ajudar quem ainda está engatinhando neste mundo.


SEO – otimização para motores de busca

Para quem tem um blog ou site, é fundamental pensar no SEO – Search Engine Optimization, que é uma maneira de configurar o seu site para que ele fique bem ranqueado em mecanismos de pesquisa como o Google e Bing. Ao otimizar sua página, você pode trazer mais leitores para o seu site por meio do tráfego orgânico do Google.

Antes de escrever o seu texto, é importante pensar: que tipo de conteúdo o meu público gostaria de ler? Como eles estão procurando esse conteúdo na Internet?

Pense nas principais palavras-chave relacionadas ao assunto ou tema que você quer escrever. Você pode ver como as pessoas estão pesquisando sobre o tema que você quer publicar em ferramentas como Google Trends, Keyword Tool, SEM Rush (paga) e Google Adwords.

Existem dois tipos de palavras-chave: as head tail, que incluem palavras mais genéricas como “livros”; e as long tail, que são palavras mais específicas como “livros on line grátis”. Quanto mais genérica a palavra, maior a concorrência nas páginas de busca. As palavras long tail tem uma concorrência mais baixa e podem te posicionar no topo das pesquisas.

Depois de determinar a palavra-chave do texto, ela deve ser usada no título, pelo menos duas vezes no texto e nos intertítulos – as Tags Headings.  Os intertítulos do texto podem ser classificados por importância de H1 a H6 (no WordPress, cabeçalhos de 1 a 6). Esses intertítulos ajudam os mecanismos de busca a hierarquizar as informações. E claro, um texto com intertítulos torna a leitura mais fácil.


Como escrever um bom título

O título deve ter no máximo 63 caracteres para ficar nas primeiras opções de rankeamento do Google. Durante uma pesquisa, o título é o primeiro contato do leitor com o seu site. Deve ser chamativo e levar o leitor a clicar na notícia. Não é à toa que textos como “5 dicas para enriquecer” ou “10 filmes incríveis na Netflix” fazem tanto sucesso.

No WordPress, quando configuramos o post, na aba “mais opções” podemos adicionar uma pequena descrição do texto. Este resumo deve ter no máximo 250 caracteres para aparecer no Google. Essa descrição ajuda o leitor a saber mais sobre o seu conteúdo e escolher se vai ler o conteúdo.

O WordPress também oferece a opção de editar a URL da página na caixa Slug. A palavra-chave deve estar no código da URL para um SEO perfeito. Se você inserir uma imagem no texto, também é necessário otimizá-la para os mecanismo de busca. A palavra-chave deve ser inserida na caixa Texto Alternativo.

Outros fatores que influenciam no SEO é a usabilidade da página e se ela carrega facilmente em dispositivos móveis.


Bom Conteúdo é fundamental!

Não adianta a página ter um design maravilhoso se o conteúdo é ruim. Procure sempre escrever textos que sejam relevantes para o seu público. Nunca copie conteúdo de outros sites (você pode ser penalizado pelo Google). Dá trabalho, mas o resultado final vale a pena.


Linkbuilding

O Linkbuilding é outra técnica de SEO. Quanto mais o seu site for linkado e compartilhado por outros sites, mais autoridade ele ganha. Você pode utilizar esta técnica utilizando hiperlinks para outros textos do seu site, de modo que o leitor passe mais tempo na sua página.

Cursos de marketing digital

Existem cursos gratuitos na Internet para quem quiser se aprofundar sobre marketing digital e redação para a web. Um dos melhores é o curso gratuito da Rock Content, Produção de conteúdo para a web.

E aí, gostou do post? Que tal compartilhar com seus amigos?

Como a leitura pode melhorar a nossa escrita?

harry-potter-large-book

 

Todos estão cansados de ouvir que ler muito (livros, revistas, artigos, etc) é importante para escrever melhor. Acho que aqui cabe uma analogia com o aprendizado de uma língua estrangeira: temos que ler muitos textos no idioma que queremos aprender para entender o significado das palavras e a construção das frases.

Mas um bom texto não é só feito de gramática e ortografia. Tem que ter conteúdo. E é por meio da leitura que aumentamos nossa bagagem para criarmos textos com conteúdo valioso.

Ter o hábito de ler ficção, biografias, notícias, etc, aumenta o nosso repertório de conhecimento, o que nos ajuda a elaborar raciocínios e textos com mais desenvoltura. Conhecemos novos pontos de vista e realidades diferentes das que vivenciamos.

Como aconselha o escritor americano Ray Bradburry, por mil noites, leia um conto, um poema e uma matéria sobre diversas áreas do conhecimento, como biologia, direito, história. O cérebro irá usar essas informações para criar novas ideias. Isso porque as informações armazenadas no cérebro podem ser recombinadas mais tarde para encontrar a solução de um problema, gerar uma nova ideia ou produto.

E essas combinações inusitadas podem surgir na hora de escrever (dá para saber mais nesta resenha feita pela Ligia Fascioni). A dica de Bradburry é mais voltada para escritores, mas é útil para todas as profissões. Mil noites é um exagero, mas duas noites por semana já podem fazer milagres.

Ok, e o que eu leio agora?

O passo mais importante é ler por prazer . E aqui vale tudo: quadrinhos, blogues, sites de notícias e entretenimento, textão de Facebook, revistas, romances, ficção científica. O importante é ler.

Se você ainda não encontrou sua praia, a internet pode ajudar a encontrar boas dicas de livros. Há redes sociais voltadas para livros, como Skoob e Good Reads. As próprias editoras mantém blogs e sites interessantes, como a Companhia das Letras e Intrínseca. O Instagram também é uma boa fonte de dicas, com muitos perfis dedicados aos livros.

Porém, um bom leitor gosta de novidades e de se sentir desafiado. Para alimentar o cérebro com novas informações, é bom sair da bolha de nossos próprios gostos e procurar novas leituras estimulantes. Você pode ler clássicos da literatura ou buscar novas áreas do conhecimento, como filosofia, psicologia. Também vale a pena buscar novos formatos, como os quadrinhos. O importante é diversificar. E ler!

A busca pela leveza

Semana passada dei uma voltinha na Livraria Saraiva e me surpreendi com uma prateleira no meio da loja apenas com livros religiosos e sobre espiritualidade, inclusive com edições do Bhagavad Gita (livro religioso de origem indiana) e a Torá. Sinal dos tempos?

 

20170404_162645

Em entrevista para o jornal O Globo, o filósofo francês Gilles Lipovetsky  afirma que o crescente interesse por temas religiosos, pelo budismo e pela meditação é um sintoma de uma sociedade obcecada pela leveza. No livro “Da leveza: rumo a uma civilização sem peso”, Lipovetsky analisa como o atual estágio da sociedade capitalista nos leva a buscar na leveza um alívio para todas as angústias.

Meditação, alimentação saudável, queremos tudo o que possa deixar a nossa existência mais leve, acreditando que assim alcançaremos a felicidade. Mas seria essa felicidade possível?

 

20170404_162612

A crise da ecologia psíquica

Para o filósofo e economista Eduardo Giannetti, a revolução científica tecnológica do século XX parecia prometer à humanidade controle sobre o mundo externo e uma vida fácil e feliz. Mas essas ilusões morreram, e o que resta é um deserto de ideias, como explica o papa Francisco: “os desertos externos estão aumentando no mundo porque os desertos internos se tornaram tão vastos”.

No artigo “A crise da ecologia psíquica“, Giannetti conclui que a renúncia a uma vida instintual em detrimento de um processo civilizatório racional gera um modo de vida hipócrita. A vida civilizada é um fardo. “O ideal de vida da leveza e da “civilização sem peso”, como propõe Gilles Lipovetsky, pressupõe a conquista de uma relação menos hostil e arrogante não só com a natureza externa, mas com a natureza interna ao ser humano”, escreve Giannetti.

Enquanto isso, continuamos com as aulas de pilates, yoga, alimentação sem glúten e lactose, meditação. O preço da leveza é caro.

Dica de filme: Funny Girl -A garota genial

Barbra-Streisand-Funny-Girl

Barbra Streisand brinca com os padrões de beleza em “Funny Girl”

Em 1968, Barbra Streisand já era uma cantora de sucesso na Broadway quando estreou no cinema com o filme “Funny girl – A garota genial”. O que a cantora não imaginava é que iria construir uma carreira sólida no cinema e ainda ganhar  um Oscar de Melhor atriz (dividido com Katharine Hepburn).

Streisand estreou na Broadway em 1964 com o espetáculo “Funny girl”, sobre a vida da cantora e atriz Fanny Brice. O musical teve um enorme sucesso e foi adaptado para o cinema pelo renomado diretor William Wyler (“Ben-Hur”, “A princesa e o plebeu”).

Assim como Streisand, Fanny Brice está longe do padrão de beleza de Hollywood, mas tem charme e talento. Ela é  uma atriz e cantora iniciante que mora num bairro judeu com a mãe. Fanny sabe jogar com inteligência e humor para garantir o seu lugar num mundo onde a beleza é o principal valor. Ela muda a sua entrada no espetáculo do diretor Ziegfeld, colocando uma barriga de grávida para que a audiência não risse quando ela cantasse o refrão “tão bonita”.

Durante a sua busca pela fama, Fanny Brice encontra Nicky Arnstein (Omar Sharif) que ganha a vida jogando poker. Nicky Arnstein é o clássico canalha charmoso, e a ingênua Fanny cai na lábia dele. Durante o casamento ele se ressente de não ter dinheiro para acompanhar Fanny, uma estrela da Broadway. Arnstein começa a entrar em negócios escusos e jogatinas.

O filme é uma boa opção para quem gosta de musicais e comédias e está disponível na Netflix.

 

 

Indicados ao Oscar 2017: A chegada

A-chegada-indicado-ao-oscar-2017

Amy Adams interpreta uma linguista que tem como missão entrar em contato com extraterrestres

“La La Land” tem tudo para ser o grande campeão do Oscar 2017, com 14 indicações, alcançando o feito de “Titanic”. Mas outra película que foi indicada para a categoria de “Melhor Filme” e que merece atenção é “A chegada”, um filme que vai ser discutido por muito tempo, graças à complexidade da trama e a quantidade de temas que evoca.

O filme foi baseado no conto “História da sua vida“, do escritor americano Ted Chiang e dirigido pelo diretor Dennis Villeneuve (que já dirigiu os filmes “Sicário” e “Os Suspeitos”.  O livro com o conto de Ted Chiang foi lançado ano passado no Brasil pela editora Intrínseca.

A chegada

“A chegada” é sobre como a linguagem é importante para a construção das relações sociais e para o entendimento entre culturas diferentes. É a linguagem que nos permite comunicar o que sentimos e pensamos, é através dela que materializamos ideias e projetos no mundo real.

É por meio da linguagem também que nos comunicamos com outras sociedades e povos. Na maioria das vezes, essa língua é uma outra, como o inglês ou o francês. E esta comunicação muitas vezes truncada e de difícil tradução pode causar problemas, como conflitos e, nos piores casos, a guerra.

No filme, a Terra recebe a visita de 12 naves alienígenas que se posicionam em pontos estratégicos do planeta (claro, uma delas pousa nos Estados Unidos). Os militares americanos iniciam um processo para entrar em contato com esses alienígenas e descobrir quais são suas intenções.

A linguista Louise Banks (interpretada por Amy Adams) é chamada pelo Exército para estabelecer uma comunicação com esses seres. A nave é aberta por algumas horas durante o dia e, neste período, a equipe liderada pela Dr. Louise Banks e pelo Dr. Iam (Jeremy Renner) entra na nave para tentar descobrir o que esses seres querem na Terra. À medida que os encontros acontecem, a linguista consegue estabelecer parâmetros para traduzir a língua dos heptapodes.

Eles conseguem criar um dicionário para os termos da língua dos heptapodes, mas o grande impasse chega quando finalmente a pergunta fatal é feita: qual o objetivo deles na Terra? Sem entregar os detalhes da trama, a resposta à esta pergunta exige não apenas as habilidades profissionais da Dra. Louise Banks, mas também serenidade dos líderes políticos e a capacidade de agir sem preconceitos.

O filme não tem uma estrutura linear, o que lembra muito o idioma dos heptapodes. O espectador demora um pouco para se situar e acompanhar todos os passos do pensamento da Dra. Louise. A chegada é um filme de ficção científica diferente, sem grandes efeitos especiais, futurismos e batalhas. Mas consegue fazer com que pensemos na nossa condição humana e como nos relacionamos com o outro, com culturas diferentes.

Amy Adams fez uma boa interpretação, com uma boa mistura de racionalidade e emoção. A atriz era uma das grandes apostas dos críticos para o Oscar de melhor atriz, mas infelizmente ficou de fora. O diretor Dennis Villeneuve ficou revoltado com o fato de Amy Adams, que interpreta a protagonista do filme, ter sido esnobada pelo Oscar 2017.

 

Nada é mais importante do que uma biblioteca não lida

Nada é mais importante do que uma biblioteca não lida John Waters

 

Nada é mais importante do que uma biblioteca não lida.” Esta frase do cineasta John Waters foi retirada do livro “Roube como um artista”, de Austin Kleon.

A intenção não é se vangloriar de uma biblioteca imensa, mas destacar a importância de acumular conhecimento  (não apenas em suporte físico).

Quando era criança, os livros eram um item caro. Nós tínhamos uma pequena biblioteca herdada do meu avô, com livros infantis, crônicas, enciclopédias, livros de história e alguma literatura. Esta biblioteca foi muito importante para estimular o meu gosto por livros. Muitos desses livros demoraram para ser lidos, mas eles estavam lá, à espera.

Meus pais também sempre me incentivavam, compravam livros sempre que eu pedia, mas mesmo assim eram muito caros. Lembro que pedi o livro “O mundo de Sofia” para minha mãe de presente de Natal, custou uma pequena fortuna. Hoje, os livros são bem mais acessíveis, principalmente com a internet. E essa facilidade fez com que eu comprasse livros além da minha capacidade de leitura (sem contar as visitas aos sebos). Eles estão na minha estante. Talvez eu leia o segundo volume de “O tempo perdido”, talvez crie vergonha na cara e leia “Gabriela”, de Jorge Amado. Mas, nesses tempos de crise, saber que existe uma biblioteca à minha disposição deixa tudo mais leve.