3 livros clássicos de Virginia Woolf

3 livros clássicos de virginia woolf

A autora britânica Virginia Woolf (1882 -1941) escreveu grandes clássicos da literatura e  romances que são considerados obras-primas: Mrs. Dalloway, Entre os atos, Orlando, Ao farol e As ondas. Além de ser uma escritora genial, ela também contribuiu enormemente para a vida cultural e literária europeia, Junto com o marido, fundou a editora Hogarth Press, que publicou obras de escritores como Katherine Mansfield e T.S. Eliot.

Woolf nasceu em Londres em 1882. Era filha do escritor Leslie Stephen, e desde criança teve contato com o mundo dos livros. Ela e a irmã, a pintora Vanessa Bell, participaram do Grupo de Bloomsbury, formado por intelectuais e artistas. Entre os membros estavam o economista J. Maynard Keynes e Leonard Woolf, futuro marido da escritora.

Umas das grandes marcas de Virginia Woolf era o domínio do fluxo de consciência. Woolf era exímia em simular o processo caótico da mente reproduzindo os pensamentos, as sensações e a percepção do mundo do personagem, como fez em Mrs. Dalloway.

“Uma mulher, se quiser escrever literatura, precisa ter dinheiro e um quarto só seu”. A frase resume o feminismo de Virginia e também a sua visão da literatura e das mulheres.

Orlando

É um dos livros mais interessantes de Virginia Woolf, e talvez o mais acessível para quem esteja iniciando no mundo da autora. Orlando é o sexto romance da autora e foi publicado em 1928. A obra foi um sucesso comercial na época e também foi adaptada para o cinema em 1992.

Orlando é um jovem de 16 anos que vive no século XVI, mas que terá uma longa vida por três séculos de história. Orlando muda de país, pensamento, e também de sexo. Ele nasce como homem, mas em algum momento da história se transforma em mulher, sem maiores traumas. A androginia é o principal tema do livro, assim como as mudanças da sociedade que ocorreram através dos séculos, como a criação das lojas de departamento e o uso de aliança. (Quando retorna para a Inglaterra no século XIX, Orlando observa que pessoas de diversas classes sociais usam anéis nos dedos para indicar compromisso).

As características de Orlando foram emprestadas da escritora Victoria Sackville-West. Vita foi amante de Virginia, e as duas permaneceram amigas até a morte. De fato, o castelo onde Orlando morava é o castelo dos Sackville.

 

Entre os atos

Entre os atos foi o último livro escrito por Virginia Woolf. A autora tinha o hábito de escrever dois livros ao mesmo tempo para “descansar” do trabalho principal. Em abril de 1938, a obra principal de Virginia era a biografia de Roger Fry, crítico de arte e pintor. Enquanto descansava da biografia, ela começou a trabalhar no livro Entre os atos.

Em uma pequena cidade do interior da Inglaterra, é tradição que todos os anos a trupe de teatro local faça uma montagem sobre a história inglesa. Todos os moradores se engajam no espetáculo, tanto na plateia como atores. Virginia escreveu a obra durante a Segunda Guerra Mundial, e essa experiência é refletida no livro.


Mrs. Dalloway

É a obra mais conhecida de Virginia, e retrata um dia na vida da socialite Clarissa Dalloway. O modelo para a construção de Clarissa foi a socialite Kitty Maxse, amiga da família. Além de Kitty,Woolf se inspirou em outras pessoas do seu convívio para criar os personagens de Mrs. Dalloway. A bailarina russa Lydia Lopokova, que integrava o Grupo de Bloomsbury, foi a inspiração para Lucrezia Warren Smith. Num lapso, a própria Virginia chegou a chamar Lydia de Rezia. No livro, Lucrezia é casada com Septimus Warren Smith, um veterano da Primeira Guerra Mundial.

 

Leituras de janeiro

 

leituras de janeiro

 

Aura – Carlos Fuentes

É uma novela curta, leitura de poucas horas. O escritor mexicano Carlos Fuentes publicou Aura em 1962, num período em que surgia o realismo mágico na literatura latino-americana. Felipe Montero, um jovem professor de história, lê uma oferta de emprego tentadora no jornal. Uma viúva procura alguém para organizar as memórias do falecido marido. A casa é antiga e decrépita, mas Felipe se apaixona pela sobrinha da patroa, Aura. O autor é hábil em criar um clima de mistério e também de terror, um belo exemplo da literatura latino-americana.

Blink – A decisão num piscar de olhos – Malcolm Gladwell

O jornalista Malcolm Gladwell é famoso por seus livros de não-ficção. Em Blink, ele analisa como a intuição pode nos ajudar a tomar decisões, mas também como decisões tomadas de maneira rápida, baseadas em preconceito, podem ter consequências sérias. Para Gladwell, todos têm a capacidade de “fatiar fino”, ou seja, observar padrões em segundos e agir com base na intuição. Mas essa capacidade de fatiar fino também pode nos levar a agir com base em preconceitos, como classe social, sexo, aparência, raça.

Uma das histórias mais impressionantes contadas por Gladwell é sobre a musicista Abbie Conant. Por ser mulher, ela nunca era chamada para audições, e só conseguiu entrar em uma orquestra após um teste cego (onde o músico permanece escondido do júri em uma “tenda” – na série Mozart in the jungle há um exemplo). Depois que este tipo de teste foi implantado, as mulheres e outras minorias começaram a ganhar espaço nas orquestras. Sem o julgamento da aparência do candidato, os juízes poderiam avaliar pelo que realmente importava: a música. O livro também traz outras pesquisas científicas sobre intuição que valem a pena ser conhecidas.

 

A teoria de tudo – Jane Hawking

O sucesso do físico Stephen Hawking não se deve apenas ao seu maravilhoso cérebro. Por trás de sua obra, havia também o apoio incondicional de sua primeira esposa, Jane Hawking. Os dois se conheceram muito jovens, enquanto ainda eram estudantes. Em A teoria de tudo, Jane escreve sobre o início do relacionamento com um dos gênios da ciência e as dificuldades causadas pela doença de Stephen (Esclerose Lateral Amiotrófica). No início da década de 60, os médicos acreditavam que Stephen não chegaria aos 30 anos. A família do físico também não acreditava que Jane aguentaria por muitos anos o casamento com Stephen. Enfim, o casamento durou 30 anos, e o casal teve três filhos.

Há também um filme baseado neste livro, que é mais centrado na relação amorosa dos dois, deixando de lado todos os problemas que Jane teve para gerenciar a família com a condição de Stephen. O livro é mais realista, mostrando as dificuldades de Jane para seguir uma carreira própria , e também como cuidar de uma pessoa com necessidades especiais.

 

Relações íntimas – Susan Isaacs

Ainda estou no começo deste livro, que é um romance que parece ser açucarado, mas tem muitas doses de ironia. É sobre uma mulher morando em Nova York; ela é judia e trabalha como redatora de discursos para políticos. Sua família é muito tradicional, e não aceita seu casamento com um não-judeu e sua posição de mulher independente. O livro foi publicado em 1980, mas parece que algumas coisas não mudaram.

 

7 maneiras de ser feliz – Luc Ferry

Pelo título, parece apenas outro livro de autoajuda. Mas o filósofo Luc Ferry faz uma crítica a nossa sociedade obcecada com a ideia de ser feliz a qualquer custo. O autor acaba com as nossas convicções de que buscar a felicidade é um fim em si mesmo. Para ele, há outros bens mais importantes, que estão acima de ser feliz, como a liberdade de pensamento.

Amós Oz e a coragem para 2019

 

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Amós Oz, que faleceu no último dia 28, publicou 35 livros em sua longa carreira, também marcada pelo ativismo político (o autor defendia a criação de um estado palestino). Em 1988,o escritor publicou o livro A caixa-preta. Faz dez anos que li esse livro, não lembro da trama e nem de todos os personagens, porém foi uma obra marcante, que ficou na memória como um exemplo de escrita perfeita.

A narrativa de A caixa-preta é centrada nas correspondências trocadas entre um ex-casal sobre o casamento, e o filho, que mora num kibutz. O livro não é apenas sobre um relacionamento que não deu certo, é também sobre a complexa situação política de Israel e as implicações sobre a vida dos protagonistas. Livros estruturados na forma de cartas podem ser um pouco cansativos, mas Amós Oz conduz o leitor com ritmo e segurança.

Outra obra aclamada do escritor é De amor e trevas, um romance autobiográfico, que foi adaptado para o cinema pela atriz Natalie Portman em 2015. A vida de Amós Oz foi marcada pelo suicídio da mãe quando ele tinha apenas 13 anos. Depois do trágico episódio, ele mudou o sobrenome para “Oz”, que significa coragem em hebraico. E é isso que precisamos em 2019. Coragem para enfrentar os desafios e viver a vida sem medo.

 

“Toda a boa literatura nos transforma em homens e mulheres de outras culturas, de outros países, de diferentes religiões, diferentes tempos e nos faz sentir em casa em lugares muito distantes. É esse o milagre e a magia da literatura.”

Melhores leituras de 2018

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2018 foi um ano ruim para leituras, com muita procrastinação provocada por redes sociais, Youtube, Neflix e crise política. Comecei algumas leituras, abandonei outras, levei meses para ler certos livros. Também não sabia o que deveria fazer – um post no blog ou no Instagram. Decidi que 2019 vai ser o ano do blog! E com um foco mais nos escritores e escritoras.

Aqui vai uma listinha resumida dos livros que me marcaram em 2018.

Boas festas e muitos livros em 2019!

O castelo de vidro – Jeannette Walls

O castelo de vidro foi resenhado este ano no blog.  Neste livro de memórias, a jornalista Jeannette Walls recorda sua vida em uma família excêntrica e disfuncional. O que mais me marcou nesta leitura foi o retrato da miséria nos Estados Unidos, como vivem os pobres neste país que é considerado um modelo capitalista. A autora também escreve de maneira original, sem julgar os pais ou as circunstâncias, apenas registrando os fatos pela perspectiva de uma criança.

Apenas uma mulher – D.H.Lawrence

O título original em inglês deste conto do escritor D.H.Lawrence é The Fox – algo como A raposa ou O raposo numa tradução literal.  No finalzinho da Segunda Guerra, duas mulheres moram sozinhas em uma pequena fazenda no interior da Inglaterra. A rotina delas é interrompida com a chegada de um jovem soldado. Apenas uma mulher  é uma novela curta, mas um grande exemplo do talento literário do escritor D.H.Lawrence para envolver o leitor.

O anel do poder – Jean Shinoda Bolen

Jean Shinoda Bolen é uma psicanalista e psiquiatra americana. Em O anel do poder, Bolen se propõe a fazer uma análise psicanalítica da ópera “O anel dos nibelungos” de Richard Wagner. A obra de Wagner é complexa: são quatro óperas que basicamente giram em torno do “anel do nibelungo”, com uma trama que parece muito com o Senhor dos Anéis.

Para conseguir o poder do anel, os personagens tomam decisões questionáveis e destroem a vida das pessoas próximas. Jean Shinoda Bolen usa as quatro óperas para ilustrar como funciona uma sociedade patriarcal e autoritária, e como essa estrutura é reproduzida em escala menor nas famílias. Livro interessante para quem quer saber mais sobre psicologia e psicanálise junguiana.

 

Tudo o que eu sempre quis dizer mas só consegui escrevendo

tudo o que eu sempre quis dizer mas só consegui escrevendo

 

Maria Ribeiro é uma atriz (conhecida pelos filmes Tropa de Elite e Como nossos pais), escritora e cronista. Seus textos podem ser lidos no jornal O Globo, mas também em livros, como Tudo o que eu sempre quis dizer mas só consegui escrevendo. O livro é uma reunião de cartas que Maria escreveu para as pessoas mais próximas e queridas, como os pais, amigos, ex-namorados, colegas de trabalho. A autora escreve uma espécie de autobiografia por meio de cartas. Maria Ribeiro não tem medo de se expor e “discutir a relação” com os destinatários.

Reflexões sobre a vida se misturam com detalhes do dia a dia, como uma série, um livro legal, a relação com os filhos. As melhores cartas são as que foram escritas para os pais e os filhos. Há um tom de balanço da relação, mas também de perdão, de declaração de amor e amizade. A autora não tem medo de compartilhar seus pensamentos íntimos.

O que nos aproxima mais da escrita é que muitos dos destinatários são pessoas famosas, conhecidas pelo público, como os escritores Gregorio Duvivier e Xico Sá. Uma leitura leve e rápida. Recomendado!

A mulher na janela – A.J.Finn

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Depois de anos trabalhando como crítico literário e editor, o americano A.J.Finn decidiu escrever um romance, sem imaginar que se tornaria best seller internacional em 41 países. A mulher na janela é um suspense, mas também um thriller psicológico onde o leitor entra no mundo interior da personagem Anna Fox.

Para escrever o seu primeiro livro, A.J.Finn baseou-se em sua própria experiência de vida. O autor luta desde os 21 anos contra a depressão. Apenas recentemente ele recebeu o diagnóstico de transtorno bipolar. O ajuste na medicação o ajudou a escrever A mulher na janela. Ele afirmou em entrevista que gostaria de contar a história de uma pessoa com doença mental, mostrar que precisam de cuidados e empatia.

A personagem Anna Fox é uma psiquiatra especializada no atendimento de crianças e adolescentes. Por algum motivo que o leitor não sabe (sem spoilers!), Anna tem depressão e agorafobia (medo de espaços abertos) e não consegue sair de casa. Sua principal ocupação é espionar a vida dos vizinhos e navegar na internet.

A trama do livro se desenvolve como um filme de suspense, não por acaso uma das principais influências do escritor. Quem viu o filme Janela Indiscreta irá identificar de imediato as semelhanças com a obra-prima do diretor Alfred Hitchcock. Uma pessoa que não pode sair de casa testemunha (ou pensa que viu) um crime.

Apesar da referência óbvia, Finn dá um toque moderno à trama, com uma personagem principal mulher e a exploração dos conflitos psicológicos. O autor consegue revitalizar o gênero suspense e policial, usando a estrutura dos filmes clássicos.

Aliás, os filmes antigos são a paixão do escritor e também da personagem Anna. A obra é tão cinematográfica que já está sendo adaptada para o cinema, com a atriz Amy Adams no papel principal.

Augusto – Christa Wolf

augusto christa wolf

 

A escritora alemã Christa Wolf (1929-2011) não é uma autora muito traduzida no Brasil, apesar de ser reconhecida como uma das grandes escritoras do idioma germânico. Após a Segunda Guerra Mundial, a cidade onde Wolf nasceu foi integrada à Polônia e a família teve que se mudar para a então Alemanha Oriental.

O socialismo, o comunismo, a polícia secreta e a espionagem compõem o ambiente de muitas de suas obras. Reflexões sobre Christa T., publicado em 1968, foi um dos livros mais criticados; é a história de uma mulher doente que reflete sobre suas convicções socialistas. Outras obras de maior destaque incluem Cassandra (1983) e Medea (1998).

Se a vida sob o socialismo serve como mote para muitas das obras de Wolf, Augusto é um livro que reflete sobre o pós-guerra. Augusto é uma criança internada num hospital improvisado em um castelo, logo após a Segunda Guerra. Órfão, ele desenvolve uma relação próxima com a enfermeira Lilo.

Augusto é uma novela curta (45 páginas), de leitura leve e rápida. Apesar do tema aparentemente triste, descobrimos que a vida de Augusto não foi apenas solidão e tristeza. Este clima de esperança em meio aos infortúnios talvez tenha relação com as circunstâncias com que a obra foi escrita. Augusto é o último livro escrito pela autora e um presente para o marido de Wolf.

A obra é narrada em terceira pessoa, mas sempre sob a perspectiva do olhar infantil, de uma criança fragilizada. Augusto tem uma certa semelhança com Macabéa, personagem criada por Clarice Lispector em A hora da estrela. Os dois personagens são ingênuos e viveram sofrimentos na infância. A única diferença é que Augusto foi poupado de algumas asperezas da vida e teve um final menos trágico.

Christa Wolf e Elena Ferrante

 

augusto christa wolf
Eu “conheci” Christa Wolf por “indicação” da escritora italiana Elena Ferrante. Em 2017, um jornal italiano apontou a tradutora Anita Raja como a pessoa por trás do pseudônimo Ferrante. As obras de Wolf foram traduzidas para o italiano por Anita Raja; há quem diga que há ecos da autora alemã nas obras da italiana. Se é verdade ou não, o que importa é ambas são uma ótima indicação de leitura.

Título: Augusto
Autora: Christa Wolf
Tradutor: Fernando Miranda
Editora: Jaguatirica

Orgulho e preconceito – Jane Austen

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Elizabeth Bennet e Darcy, cena do filme “Orgulho e preconceito”, de 2005

 

Orgulho e preconceito é uma das obras mais conhecidas da escritora Jane Austen (1775-1817). Publicado em 1813, o romance entre Elizabeth Bennet e Sr. Darcy é um conto de fadas com toques de sarcasmo e humor, que nunca deixou de encantar leitores de diferentes épocas e países. É também uma das obras mais adaptadas para a TV e o cinema (a Rede Globo exibe atualmente a novela Orgulho e paixão, livremente inspirada no livro de Austen).

Orgulho e preconceito estabelece um dialogo íntimo com o leitor, como se estivéssemos com a própria Jane Austen em uma mesa de chá inglesa, contando histórias deliciosas do último baile ou fazendo alguma observação mordaz sobre os costumes da alta sociedade. Mas o que faz a obra de Jane Austen tão popular são os personagens Darcy e Elizabeth.

A família Bennet possui poucos rendimentos e cinco filhas que precisam “casar logo”. Na Inglaterra do século XIX, as mulheres não trabalhavam e não tinham direito à herança. Quem herdava os bens da família após a morte dos genitores eram os irmãos ou algum parente do sexo masculino. Portanto, o casamento era uma rota de fuga para que essas mulheres não tivessem que morar de favor em casa de parentes.

Logo no início de Orgulho e preconceito, a mãe de Elizabeth fica excitada ao saber que um jovem com rendas consideráveis alugou uma propriedade próxima. Ela diz ao senhor Bennet que este deve se apresentar ao novo vizinho, o jovem sr. Bingley, o mais rápido possível.

Durante um baile, o sr. Bingley conhece as irmãs Bennet e se encanta com a primogênita Jane. Bingley não vem desacompanhado e traz suas irmãs e um amigo, o sr. Darcy. Este logo chama a atenção do baile por sua postura e por possuir um rendimento de dez mil libras por ano. Mas a admiração inicial foi substituída por um desencanto, ele era um homem antipático e orgulhoso, que não se relacionava com ninguém.

 

 

É neste baile que ocorre o primeiro encontro entre Elizabeth e sr. Darcy. Ao contrário dos romances tradicionais, a química não é imediata. Quando sr. Bingley pergunta a Darcy por que ele não convida Elizabeth para dançar, este diz que ela não é bonita o suficiente. Elizabeth, que possui um grande senso de humor, faz piada com a situação, não deixando se abater pelo orgulhoso cavalheiro.

Logo as primeiras impressões entre os dois são desfeitas, e Elizabeth aprende a apreciar as qualidades de Darcy, que apesar da arrogância e frieza é um homem sensível e de bom coração. Darcy também aprende com o tempo a olhar Lizzy com mais carinho e a apreciar sua personalidade e  inteligência.

 

Darcy e Elizabeth

 

 

Elizabeth Bennet é uma das personagens mais bem construídas e cativantes da literatura. Todas as mulheres se identificam com Elizabeth e suas questões. Ela não é perfeita e sabe reconhecer seus erros. O tempo inteiro as tramas e ações dos personagens giram em torno de possíveis pretendentes, fofocas e festas. Porém, Austen sempre nos guia para o ponto de vista inteligente e sensível da heroína Lizzy.  Ela não é previsível, tem grande consciência das limitações e injustiças sofridas pelas mulheres, um grande senso de observação e justiça.

Mas o personagem mais polêmico é o arrogante Darcy. Muitos críticos apontaram que o personagem não era verossímil, que não era possível encontrar alguém assim na vida real. E a obra mais popular de todos os tempos foi atacada por que sua autora era “uma solteirona sem experiência de vida”. Nas inúmeras biografias sobre a escritora, como Jane Austen: uma vida revelada, vimos que a vida amorosa de Austen não foi tão morna como se pensa.

As obras de Austen são tão boas e tão populares justamente pelo seu olhar inteligente e arguto para as convenções sociais da sociedade inglesa da época e para criar personagens reais, com emoções e motivações humanas. Um talento que resiste através dos séculos.

A imaginária – Adalgisa Nery

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Escritora, jornalista, deputada estadual no Rio de Janeiro, Adalgisa Nery (1905 – 1980) foi uma intelectual de destaque no Brasil. Seu livro A imaginária foi publicado pela primeira vez em 1959 e foi sucesso de público e crítica, com cinco edições publicadas na época. Apesar do grande sucesso literário, A imaginária só ganhou uma nova edição em 2015.

Escrito em primeira pessoa, o livro é um monólogo interior da personagem Berenice, que repassa em uma noite solitária os principais acontecimentos da sua vida. Mas também é uma autobiografia, uma forma que Adalgisa encontrou para escrever sobre o tumultuado casamento com o pintor Ismael Nery (1900-1934).

Assim como a personagem principal, Adalgisa perdeu a mãe muito jovem, aos oito anos de idade. A solidão marca a vida da personagem Berenice desde a infância. A garota já demonstrava uma grande sensibilidade e uma personalidade forte. Com o novo casamento do pai, entra em conflito com a madrasta, e é mandada para colégios internos. Mas o grande rompimento com a família acontece quando Berenice se apaixona pelo vizinho e casa ainda adolescente.

Adalgisa e Ismael Nery

Adalgisa casou com Ismael Nery em 1922, quando tinha apenas 17 anos. Ismael era um grande nome nos meios intelectuais e artísticos do Rio de Janeiro; e Adalgisa fez amizades e conheceu nomes como Manuel Bandeira e Murilo Mendes. Mas o casamento também foi extremamente opressor para a escritora, e o lado sombrio do casamento foi retratado em A imaginária.

O marido da personagem Berenice tem um comportamento condescendente: a considera muito jovem, sem criatividade e brilhantismo. Ele adoece e a maior preocupação é com a vida afetiva e sexual da mulher depois que morrer.  Todos os acontecimentos de sua vida a tornam uma mulher ansiosa pelo futuro, mas consciente que, por sua condição feminina, muitos outros acontecimentos ruins estão a sua espera.

“Há dias, começo a pressentir que novas camadas de acontecimentos imprevistos e cruéis serão colocados a minha alma. E já me falta o ar!”

 

a imaginária adalgisa nery

Adalgisa Nery, pintura de Ismael Nery

 

Adalgisa escreve de forma poética os sentimentos e angústias que passou durante o casamento, abordando como as estruturas da sociedade afetam a saúde mental da mulher. Não podemos esquecer que a época em que viveu Adalgisa ainda era de grandes restrições para as mulheres. Ela mesma não escreveu nada durante o casamento, reprimindo sua veia poética – seu primeiro livro de poemas foi publicado em 1937.

Após a morte de Ismael Nery, Adalgisa casou em 1940 com Lourival Fontes, chefe do Departamento de Imprensa e Propaganda no governo Getúlio Vargas. Adalgisa acompanhou Fontes em missões diplomáticas nos Estados Unidos e no Canadá enquanto continuava a escrever e publicar livros de poemas e ficção.

Em 1945, Fontes foi nomeado embaixador no México. Neste período, Adalgisa estabeleceu laços de amizade com os principais artistas mexicanos, como Frida Kahlo e Diego Rivera. Também foi homenageada pelo governo mexicano por suas conferências sobre artistas como a poetisa Juana Inés.

Além da carreira como escritora e jornalista, Adalgisa se aventurou na política. Foi eleita deputada estadual no Rio de Janeiro em 1960 pelo Partido Socialista Brasileiro. As colunas diárias que Adalgisa escrevia para o jornal Última Hora, a ajudaram a se eleger. Mesmo com o golpe de 1964, Adalgisa continuou os seus trabalhos como deputada. Porém, teve seus direitos políticos cassados em 1969.

Após a cassação do mandato, Adalgisa tornou-se reclusa e solitária. Internou-se em uma casa de repouso em 1976 e faleceu em 1980.

Título: A imaginária
Autora: Adalgisa Nery
Editora: José Olympio

Biografia: Jane Austen – uma vida revelada

As obras de Jane Austen são lidas por milhões de pessoas em todo o mundo. Ela foi uma das escritoras que melhor retratou os costumes da aristocracia inglesa do século 19.

O mundo em que a escritora viveu na infância e na vida adulta foi a inspiração para clássicos como Razão e sensibilidade e Orgulho e preconceito. Este mundo era uma Inglaterra conservadora, onde o valor social das mulheres era regido pelo casamento e o dote. Mesmo com a evolução das condições de vida das mulheres, os leitores modernos continuam a se encantar com as personagens de Austen.

Catherine Reef, em sua biografia Jane Austen – uma vida revelada, mostra como os livros – e a própria vida de Austen – giraram em torno do conflito entre o amor verdadeiro e casamentos arranjados, determinados pela classe social.

biografia -jane austen uma vida revelada

 

Jane Austen e a vida de escritora

Jane Austen começou a escrever ainda na infância. Seu pai, um clérigo do interior da Inglaterra, a incentivava a ler e a escrever, o que não era muito comum na época. As mulheres eram educadas para o casamento e não tinham direito à herança. Este fato influenciou a vida e os escritos de Austen, que só começou a fazer sucesso financeiro como escritora depois dos 30 anos. A maioria das obras de Austen foram publicadas sob pseudônimo. Quando ela estava começando a se tornar conhecida, morreu prematuramente aos 41 anos.

As mulheres da classe social de Jane Austen não trabalhavam. Havia uma série de regras sociais que a aristocracia e as classes mais abastadas tinham que seguir. Os casamentos eram arranjados, e a própria Jane recusou propostas por não amar os pretendentes (atitude incomum para época). A escritora foi hábil em transpor para os livros este universo em obras como Orgulho e preconceito.

Um livro indicado para todos os fãs de Jane Austen e para quem quer entender mais sobre a Inglaterra do século 19.


Título:
 Jane Austen – uma vida revelada
Autora: Catherine Reef
Tradutora: Kátia Hanna
Editora: Novo Século