Amós Oz e a coragem para 2019

 

amós oz coragem

Amós Oz, que faleceu no último dia 28, publicou 35 livros em sua longa carreira, também marcada pelo ativismo político (o autor defendia a criação de um estado palestino). Em 1988,o escritor publicou o livro A caixa-preta. Faz dez anos que li esse livro, não lembro da trama e nem de todos os personagens, porém foi uma obra marcante, que ficou na memória como um exemplo de escrita perfeita.

A narrativa de A caixa-preta é centrada nas correspondências trocadas entre um ex-casal sobre o casamento, e o filho, que mora num kibutz. O livro não é apenas sobre um relacionamento que não deu certo, é também sobre a complexa situação política de Israel e as implicações sobre a vida dos protagonistas. Livros estruturados na forma de cartas podem ser um pouco cansativos, mas Amós Oz conduz o leitor com ritmo e segurança.

Outra obra aclamada do escritor é De amor e trevas, um romance autobiográfico, que foi adaptado para o cinema pela atriz Natalie Portman em 2015. A vida de Amós Oz foi marcada pelo suicídio da mãe quando ele tinha apenas 13 anos. Depois do trágico episódio, ele mudou o sobrenome para “Oz”, que significa coragem em hebraico. E é isso que precisamos em 2019. Coragem para enfrentar os desafios e viver a vida sem medo.

 

“Toda a boa literatura nos transforma em homens e mulheres de outras culturas, de outros países, de diferentes religiões, diferentes tempos e nos faz sentir em casa em lugares muito distantes. É esse o milagre e a magia da literatura.”

Melhores leituras de 2018

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2018 foi um ano ruim para leituras, com muita procrastinação provocada por redes sociais, Youtube, Neflix e crise política. Comecei algumas leituras, abandonei outras, levei meses para ler certos livros. Também não sabia o que deveria fazer – um post no blog ou no Instagram. Decidi que 2019 vai ser o ano do blog! E com um foco mais nos escritores e escritoras.

Aqui vai uma listinha resumida dos livros que me marcaram em 2018.

Boas festas e muitos livros em 2019!

O castelo de vidro – Jeannette Walls

O castelo de vidro foi resenhado este ano no blog.  Neste livro de memórias, a jornalista Jeannette Walls recorda sua vida em uma família excêntrica e disfuncional. O que mais me marcou nesta leitura foi o retrato da miséria nos Estados Unidos, como vivem os pobres neste país que é considerado um modelo capitalista. A autora também escreve de maneira original, sem julgar os pais ou as circunstâncias, apenas registrando os fatos pela perspectiva de uma criança.

Apenas uma mulher – D.H.Lawrence

O título original em inglês deste conto do escritor D.H.Lawrence é The Fox – algo como A raposa ou O raposo numa tradução literal.  No finalzinho da Segunda Guerra, duas mulheres moram sozinhas em uma pequena fazenda no interior da Inglaterra. A rotina delas é interrompida com a chegada de um jovem soldado. Apenas uma mulher  é uma novela curta, mas um grande exemplo do talento literário do escritor D.H.Lawrence para envolver o leitor.

O anel do poder – Jean Shinoda Bolen

Jean Shinoda Bolen é uma psicanalista e psiquiatra americana. Em O anel do poder, Bolen se propõe a fazer uma análise psicanalítica da ópera “O anel dos nibelungos” de Richard Wagner. A obra de Wagner é complexa: são quatro óperas que basicamente giram em torno do “anel do nibelungo”, com uma trama que parece muito com o Senhor dos Anéis.

Para conseguir o poder do anel, os personagens tomam decisões questionáveis e destroem a vida das pessoas próximas. Jean Shinoda Bolen usa as quatro óperas para ilustrar como funciona uma sociedade patriarcal e autoritária, e como essa estrutura é reproduzida em escala menor nas famílias. Livro interessante para quem quer saber mais sobre psicologia e psicanálise junguiana.

 

Biografia: Jane Austen – uma vida revelada

As obras de Jane Austen são lidas por milhões de pessoas em todo o mundo. Ela foi uma das escritoras que melhor retratou os costumes da aristocracia inglesa do século 19.

O mundo em que a escritora viveu na infância e na vida adulta foi a inspiração para clássicos como Razão e sensibilidade e Orgulho e preconceito. Este mundo era uma Inglaterra conservadora, onde o valor social das mulheres era regido pelo casamento e o dote. Mesmo com a evolução das condições de vida das mulheres, os leitores modernos continuam a se encantar com as personagens de Austen.

Catherine Reef, em sua biografia Jane Austen – uma vida revelada, mostra como os livros – e a própria vida de Austen – giraram em torno do conflito entre o amor verdadeiro e casamentos arranjados, determinados pela classe social.

biografia -jane austen uma vida revelada

 

Jane Austen e a vida de escritora

Jane Austen começou a escrever ainda na infância. Seu pai, um clérigo do interior da Inglaterra, a incentivava a ler e a escrever, o que não era muito comum na época. As mulheres eram educadas para o casamento e não tinham direito à herança. Este fato influenciou a vida e os escritos de Austen, que só começou a fazer sucesso financeiro como escritora depois dos 30 anos. A maioria das obras de Austen foram publicadas sob pseudônimo. Quando ela estava começando a se tornar conhecida, morreu prematuramente aos 41 anos.

As mulheres da classe social de Jane Austen não trabalhavam. Havia uma série de regras sociais que a aristocracia e as classes mais abastadas tinham que seguir. Os casamentos eram arranjados, e a própria Jane recusou propostas por não amar os pretendentes (atitude incomum para época). A escritora foi hábil em transpor para os livros este universo em obras como Orgulho e preconceito.

Um livro indicado para todos os fãs de Jane Austen e para quem quer entender mais sobre a Inglaterra do século 19.


Título:
 Jane Austen – uma vida revelada
Autora: Catherine Reef
Tradutora: Kátia Hanna
Editora: Novo Século

Contos de autores brasileiros para ler em qualquer lugar

 

Contos de autores brasileiros

A editora Companhia das Letras criou uma newsletter gratuita que enviará contos de autores brasileiros uma vez por semana para o seu e-mail.

Entre os autores escolhidos estão Adriana Lisboa, Marcílio França Castro, João Anzanello Carrascoza e Noemi Jaffe. A ideia é divulgar os escritores por meio de contos curtos, que podem ser lidos em qualquer lugar.

Você pode se cadastrar no blog da editora. A duração do projeto é de três meses.

The Guardian publicará coluna semanal de Elena Ferrante

The Guardian coluna semanal de Elena Ferrante

Elena Ferrante tornou-se fenômeno literário com a série napolitana.

Os ávidos leitores da escritora italiana Elena Ferrante já podem comemorar. Após publicar a famosa tetralogia napolitana, a autora agora se lança em um novo desafio: uma coluna semanal no jornal inglês The Guardian. A coluna será publicada no caderno dominical do jornal.

Em sua estreia, Ferrante fala sobre como planejou escrever sobre suas primeiras vezes. A primeira vez que viu o mar, a primeira vez que fez amor, a primeira vez que se apaixonou. O projeto não deu certo, mas rendeu à escritora uma crônica sobre o  primeiro amor.

A escritora faz reflexões sobre a natureza do amor e as incertezas da adolescência. Os fãs poderão matar a saudade do estilo único de Ferrante e de sua peculiar visão do amor e da vida.

“Eu esperava e queria mais, e fiquei surpresa ao saber que ele, por outro lado, depois de me querer tanto, me achou supérflua e fugiu, pois tinha outras coisas para fazer.”

Odes de Ricardo Reis – Fernando Pessoa

belem-portugal

Com que vida encherei os poucos breves
Dias que me são dados? Será minha
A minha vida ou dada
A outros ou a sombras?

À sombra de nós mesmos quantas vezes
Inconscientes nos sacrificamos,
E um destino cumprimos
Nem nosso nem alheio!

Porém nosso destino é o que for nosso
Quem nos deu o acaso, ou, alheio fado,
Anônimo a um anónimo,
Nos arrasta a corrente.

Os deuses imortais, saiba eu ao menos
Aceitar sem querê-lo, sorridente,
O curso áspero e duro
Da strada permitida.

                                                                                                 (5/5/1925)

Frases de escritores famosos para incentivar a escrita

FRASES DE ESCRITORES FAMOSOS PARA INCENTIVAR A ESCRITA

Que tal começar 2018 com algumas frases de inspiração? Às vezes, para iniciar um projeto, ou apenas uma leitura, precisamos de um empurrãozinho. Melhor quando este empurrão vem de autores renomados.

“O pecado é a matéria-prima do escritor. As paixões do coração, o pão e vinho que saboreia.”
François Mauriac

“Não faz muito sentido escrever se não for para incomodar alguém.”
Kingsley Amis

“Escrever, a mais solitária das ocupações, é uma espécie de aflição.”
Nadine Gordimer

“As pessoas sempre criaram os seus próprios mundos de mitos e sonhos.”
Yasar Kemal

“Dramaturgo é uma pessoa que põe as tripas penduradas no palco.”
Edward Albee

“Um romance que não revela um aspecto até então desconhecido da existência é imoral.”
Milan Kundera

“Se você não tem aquela confissão secreta, talvez não tenha um poema.”
Ted Hughes

“Precisamos de escritores porque precisamos de testemunhas deste terrível século.”
E.L. Doctorow

“Há uma coisa que eu creio estar crescendo em mim à medida que fico mais velha: os finais felizes.”
Alice Munro

“Se eles podem levar você a fazer perguntas erradas, não têm de se preocupar com as respostas.”
Thomas Pynchon

“As únicas respostas interessantes são aquelas que destroem perguntas.”
Susan Sontag

“Sobrevivi representando esses meus sofrimentos na forma de romances.”
Kenzaburo Oe

“Uma mulher precisa de dinheiro e de um quarto só seu, se vai escrever ficção.”
Virginia Woolf

Referência: 501 grandes escritores. Ed. Sextante: 2009.

Chove. É Dia de Natal – Fernando Pessoa

Chove. É Dia de Natal - Fernando Pessoa
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Psicologia de um vencido – Augusto dos Anjos

psicologia de um vencido augusto dos anjos

 

PSICOLOGIA DE UM VENCIDO

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Produndissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

“Assassinato no Expresso Oriente”, de Agatha Christie, ganha novo filme

assassinato no expresso oriente filme

 

O clássico do romance policial, “Assassinato no Expresso Oriente”, da escritora Agatha Christie, ganhará uma nova versão nos cinemas. O filme, dirigido pelo diretor Kenneth Branagh, estreia no dia 23 de novembro.

Aliás, é o próprio Kenneth Branagh que interpreta o famoso detetive Hercule Poirot, o personagem mais célebre da escritora inglesa. Em “Assassinato no Expresso Oriente”, Poirot está na Turquia quando recebe uma mensagem para retornar a Londres. Ele embarca no Expresso Oriente. Após a viagem ser interrompida por uma forte nevasca, um dos passageiros é assassinado. Li o livro quando era adolescente e lembro que na época achei a trama bem original 🙂

assassinato no expresso oriente 2017
A adaptação de 2017 é repleta de estrelas como Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Penélope Cruz, Judi Dench e Willem Dafoe. O  diretor  Branagh tem a pressão de superar o filme de 1974, que ganhou Oscar nas categorias atriz coadjuvante (Ingrid Bergman), melhor roteiro adaptado e melhor fotografia. A versão da década de 70 também teve no seu elenco estrelas como Lauren Bacall e Sean Connery.