Contos de autores brasileiros para ler em qualquer lugar

 

Contos de autores brasileiros

A editora Companhia das Letras criou uma newsletter gratuita que enviará contos de autores brasileiros uma vez por semana para o seu e-mail.

Entre os autores escolhidos estão Adriana Lisboa, Marcílio França Castro, João Anzanello Carrascoza e Noemi Jaffe. A ideia é divulgar os escritores por meio de contos curtos, que podem ser lidos em qualquer lugar.

Você pode se cadastrar no blog da editora. A duração do projeto é de três meses.

The Guardian publicará coluna semanal de Elena Ferrante

The Guardian coluna semanal de Elena Ferrante

Elena Ferrante tornou-se fenômeno literário com a série napolitana.

Os ávidos leitores da escritora italiana Elena Ferrante já podem comemorar. Após publicar a famosa tetralogia napolitana, a autora agora se lança em um novo desafio: uma coluna semanal no jornal inglês The Guardian. A coluna será publicada no caderno dominical do jornal.

Em sua estreia, Ferrante fala sobre como planejou escrever sobre suas primeiras vezes. A primeira vez que viu o mar, a primeira vez que fez amor, a primeira vez que se apaixonou. O projeto não deu certo, mas rendeu à escritora uma crônica sobre o  primeiro amor.

A escritora faz reflexões sobre a natureza do amor e as incertezas da adolescência. Os fãs poderão matar a saudade do estilo único de Ferrante e de sua peculiar visão do amor e da vida.

“Eu esperava e queria mais, e fiquei surpresa ao saber que ele, por outro lado, depois de me querer tanto, me achou supérflua e fugiu, pois tinha outras coisas para fazer.”

Odes de Ricardo Reis – Fernando Pessoa

belem-portugal

Com que vida encherei os poucos breves
Dias que me são dados? Será minha
A minha vida ou dada
A outros ou a sombras?

À sombra de nós mesmos quantas vezes
Inconscientes nos sacrificamos,
E um destino cumprimos
Nem nosso nem alheio!

Porém nosso destino é o que for nosso
Quem nos deu o acaso, ou, alheio fado,
Anônimo a um anónimo,
Nos arrasta a corrente.

Os deuses imortais, saiba eu ao menos
Aceitar sem querê-lo, sorridente,
O curso áspero e duro
Da strada permitida.

                                                                                                 (5/5/1925)

Frases de escritores famosos para incentivar a escrita

FRASES DE ESCRITORES FAMOSOS PARA INCENTIVAR A ESCRITA

Que tal começar 2018 com algumas frases de inspiração? Às vezes, para iniciar um projeto, ou apenas uma leitura, precisamos de um empurrãozinho. Melhor quando este empurrão vem de autores renomados.

“O pecado é a matéria-prima do escritor. As paixões do coração, o pão e vinho que saboreia.”
François Mauriac

“Não faz muito sentido escrever se não for para incomodar alguém.”
Kingsley Amis

“Escrever, a mais solitária das ocupações, é uma espécie de aflição.”
Nadine Gordimer

“As pessoas sempre criaram os seus próprios mundos de mitos e sonhos.”
Yasar Kemal

“Dramaturgo é uma pessoa que põe as tripas penduradas no palco.”
Edward Albee

“Um romance que não revela um aspecto até então desconhecido da existência é imoral.”
Milan Kundera

“Se você não tem aquela confissão secreta, talvez não tenha um poema.”
Ted Hughes

“Precisamos de escritores porque precisamos de testemunhas deste terrível século.”
E.L. Doctorow

“Há uma coisa que eu creio estar crescendo em mim à medida que fico mais velha: os finais felizes.”
Alice Munro

“Se eles podem levar você a fazer perguntas erradas, não têm de se preocupar com as respostas.”
Thomas Pynchon

“As únicas respostas interessantes são aquelas que destroem perguntas.”
Susan Sontag

“Sobrevivi representando esses meus sofrimentos na forma de romances.”
Kenzaburo Oe

“Uma mulher precisa de dinheiro e de um quarto só seu, se vai escrever ficção.”
Virginia Woolf

Referência: 501 grandes escritores. Ed. Sextante: 2009.

Chove. É Dia de Natal – Fernando Pessoa

Chove. É Dia de Natal - Fernando Pessoa
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Psicologia de um vencido – Augusto dos Anjos

psicologia de um vencido augusto dos anjos

 

PSICOLOGIA DE UM VENCIDO

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Produndissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

“Assassinato no Expresso Oriente”, de Agatha Christie, ganha novo filme

assassinato no expresso oriente filme

 

O clássico do romance policial, “Assassinato no Expresso Oriente”, da escritora Agatha Christie, ganhará uma nova versão nos cinemas. O filme, dirigido pelo diretor Kenneth Branagh, estreia no dia 23 de novembro.

Aliás, é o próprio Kenneth Branagh que interpreta o famoso detetive Hercule Poirot, o personagem mais célebre da escritora inglesa. Em “Assassinato no Expresso Oriente”, Poirot está na Turquia quando recebe uma mensagem para retornar a Londres. Ele embarca no Expresso Oriente. Após a viagem ser interrompida por uma forte nevasca, um dos passageiros é assassinado. Li o livro quando era adolescente e lembro que na época achei a trama bem original 🙂

assassinato no expresso oriente 2017
A adaptação de 2017 é repleta de estrelas como Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Penélope Cruz, Judi Dench e Willem Dafoe. O  diretor  Branagh tem a pressão de superar o filme de 1974, que ganhou Oscar nas categorias atriz coadjuvante (Ingrid Bergman), melhor roteiro adaptado e melhor fotografia. A versão da década de 70 também teve no seu elenco estrelas como Lauren Bacall e Sean Connery.

Um soneto de Camões

poesia camões

Tanto de meu estado me acho incerto,
que em vivo ardor tremendo estou de frio;
sem causa, juntamente choro e rio,
o mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto, um desconcerto;
da alma um fogo me sai, da vista um rio;
agora espero, agora desconfio,
agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando,
num’hora acho mil anos, e é de jeito
que em mil anos não posso achar um’ hora.

Se me pergunta alguém porque assim ando,
respondo que não sei; porém suspeito
que só porque vos vi, minha Senhora

“Frantumaglia” reúne artigos e entrevistas da escritora Elena Ferrante

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A editora Intrínseca publicou nesta semana o livro “Frantumaglia: os caminhos de uma escritora”, livro que reúne cartas, entrevistas e artigos sobre o processo criativo da escritora Elena Ferrante. Esta autora italiana virou fenômeno global com a série napolitana, um conjunto de quatro livros narrados pela personagem Elena Greco, que recorda a conflituosa amizade com Lina, sua amiga de infância.

Não se sabe quem é a escritora que se esconde sob o pseudônimo de Elena Ferrante. Ela se recusa a dar entrevistas e a aparecer em público. Em 2016, o jornalista investigativo Claudio Gatti apontou a tradutora Anita Raja como o nome por trás do sucesso da tetralogia napolitana. Raja não se pronunciou sobre o assunto, nem Elena Ferrante.

A mãe de Raja é uma sobrevivente dos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, muito distante dos relatos de Ferrante. Para os fãs da escritora, ela é uma verdadeira napolitana criada nos subúrbios de Nápoles.

Em Frantumaglia, a escritora italiana divide com o leitor seu processo criativo e suas memórias afetivas. Frantumaglia é uma palavra italiana usada pela mãe de Ferrante para descrever pequenos pedaços de recordações, memórias e imagens que teimam em aparecer em nossas mentes. Como escreve a própria Elena Ferrante:

“A frantumaglia é uma paisagem instável, uma massa aérea ou aquática de destroços infinitos que se revelam ao eu, brutalmente, como sua verdadeira e única interioridade. A frantumaglia é o depósito do tempo sem a ordem de uma história, de uma narrativa. A frantumaglia é o efeito da noção de perda, quando temos certeza de que tudo o que nos parece estável logo se unirá a uma paisagem de detritos”

O amor de Carlos Drummond de Andrade

o amor de Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade, poeta que deixou vários versos marcantes e populares na literatura brasileira, tinha uma visão irônica e melancólica do amor. O poema “Quadrilha” é um exemplo da visão realista de Drummond …(João amava Teresa que amava Raimundo…).

“Carlos, sossegue, o amor/é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija…”

É um bom conselho para os desiludidos

O poeta morreu 12 dias depois que sua única filha faleceu. Maria Julieta Drummond de Andrade faleceu no dia 5 de agosto de 1987.

“À beira do negro poço
debruço-me; e nele vejo,
agora que não sou moço,
um passarinho e um desejo.”