Romance moderno: uma investigação sobre relacionamentos na era digital

Romance Moderno: uma investigação sobre relacionamentos na era digital

Os sites de namoro já existiam antes dos smartphones, mas ganharam uma nova dimensão com aplicativos como Tinder e Happn. As novas tecnologias mudaram a forma como encaramos os relacionamentos amorosos.

Neste mundo de matches e deslizadas de tela, encontrar um par se tornou banal. Em segundos descobrimos que existem centenas de solteiros (e outros que mentem o estado civil) a apenas poucos metros de distância. Mas isto não significa que é mais fácil encontrar um parceiro amoroso.

Diante deste cenário, o comediante Aziz Ansari (da série Master of None, da Netflix) decidiu investigar o que mudou na vida amorosa no início deste século. Ele se juntou ao sociólogo Eric Klinenberg e escreveu o livro “Romance moderno: uma investigação sobre relacionamentos na era digital”.

O livro traz uma retrospectiva de como eram os relacionamentos na década de 60, onde não havia muitas opções de lazer e de vida, até o nosso mundo recheado de opções.
Até metade do século XX, as expectativas de relacionamento eram mais baixas. Os casamentos aconteciam entre pessoas que viviam próximas, frequentavam o mesmo bairro, as mesmas escolas. O mais provável é que você se casasse com alguém de sua vizinhança. As mulheres não estudavam ou trabalhavam, e nem era esperado que elas fizessem isso, o que reduzia as chances de encontrar um parceiro diferente.

Hoje, o esperado de um jovem é que ele conheça a vida, viaje, namore e construa uma carreira antes de se comprometer em um casamento ou relacionamento mais sério. Ao mesmo tempo que isso permite uma maior liberdade de relacionamento, também prejudica a criação de laços. O amor da sua vida deve ser alguém que o complete totalmente, alguém com quem você tenha uma conexão profunda. E sempre há a tentação: será que eu conheço alguém mais interessante?

Se relacionar com pessoas de outras cidades e até países ficou mais fácil com a internet. A única vantagem é que, quando o namoro vinga, pode ser uma relação realmente significativa na vida da pessoa.

Algoritmos do amor

Nesta era digital, somos julgados pelos algoritmos e pelos julgamentos inconscientes (nossos e dos pretendentes). As fotos, o texto de descrição dos aplicativos de namoro, a velocidade com que você responde a uma mensagem, isso tudo conta na hora de ser bem sucedido na paquera virtual.

Há alguns achados interessantes na pesquisa feita pelos autores: homens que não sorriem e que não olham para a câmera se dão melhor nos matches. Para as mulheres, as fotos que geram mais sucesso são a “selfie frontal tirada de cima, com uma expressão levemente coquete”. Já fotos em que as mulheres aparecem bebendo ou com um animal não são muito favoráveis.

O mundo virtual traz nuances que são difíceis de interpretar. Não é à toa que as pessoas se sentem tão perdidas. Há muitas variáveis e nem sabemos por que atraímos (ou afastamos) pretendentes na internet.

Aziz Ansari e Eric Klinenberg também viajaram para cidades como Buenos Aires, Paris e Tóquio para refletir sobre as diferenças culturais na hora da paquera. Enfim,”Romance moderno” é um livro para quem quer entender (e sobreviver) nesses tempos modernos.

Título: Romance moderno
Autores: Aziz Ansari e Eric Klinenberg
Tradução: Christian Schwartz
Ano de publicação: 2016
Editora: Paralela

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