Dois livros para conhecer o autor americano Paul Bowles

Paul Bowles (1910-1999) foi um dos grandes escritores americanos do século XX. Uma de suas principais obras é o romance “O céu que nos protege“, que foi adaptada para o cinema pelo diretor Bernardo Bertolucci em 1990. Um dos temas mais frequentes da literatura de Bowles são viajantes em situações limites, confrontados com seus problemas psicológicos ao explorarem lugares exóticos.

Antes de ser um escritor profissional, Bowles foi um compositor requisitado na Broadway. Entre seus trabalhos mais proeminentes estão composições para o teatro e sonatas para piano. Trabalhou também como crítico de música.

Além da música, outra grande influência  foram as frequentes viagens do escritor. Durante a juventude, nos anos 20 e 30, ele viajou para lugares como Paris, Marrocos, Berlim, Guatemala, México, Índia.

Dois livros para conhecer o autor americano Paul Bowles

O céu que nos protege

A música e as viagens a lugares exóticos marcaram a literatura de Paul Bowles. Apesar de trabalhar principalmente com música, Bowles já havia publicado, aos 17 anos,  contos para a revista literária francesa Transition. Mas a mudança definitiva para o mundo literário aconteceu em 1949 com a publicação de seu primeiro romance, “O céu que nos protege“.

Para escrever sua obra-prima, Bowles se mudou de Nova York para Tânger, no Marrocos, em 1947. O escritor permaneceu no Marrocos até sua morte, em 1999.

Em “O céu que nos protege“, dois americanos, Kit e Port, viajam para o Norte da África, em direção ao Saara. Tunner, um amigo de Nova York, os acompanha durante a viagem. Ao contrário do casal, Tunner não é tão fascinado por culturas diferentes. Quando a situação fica muito precária, ele se afasta.

Já Kit e Port parecem não se importar com as condições precárias de suas viagens. Eles buscam o exótico mas também o desconforto, o choque com outras culturas, um comportamento compulsivo em direção a situações limites.

Em entrevistas, Bowles afirma que no início do processo de escrever um livro há uma certa ordem, mas depois de um certo tempo os personagens e a narrativa tomam um rumo próprio, que o escritor deve apenas seguir. Como escreveu Franz Kafka: “De um certo ponto em diante não há mais como voltar atrás. Este é o ponto que se deve atingir.”

Chá nas montanhas – contos

As marcas das viagens de Paul Bowles podem ser sentidas na coletânea de contos “Chá nas montanhas”. O livro é uma coletânea de contos publicadas ao longo da carreira do escritor em livros e revistas literárias.

Os contos são ambientados em paisagens inspiradas nas viagens de Bowles ao México, África, Marrocos. Sempre há algum elemento de tensão e horror nos contos, que permanecem no leitor após a leitura, como um choque. Os personagens estão sempre em trânsito, em busca de uma solução para um problema interno ou externo.

Como escreve no prefácio do livro o escritor Gore Vidal, “a paisagem é essencial em um conto de Bowles”. No conto “O escorpião”, sentimos a opressão de uma mulher idosa que vive numa caverna, à espera dos filhos que foram morar na cidade em busca de melhores condições de vida.

Em “Um episódio distante”, um professor de linguistica viaja até um vilarejo distante para reencontrar um amigo que havia conhecido dez anos antes. O professor é recebido com hostilidade pelos habitantes do local, que decidem escravizá-lo. Neste conto, assim como toda em sua obra, o autor explora o conflito da razão com as forças mais primitivas do ser humano.

P.S. O livro “Chá nas montanhas” foi publicado pela editora Rocco em 1994, mas não está mais disponível no catálogo. Os contos de Paul Bowles podem ser lidos no livro “Um episódio distante”, publicado pela editora Alfaguara em 2010.

 

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