História da menina perdida – Elena Ferrante

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Terminei de ler o quarto volume da série napolitana de Elena Ferrante há umas duas semanas, mas não consegui sentar e escrever imediatamente uma resenha. “História da menina perdida” fecha o ciclo das desventuras de Lenu e Lina de uma maneira aterradora.

É o melhor livro da tetralogia napolitana, o mais bem escrito e com capacidade de dizer muito em poucas linhas (leia também sobre os outros livros da série: A amiga genial, História do novo sobrenome, História de quem foge e de quem fica).

Neste último livro, ficam mais claras as obsessões que movem Lenu e Lina e a natureza da relação entre as duas. Elena sente culpa não só por ser bem-sucedida, mas por tudo o que não deu certo na vida de Lina, o que poderia ter sido e não foi. Lina ganhou muito dinheiro com sua empresa de programação, mas mesmo assim não conseguiu se libertar do passado. Continuava a pensar obsessivamente nos irmãos Solara e em acabar com a máfia no bairro.

O bairro em que Lenu e Lina cresceram, com suas violências e histórias, se tornou uma obsessão para as duas. Para Lila, continuar ali era uma oportunidade de remediar o passado e denunciar todos os crimes da máfia.

Já Lenu, mesmo tendo sucesso como escritora e jornalista, decide voltar para a vida em Nápoles, da qual ela tanto quis fugir. Lina, Nápoles e o bairro são quase uma neurose para Lenu. Depois da separação de Pietro, ela se muda para o apartamento em cima da casa de Lina, e isto acarreta várias consequências para a vida e o destino das duas amigas.

A menina perdida

A cada linha que avançamos na leitura, sabemos que algo irremediavelmente ruim irá acontecer e ficamos com a respiração suspensa durante toda a leitura. Vamos sentindo as dores dos personagens, mas também desenvolvendo uma relação de amor e ódio com eles (principalmente com Nino).

Tenho sentimentos ambíguos em relação às duas protagonistas. Lila era cruel, mas também não tinha muitos recursos psicológicos para lidar com todas as situações difíceis que passou.  Lenu às vezes pode ser muito egoísta, vendo apenas o seu lado e esquecendo as necessidades das filhas ou de outras pessoas, mas também era extremamente leal à Lila. As duas tinham amadurecido suas personalidades e amizades, ambas se apoiavam mutuamente,  e cuidavam dos filhos em conjunto.

Elena Ferrante escreveu um livro sobre a amizade, mas também sobre a maternidade, o feminismo, a relação dos escritores com a arte, as hipocrisias do mundo social e literário. Ao terminar essa série, queremos reler tudo novamente, não só para entender a vida das personagens, mas também a nossa própria vida.

P.s: interessante notar no livro uma certa obsessão da escritora com bonecas e mães que “abandonam” filhas. Essa obsessão também fica clara no livro A filha perdida.

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