3 livros para quem se perdeu no meio do caminho

 

3 livros para quem se perdeu no meio do caminho

 

Às vezes a vida nos puxa para uma direção inesperada. A sensação é que a gente se perdeu do caminho previamente traçado, do tão sonhado pote de ouro no fim do arco-íris. E os planos devem ser revistos. Mas se perder no meio do caminho não é tão ruim como se imagina. Você tem a chance de reconstruir sua vida, mudar de rumo, mudar a forma de pensar. Eu também tive que rever alguns conceitos e padrões de pensamento para escolher um novo caminho.

Para me guiar nesta mudança interna, alguns livros foram fundamentais. Abri os olhos para algumas características minhas que eu ignorava, e também defeitos. Esses livros apontaram saídas e um jeito mais leve de olhar a vida. Claro que é uma seleção muito pessoal, mas acho que sempre vale a pena ver a vida sob um novo ângulo.

O poder dos quietos – Susan Cain

Em um mundo que valoriza cada vez mais a extroversão, ser um introvertido pode ser um fardo. Mas Susan Cain nos alivia desse peso com pesquisas científicas e entrevistas com psicólogos que mostram as vantagens de ser introvertido, e como podemos usar essa característica a nosso favor.

A autora aponta que a grande crise financeira de 2008 nos Estados Unidos aconteceu por que muitas vezes as opiniões dos analistas mais introvertidos não eram levadas em conta. As atitudes mais agressivas dos extrovertidos eram mais valorizadas em Wall Street, o que levava a escolhas e decisões altamente arriscadas. Quem era mais cauteloso era ignorado. O que resultou numa enorme crise financeira.

Eu sempre achei que tinha que ser mais extrovertida, que tinha que sair mais, falar mais. Mas depois de ler este livro, percebi que ser introvertido não é nenhuma doença, apenas um traço de personalidade. Introvertidos sempre precisam de um tempo a mais sozinhos depois de irem a uma festa ou após longos períodos de interação social.

Os introvertidos também são mais criativos, pois a solidão é fundamental para o desenvolvimento de novas ideias. Muitos pensadores importantes foram introvertidos, como Charles Darwin e Marie Curie.

Título: O poder dos quietos
Autora: Susan Cain
Editora: Agir

Mulheres que correm com os lobos – Clarissa Pinkola Estés

Clarissa Pinkola Estés é uma psicóloga junguiana que nasceu nos Estados Unidos, mas é de origem latina. Foi criada por uma família de refugiados do Leste Europeu que tinham o hábito da contação de histórias.

Estés reuniu a sua paixão por contos e lendas com a psicanálise junguiana. Em Mulheres que correm com os lobos, a escritora tenta resgatar o arquétipo da “mulher selvagem”, que ajudaria a mulher moderna a lidar com as pressões e a resgatar “os processos da psique instintiva natural”. Ao longo dos séculos, a natureza instintiva da mulher foi reprimida e domesticada.

Os contos reunidos por Estés falam sobre diversos aspectos da personalidade e da vida das mulheres, como o relacionamento amoroso, resgate da intuição, amadurecimento da personalidade. Clarissa Pinkola Estés reuniu contos de diversas origens (russa, europeia, esquimó).

Cada conto é uma ponte para a autora abordar aspectos da personalidade feminina. O conto “Vasalisa, a sabida” aborda a importância da intuição; o conto “Barba azul” alerta sobre os perigos do predador interno e externo, que impedem a mulher de ter uma vida criativa. O “predador” também aparece quando a mulher vive uma vida certinha, abafando seus instintos para ter uma condição mais confortável e se adaptar à sociedade.

Nas palavras da autora:

“Quando a mulher renuncia aos seus instintos que lhe indicam a hora certa para dizer sim ou não, quando ela renuncia ao seu insight, sua intuição e outros traços de natureza selvagem, ela se encontra, então, em situações que prometem ouro mas que acabam gerando dor. Algumas mulheres desistem da sua arte em troca de um grotesco casamento por interesse, abandonam o sonho de uma vida para ser uma boa esposa, boa filha ou boa menina, ou renunciam à sua verdadeira vocação a fim de levar o que elas esperam que venha a ser uma vida, mais aceitável, mais plena e mais digna.”

Título: Mulheres que correm com os lobos 
Autora: Clarissa Pinkola Estés
Editora: Rocco

Nada de especial – vivendo Zen — Charlotte Joko Beck

Charlotte Joko Beck (1917-2011) foi uma mestre zen budista nascida nos Estados Unidos. Beck compara nossas vidas a rodamoinhos em um rio. No percurso de um rio, surgem os rodamoinhos, formações temporárias causadas por galhos, pedras, irregularidades no leito. Nós somos como rodamoinhos no rio da vida, formações meramente temporárias. Se entulharmos nosso rodamoinho com coisas inúteis, pensamentos, mágoas, a água não fluirá, a vida seguirá estagnada.

“O melhor que podemos fazer por nós e pela vida é manter a água de nosso rodamoinho fluindo e limpa para que apenas continue seu curso. Quando fica represada, criamos problemas mentais, físicos e espirituais.”

Enquanto nos enrolamos com problemas cotidianos e desejos frustrados, perdemos a conexão com o momento presente. Estamos sempre preocupados em lutar, sem deixar que o fluxo da vida corra e leve embora tudo o que está estagnado, para que algo novo possa surgir.

Título: Nada de Especial – Vivendo Zen
Autora: Charlotte Joko Beck
Editora: Saraiva

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