“Estação onze” – um livro sobre memórias afetivas e o poder da arte

estação onze livro emily st. john mandel

Conheci por acaso o livro “Estação onze“, da escritora canadense Emily St. John Mandel. E que livro! Minha tia comprou numa promoção nas lojas Americanas e minha mãe pegou emprestado. A obra foi publicada em 2014 nos Estados Unidos e teve uma boa repercussão entre os críticos (tem até elogio da New Yorker na contracapa).

Em “Estação onze“, depois de uma pandemia de gripe, a civilização se desintegra, e o que resta são pequenos povoados estabelecidos pelos sobreviventes. Não há mais governos, polícia, fronteiras. Nem remédios, internet e celulares. No ano 20 após a tragédia, a companhia teatral Sinfonia Itinerante percorre esses pequenos povoados entre o Canadá e os Estados Unidos, apresentando peças de Shakespeare e concertos de música clássica.

A autora Emily St. John Mandel entrelaça a história da atriz da Sinfonia Kirsten Raymonde com a do famoso ator hollywoodiano Arthur Leander. Kirsten tinha apenas oito anos quando seus pais morreram na epidemia de gripe. No dia em que a epidemia se alastrou, Kirsten estava no palco representando uma das filhas de Rei Lear, em uma montagem estrelada por Arthur. O ator morreu no palco nesta mesma noite.

Estação Onze emily st. john mandel

No mundo pós-apocalíptico de “Estação Onze” não há cafeterias, nem máquinas de café expresso

O único elo que Kirsten tem com o passado são as misteriosas revistas em quadrinhos do “Dr. Onze”, um presente de Arthur. Enquanto viaja com a Sinfonia Itinerante representando e sobrevivendo, ela tenta reconstruir este passado com revistas de celebridades cheias de fofocas sobre o ator.

Estação Onze – uma ficção científica diferente

As revistas em quadrinhos do “Dr. Onze” foram escritas pela primeira mulher de Arthur, Miranda, e nunca foram publicadas antes da epidemia. Miranda desenhava as revistas com perfeccionismo: elas nunca estavam prontas o suficiente para serem publicadas. A desenhista nunca teve fama ou reconhecimento profissional pela sua arte. Mas agora elas são lidas e fazem a diferença na vida de outras pessoas, mesmo que a artista não veja o resultado final. O que resta é a obra.

Em “Estação Onze“, Emily St. John Mandel  reflete sobre a importância da arte em momentos difíceis e quando tudo parece desmoronar. A autora não reflete sobre as causas da pandemia de gripe, ou se uma cura será descoberta. O que importa são as relações pessoais e familiares e como a arte é tudo o que resta quando todas as tecnologias falham.

“Não havia mais mergulhos em piscinas de água clorada com luzes verdes por baixo. Não havia mais jogos de bola sob holofotes. Não havia mais luzes nas varandas circundadas por mariposas nas noites de verão. Não havia mais trens correndo sob as cidades com a força alucinante do terceiro trilho condutor de eletricidade. Não havia mais cidades. Não havia mais filmes, exceto raramente, exceto quando um gerador de energia estava ligado e abafava metade do diálogo, e mesmo isso só por algum tempo, até que o combustível para os geradores acabou, porque a gasolina dos automóveis estragou depois de dois ou três anos. O combustível dos aviões durava mais tempo, porém era difícil conseguir.”

Curiosidades: no livro, as pessoas não usam carros, aviões, etc., para se deslocarem. Parece que a gasolina estraga após um tempo. Como vou assistir The Walking Dead após essa informação?

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