Trem noturno para Lisboa, o best-seller filosófico de Pascal Mercier

Sempre levo um livro de bolso para ler durante viagens (nem que sejam 20 minutos de ônibus). Gosto de procurar livros de bolso nas livrarias e bancas de revistas, é quase um vício. Numa dessas procuras, um livro que me chamou a atenção foi Trem noturno para Lisboa (Ed. Record, 462 p.), escrito por Pascal Mercier, pseudônimo do filósofo suíço Peter Bieri. O livro vendeu mais de 2,5 milhões de exemplares no mundo.

A obra começa com um fato que mudaria a pacata vida do professor de línguas antigas Raimund Gregorius, chamado de Mundus pelos alunos. Num dia chuvoso, Gregorius encontra uma mulher misteriosa e triste que tenta se suicidar na ponte que ele atravessa todos os dias para ir à universidade em Berna, na Suíça. Gregorius a salva, e ela o acompanha até a sala de aula, para espanto dos alunos. Depois do breve encontro, tudo o que resta é a memória do português falado pela misteriosa mulher.

O encontro conduz Gregorius até um outro português, o escritor Amadeu de Prado. Ele encontra o livro “Um Ourives das Palavras” num sebo e se encanta com as reflexões de Prado sobre a vida. O professor abandona as aulas na faculdade e embarca para Lisboa com o objetivo de entender as motivações daquele escritor de palavras atormentadas. O antigo Gregorius previsível, antiquado, rígido, é substituído por um homem que se deixa levar pelas emoções.

Em Trem noturno para Lisboa, Pascal Mercier entrelaça a jornada de Gregorius com a atormentada vida de Amadeu Prado, que lutou contra a ditadura de Salazar em Portugal. As reflexões filosóficas de Prado repercutem em Gregorius, que passar a refletir sobre a vida e sobre as escolhas que fazemos. É difícil não começar a questionar a própria vida durante a leitura de Trem noturno para Lisboa.  Como diz Gregorius: “Aqueles, porém, que não atendem com atenção os impulsos da própria alma são necessariamente infelizes.

De mil experiências que fazemos, no máximo conseguimos traduzir uma em palavras, e mesmo assim de forma fortuita e sem o merecido cuidado. Entre todas as experiências mudas, permanecem ocultas aquelas que, imperceptivelmente, dão às nossas vidas a sua forma,  seu colorido e a sua melodia.

Um Ourives das Palavras – Amadeu de Prado

Trem noturno para Lisboa – filme 

O livro foi adaptado para o cinema em 2013, com o ator Jeremy Irons no papel de Raimund Gregorius. Infelizmente, o filme não mostra todas as sutilezas do livro para compreendermos as decisões do personagem. Mesmo assim, vale a pena ver o filme, que tem boas atuações, como Charlote Rampling interpretando a sisuda irmã de Prado, Adriana.

cartaz filme trem noturno para Lisboa

Trem noturno para Lisboa é a adaptação do livro de Pascal Mercier

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