Orgulho e preconceito – Jane Austen

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Elizabeth Bennet e Darcy, cena do filme “Orgulho e preconceito”, de 2005

 

Orgulho e preconceito é uma das obras mais conhecidas da escritora Jane Austen (1775-1817). Publicado em 1813, o romance entre Elizabeth Bennet e Sr. Darcy é um conto de fadas com toques de sarcasmo e humor, que nunca deixou de encantar leitores de diferentes épocas e países. É também uma das obras mais adaptadas para a TV e o cinema (a Rede Globo exibe atualmente a novela Orgulho e paixão, livremente inspirada no livro de Austen).

Orgulho e preconceito estabelece um dialogo íntimo com o leitor, como se estivéssemos com a própria Jane Austen em uma mesa de chá inglesa, contando histórias deliciosas do último baile ou fazendo alguma observação mordaz sobre os costumes da alta sociedade. Mas o que faz a obra de Jane Austen tão popular são os personagens Darcy e Elizabeth.

A família Bennet possui poucos rendimentos e cinco filhas que precisam “casar logo”. Na Inglaterra do século XIX, as mulheres não trabalhavam e não tinham direito à herança. Quem herdava os bens da família após a morte dos genitores eram os irmãos ou algum parente do sexo masculino. Portanto, o casamento era uma rota de fuga para que essas mulheres não tivessem que morar de favor em casa de parentes.

Logo no início de Orgulho e preconceito, a mãe de Elizabeth fica excitada ao saber que um jovem com rendas consideráveis alugou uma propriedade próxima. Ela diz ao senhor Bennet que este deve se apresentar ao novo vizinho, o jovem sr. Bingley, o mais rápido possível.

Durante um baile, o sr. Bingley conhece as irmãs Bennet e se encanta com a primogênita Jane. Bingley não vem desacompanhado e traz suas irmãs e um amigo, o sr. Darcy. Este logo chama a atenção do baile por sua postura e por possuir um rendimento de dez mil libras por ano. Mas a admiração inicial foi substituída por um desencanto, ele era um homem antipático e orgulhoso, que não se relacionava com ninguém.

 

 

É neste baile que ocorre o primeiro encontro entre Elizabeth e sr. Darcy. Ao contrário dos romances tradicionais, a química não é imediata. Quando sr. Bingley pergunta a Darcy por que ele não convida Elizabeth para dançar, este diz que ela não é bonita o suficiente. Elizabeth, que possui um grande senso de humor, faz piada com a situação, não deixando se abater pelo orgulhoso cavalheiro.

Logo as primeiras impressões entre os dois são desfeitas, e Elizabeth aprende a apreciar as qualidades de Darcy, que apesar da arrogância e frieza é um homem sensível e de bom coração. Darcy também aprende com o tempo a olhar Lizzy com mais carinho e a apreciar sua personalidade e  inteligência.

 

Darcy e Elizabeth

 

 

Elizabeth Bennet é uma das personagens mais bem construídas e cativantes da literatura. Todas as mulheres se identificam com Elizabeth e suas questões. Ela não é perfeita e sabe reconhecer seus erros. O tempo inteiro as tramas e ações dos personagens giram em torno de possíveis pretendentes, fofocas e festas. Porém, Austen sempre nos guia para o ponto de vista inteligente e sensível da heroína Lizzy.  Ela não é previsível, tem grande consciência das limitações e injustiças sofridas pelas mulheres, um grande senso de observação e justiça.

Mas o personagem mais polêmico é o arrogante Darcy. Muitos críticos apontaram que o personagem não era verossímil, que não era possível encontrar alguém assim na vida real. E a obra mais popular de todos os tempos foi atacada por que sua autora era “uma solteirona sem experiência de vida”. Nas inúmeras biografias sobre a escritora, como Jane Austen: uma vida revelada, vimos que a vida amorosa de Austen não foi tão morna como se pensa.

As obras de Austen são tão boas e tão populares justamente pelo seu olhar inteligente e arguto para as convenções sociais da sociedade inglesa da época e para criar personagens reais, com emoções e motivações humanas. Um talento que resiste através dos séculos.

A imaginária – Adalgisa Nery

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Escritora, jornalista, deputada estadual no Rio de Janeiro, Adalgisa Nery (1905 – 1980) foi uma intelectual de destaque no Brasil. Seu livro A imaginária foi publicado pela primeira vez em 1959 e foi sucesso de público e crítica, com cinco edições publicadas na época. Apesar do grande sucesso literário, A imaginária só ganhou uma nova edição em 2015.

Escrito em primeira pessoa, o livro é um monólogo interior da personagem Berenice, que repassa em uma noite solitária os principais acontecimentos da sua vida. Mas também é uma autobiografia, uma forma que Adalgisa encontrou para escrever sobre o tumultuado casamento com o pintor Ismael Nery (1900-1934).

Assim como a personagem principal, Adalgisa perdeu a mãe muito jovem, aos oito anos de idade. A solidão marca a vida da personagem Berenice desde a infância. A garota já demonstrava uma grande sensibilidade e uma personalidade forte. Com o novo casamento do pai, entra em conflito com a madrasta, e é mandada para colégios internos. Mas o grande rompimento com a família acontece quando Berenice se apaixona pelo vizinho e casa ainda adolescente.

Adalgisa e Ismael Nery

Adalgisa casou com Ismael Nery em 1922, quando tinha apenas 17 anos. Ismael era um grande nome nos meios intelectuais e artísticos do Rio de Janeiro; e Adalgisa fez amizades e conheceu nomes como Manuel Bandeira e Murilo Mendes. Mas o casamento também foi extremamente opressor para a escritora, e o lado sombrio do casamento foi retratado em A imaginária.

O marido da personagem Berenice tem um comportamento condescendente: a considera muito jovem, sem criatividade e brilhantismo. Ele adoece e a maior preocupação é com a vida afetiva e sexual da mulher depois que morrer.  Todos os acontecimentos de sua vida a tornam uma mulher ansiosa pelo futuro, mas consciente que, por sua condição feminina, muitos outros acontecimentos ruins estão a sua espera.

“Há dias, começo a pressentir que novas camadas de acontecimentos imprevistos e cruéis serão colocados a minha alma. E já me falta o ar!”

 

a imaginária adalgisa nery

Adalgisa Nery, pintura de Ismael Nery

 

Adalgisa escreve de forma poética os sentimentos e angústias que passou durante o casamento, abordando como as estruturas da sociedade afetam a saúde mental da mulher. Não podemos esquecer que a época em que viveu Adalgisa ainda era de grandes restrições para as mulheres. Ela mesma não escreveu nada durante o casamento, reprimindo sua veia poética – seu primeiro livro de poemas foi publicado em 1937.

Após a morte de Ismael Nery, Adalgisa casou em 1940 com Lourival Fontes, chefe do Departamento de Imprensa e Propaganda no governo Getúlio Vargas. Adalgisa acompanhou Fontes em missões diplomáticas nos Estados Unidos e no Canadá enquanto continuava a escrever e publicar livros de poemas e ficção.

Em 1945, Fontes foi nomeado embaixador no México. Neste período, Adalgisa estabeleceu laços de amizade com os principais artistas mexicanos, como Frida Kahlo e Diego Rivera. Também foi homenageada pelo governo mexicano por suas conferências sobre artistas como a poetisa Juana Inés.

Além da carreira como escritora e jornalista, Adalgisa se aventurou na política. Foi eleita deputada estadual no Rio de Janeiro em 1960 pelo Partido Socialista Brasileiro. As colunas diárias que Adalgisa escrevia para o jornal Última Hora, a ajudaram a se eleger. Mesmo com o golpe de 1964, Adalgisa continuou os seus trabalhos como deputada. Porém, teve seus direitos políticos cassados em 1969.

Após a cassação do mandato, Adalgisa tornou-se reclusa e solitária. Internou-se em uma casa de repouso em 1976 e faleceu em 1980.

Título: A imaginária
Autora: Adalgisa Nery
Editora: José Olympio

Biografia: Jane Austen – uma vida revelada

As obras de Jane Austen são lidas por milhões de pessoas em todo o mundo. Ela foi uma das escritoras que melhor retratou os costumes da aristocracia inglesa do século 19.

O mundo em que a escritora viveu na infância e na vida adulta foi a inspiração para clássicos como Razão e sensibilidade e Orgulho e preconceito. Este mundo era uma Inglaterra conservadora, onde o valor social das mulheres era regido pelo casamento e o dote. Mesmo com a evolução das condições de vida das mulheres, os leitores modernos continuam a se encantar com as personagens de Austen.

Catherine Reef, em sua biografia Jane Austen – uma vida revelada, mostra como os livros – e a própria vida de Austen – giraram em torno do conflito entre o amor verdadeiro e casamentos arranjados, determinados pela classe social.

biografia -jane austen uma vida revelada

 

Jane Austen e a vida de escritora

Jane Austen começou a escrever ainda na infância. Seu pai, um clérigo do interior da Inglaterra, a incentivava a ler e a escrever, o que não era muito comum na época. As mulheres eram educadas para o casamento e não tinham direito à herança. Este fato influenciou a vida e os escritos de Austen, que só começou a fazer sucesso financeiro como escritora depois dos 30 anos. A maioria das obras de Austen foram publicadas sob pseudônimo. Quando ela estava começando a se tornar conhecida, morreu prematuramente aos 41 anos.

As mulheres da classe social de Jane Austen não trabalhavam. Havia uma série de regras sociais que a aristocracia e as classes mais abastadas tinham que seguir. Os casamentos eram arranjados, e a própria Jane recusou propostas por não amar os pretendentes (atitude incomum para época). A escritora foi hábil em transpor para os livros este universo em obras como Orgulho e preconceito.

Um livro indicado para todos os fãs de Jane Austen e para quem quer entender mais sobre a Inglaterra do século 19.


Título:
 Jane Austen – uma vida revelada
Autora: Catherine Reef
Tradutora: Kátia Hanna
Editora: Novo Século

Sete filmes sobre arte

Esta lista com filmes sobre arte é uma escolha pessoal. Talvez haja filmes melhores, ou que retratem com mais precisão a vida de determinados artistas, mas estes filmes são os que mais me marcaram!

Amor e inocência

Este filme de ficção é baseado na vida real da escritora Jane Austen. Durante a juventude, Austen conheceu o jovem Tom Lefroy e os dois se apaixonaram. Porém a família do rapaz não concordou com o casamento, pois Jane pertencia a uma família sem posses. Anne Hathaway está muito bem no papel de Jane, e mesmo que saibamos o final da história, não há como não se emocionar.

Hitchcock

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O cineasta Alfred Hitchcock dirigiu clássicos como “Psicose” e “Os pássaros”

O cineasta Alfred Hitchcock, considerado o mestre do suspense, dirigiu clássicos do cinema como Janela indiscreta e Os Pássaros. Mas o sucesso dos filmes de Hitchcock não é apenas mérito do diretor. Alma Reville, sua esposa, que era roteirista e editora, também trabalhou com o marido e o ajudou na carreira.

No filme Hitchcock, o diretor  entra em crise conjugal com Alma durante as filmagens do clássico Psicose. A roteirista decide começar um novo trabalho com um amigo, e as gravações de Psicose enfrentam problemas. Um filme para os fãs de Alfred Hitchcock e também para conhecer um pouco mais de Alma.

Pollock

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“Convergence”, uma das obras mais famosas de Jackson Pollock

Jackson Pollock foi um dos grandes artistas do século XX. Ele criou uma revolucionária técnica de pintura e pintou belíssimas obras abstratas. O ator Ed Harris, além de dirigir o filme, também faz o papel de Pollock. O filme retrata o início da carreira do pintor, sua ascensão e os problemas com o álcool. A vida intensa de Pollock é amenizada pela sua arte e as cenas que recriam o processo criativo incomum do gênio das artes.

No amor e na guerra

O escritor americano Ernest Hemingway dirigiu ambulâncias durante a Primeira Guerra Mundial, o que acabou resultando em um ferimento por estilhaços de bomba enquanto estava na Itália. No hospital, ele conheceu a enfermeira Agnes von Kurowsky. Com apenas 18 anos, o escritor se apaixonou por Agnes. O primeiro amor de Hemingway marcou o escritor, que se inspirou na enfermeira para escrever Adeus às armas.

Lixo extraordinário

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Durante dois anos, o artista plástico brasileiro Vik Muniz acompanhou o cotidiano dos trabalhadores do Jardim Gramacho, um dos maiores aterros sanitários do mundo. Muniz recriou obras de arte, utilizando material reciclável e com os trabalhadores do Gramacho posando como modelos. A diretora Lucy Walker acompanhou o processo criativo do artista, que resultou no documentário Lixo extraordinário. O filme foi indicado ao Oscar em 2011.

Gala

Elena Gala foi a mulher e “descobridora” do talento do artista Salvador Dalí. Além de musa inspiradora, Gala foi uma agitadora cultural na Paris de 1920. Antes de se casar com o artista, ela foi casada com o poeta Paul Éluard. O documentário Gala retrata a influência que ela exerceu na arte de Dalí e é imperdível por mostrar os bastidores do mundo da arte.

 

Jane Austen: Behind Closed Doors

A historiadora Lucy Worsley visitou as várias residências da vida de Jane Austen, que inspiraram romances como Emma e Orgulho e preconceito. O documentário foi produzido pela BBC de Londres em 2017.

Seis filmes imperdíveis dirigidos por mulheres

Diretoras ainda são minoria no mundo do cinema. Apesar da crescente participação das mulheres na indústria cinematográfica, elas ainda não possuem a mesma projeção que os homens. No Oscar 2018, que será no próximo domingo (4), não será diferente. Apenas uma mulher, Greta Gerwig, concorrerá ao Oscar de melhor direção pelo filme Lady Bird.

Desde a criação do Oscar, há 90 anos, Gerwig é a quinta mulher a ser indicada à categoria melhor direção. Talvez com os movimentos recentes como #Metoo  e
#Time´s up ajudem a mudar este quadro no futuro. Contam também as denúncias contra grandes executivos, como Harvey Weinstein.

No Globo de Ouro deste ano, a atriz Natalie Portman ironizou o fato de que apenas  homens foram indicados na categoria. Até o momento, Kathryn Bigelow foi a primeira e única diretora a ganhar um Oscar pelo filme Guerra ao terror, em 2010. Enquanto torcemos por um Oscar para Greta Gerwig, que tal fazer um aquecimento para o Oscar com filmes dirigidos por mulheres?

Natalie Portman And Here Are The All Male Nominees GIF by Golden Globes - Find & Share on GIPHY

“E aqui estão todos os indicados masculinos”

Lady Bird

filmes dirigidos por mulheres

Cartaz do filme “Lady Bird”, um dos indicados a melhor filme do Oscar 2018

A estreia da atriz Greta Gerwig na direção resulta num filme delicado e intenso sobre a adolescência e a complicada relação entre mães e filhas. Lady Bird recebeu indicações ao Oscar nas categorias melhor filme, melhor direção, melhor roteiro, melhor atriz (Saoirse Ronan) e melhor atriz coadjuvante (Laurie Metcalf).

Saoirse Ronan interpreta uma adolescente que prefere ser chamada de Lady Bird e que mora na cidade de Sacramento, Califórnia. Ela está no último ano do Ensino Médio e entra em conflito com a mãe, que não acredita no potencial da filha em cursar uma faculdade de primeira linha em Nova York.

Mulher Maravilha

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Cartaz do filme “Mulher Maravilha”

O filme Mulher Maravilha foi a maior estreia nas bilheterias de um filme dirigido por uma mulher. Mas o filme de Patty Jenkins é muito mais do que um fenômeno das bilheterias. Em um contexto social onde o feminismo vem ganhando cada vez mais destaque, Mulher Maravilha se tornou um manifesto da força da mulher e por mais heroínas no cinema.

A amazona Diana (Gal Gadot)  vivia na Ilha de Themyscira, onde as amazonas protegiam uma arma mortal que iria destruir o deus da guerra Ares. A vida de Diana muda após o avião do soldado Steve Trevor cair próximo à Ilha. Diana, após usar o laço da verdade, resolve acompanhar Trevor para destruir Ares e terminar com a Primeira Guerra Mundial.

Frida

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Frida 
é um filme belíssimo. A diretora Julie Taymor conseguiu transmitir a vivacidade das obras da pintora mexicana Frida Kahlo com uma bela fotografia. A interpretação de Salma Hayek  mostra as dores (físicas e emocionais) que a artista sofreu ao longo da vida.

Taymor consegue extrair beleza das passagens mais dolorosas, como o acidente que Frida sofreu aos 18 anos, quando o bonde em que estava se chocou com um automóvel. A pintora sofreu uma grave fratura pélvica que deixou sequelas pelo resto da vida. Um homem que estava no bonde carregava um saco com ouro em pó para as obras de uma igreja. O corpo ferido de Frida Kahlo ficou coberto por uma fina camada de ouro.

O filme foi lançado em 2003 pela produtora do famigerado Harvey Weinstein. Com a crescente onda de denúncias contra o produtor, a atriz Salma Hayeck publicou um artigo no The New York Times em 2017 sobre as ameaças que sofreu de Weinstein durante as filmagens de Frida. O poderoso de Hollywood chegou a ameaçá-la de morte.

 

Um castelo na Itália

filmes dirigidos por mulheres

A atriz e diretora Valeria Bruni Tedeschi interpreta e dirige em “Um castelo na Itália”

Valeria Bruni Tedeschi é uma atriz e diretora italiana radicada na França. Ela e a irmã cantora Carla Bruni pertencem a uma rica família italiana que se mudou para a França fugindo das brigadas vermelhas na Itália. A experiência de uma infância rica e mimada serviu de combustível para Valéria criar e interpretar a personagem principal de Um castelo na Itália.

O filme é uma comédia, mas também uma crítica ao modo de vida dos muito ricos. Valeria interpreta Louise Rossi Levi, uma atriz que abandonou os palcos e enfrenta problemas financeiros com a família. Junto com a mãe e o irmão, devem decidir se vendem ou não um castelo italiano com valor sentimental. O filme é cheio de diálogos mordazes e referências autobiográfias. A mãe de Louise é interpretada pela mãe de Valeria na vida real, assim como o ex-namorado Louis Garrel.

Precisamos falar sobre kevin

O filme é baseado no livro Precisamos falar sobre Kevin, da escritora. Na obra, uma mãe escreve cartas ao marido refletindo sobre o passado para entender como o filho se tornou um assassino em massa. A diretora Lynne Ramsay fez uma adaptação impactante do filme. Tilda Swinton interpreta Eva, a mãe de um jovem que comete um massacre na escola em que estuda.

Kevin (Ezra Miller) é problemático desde a infância e demonstra sinais de sadismo, mas Eva não consegue lidar e procurar ajuda adequada para o garoto. O pai é ausente e parece não perceber a personalidade de Kevin. Um filme para refletir sobre o mal e a maternidade.

Que horas ela volta?

Um dos melhores filmes nacionais dos últimos anos. Anna Muylaert ganhou diversos prêmios no Brasil e no exterior. Regina Casé também foi premiada como melhor atriz pela interpretação de Val, uma empregada doméstica que deixa a filha em Pernambuco para ganhar a vida em São Paulo. Ela mora no emprego, na dependência de empregada, e está sempre à disposição dos patrões.

A vida de Val muda após a vinda da filha Jessica do nordesete para prestar vestibular. As tensões entre empregados e patrões ficam nítidas com a vinda da jovem. O filme reflete sobre as desigualdades sociais do Brasil e o modo como a classe média trata as empregadas domésticas no país.

Gostou das sugestões? Que filmes dirigidos por mulheres você indicaria?

A parte que falta

Não acompanho muito o universo dos youtubers, mas o novo vídeo da Jout Jout tocou fundo na alma. Ela fala sobre o livro A parte que falta, do escritor Shel Silverstein. Recomendo o livro (e o vídeo) para quem acha que a vida nunca está completa, sempre tem que ser preenchida por algo a mais (um novo amor, novo emprego, dinheiro, etc). Eu sempre estou em busca de algo a mais, mas às vezes tudo o que precisamos é curtir a paisagem…

 

Resenha: O castelo de vidro – Jeannette Walls

Resenha: O castelo de vidro – Jeannette Walls

O livro da jornalista Jeannette Walls foi adaptado para o cinema

 

Após uma infância difícil, a jornalista americana Jeannette Walls construiu um mundo seguro e confortável. Usava pérolas e morava em um apartamento na Park Avenue, um dos endereços mais sofisticados de Nova York. Em um final de tarde, presa no engarrafamento enquanto ia para uma festa, viu sua mãe revirando uma caçamba de lixo. A mãe de Jeannette, Rose Mary Walls, já havia recusado ajuda várias vezes e preferia continuar nas ruas.

A renomada jornalista, que assinava uma coluna na revista New York, se sentindo envergonhada, não conseguiu cumprimentar sua mãe. A visão de sua mãe catando comida no lixo a perturbara demais. Voltou para casa e, mais tarde, almoçou com Rose Mary Walls. Jeannette queria ajudar de alguma forma, mas ela apenas murmurou: “Seu pai e eu somos quem somos. Aceite isso”.

Jeannette havia construído uma carreira de sucesso no jornalismo, porém nunca havia contado a ninguém sobre seu passado. Em uma entrevista ao jornal The New York Times, Jeannette afirmou que tinha uma coluna de fofocas e era boa em revelar o segredo dos outros, mas ela mesma mantinha em segredo sua vida. O livro O castelo de vidro é uma tentativa de aceitação e também de fazer as pazes com o passado.

 

Vida nômade da família retratada no filme “O castelo de vidro”

Quando se mudou para Nova York ainda adolescente, Jeannette procurava uma vida totalmente diferente da que teve na infância e na adolescência. Seu pai, Rex Walls, fora militar da aeronáutica e fazia bicos como eletricista. Rose Mary Walls era uma professora que preferia o trabalho artístico: pintava e escrevia contos e romances.

A trajetória nômade da família Walls pelos Estados Unidos também virou filme, lançado em 2017. O casal não tinha endereço fixo e peregrinava pelos Estados Unidos de acordo com as oportunidades e a perseguição dos cobradores (que Rex dizia serem agentes do FBI).

Os três filhos do casal foram criados num ambiente de liberdade, mas também beirando a negligência. Rex era alcoólatra e sempre perdia empregos ou se metia em confusões por causa do vício. Rose vivia entre altos e baixos emocionais e tinha opiniões bem particulares sobre a vida e como as crianças deveriam ser educadas. Enquanto toda a família passava fome, Rose se recusava a trabalhar como professora. Nas poucas vezes em que arranjou trabalho, foi por insistência dos filhos, que até ajudavam a mãe a corrigir as lições.

As residências da família eram sempre improvisadas. Carros em estacionamentos, antigas estações de trem. Os Walls viveram momentos difíceis, mas as dificuldades também eram travestidas de lirismo. Como não havia dinheiro suficiente para os presentes de Natal, Rex pediu que cada filho escolhesse uma estrela no céu como presente.

Jeannette Walls escreveu um livro memorável. Os capítulos são bem encadeados e envolvem o leitor no mundo caótico da família. Apesar dos momentos difíceis, a autora torna o livro menos pesado ao usar uma linguagem bem humorada e adotar o ponto de vista ingênuo e simples de uma criança.

Nicanor Parra – poeta chileno ainda desconhecido no Brasil

Nicanor Parra poeta chileno

 

O poeta Nicanor Parra, um dos últimos grandes poetas do Chile, morreu na madrugada de 23 de janeiro, aos 103 anos. Parra ganhou destaque na cena literária chilena ao criar o movimento antipoesia, que tinha como meta retirar o caráter sacro da poesia e aproximá-la das massas.

Infelizmente, Parra ainda não foi publicado no Brasil. A Editora 34 irá publicar em 2018 uma coletânea de poemas do autor.

Nicanor Parra nasceu em setembro de 1914 em Las Cruces, cidade do litoral do Chile, onde passou seus últimos anos de vida. Além da carreira literária, Parra estudou matemática e física. A família Parra teve uma destacada presença na vida cultural chilena. A irmã de Parra, Violeta, foi uma destacada cantora e compositora.

Nicanor Parra e a antipoesia

O movimento antipoesia foi uma resposta ao formalismo da poesia chilena, que tinha como expoente máximo Pablo Neruda. Ao criar o movimento, Parra queria demolir as estruturas da forma poética e remover a aura sagrada da literatura e das coisas. O poeta recebeu muitos prêmios e homenagens, como o Prêmio Miguel de Cervantes.

 

Hay que pavimentar la cordillera
pero no con cemento ni con sangre
como supuse en 1970
hay que pavimentarla con violetas
hay que plantar violetas
hay que cubrirlo todo con violetas
humildad
igualdad
fraternidad
hay que llenar el mundo de violetas

Mike Flanagan será o diretor de “Doutor Sono”, continuação de “O iluminado”

O iluminado, clássico do terror dirigido por Stanley Kubrick, terá uma continuação, o filme Doutor Sono. A Warner Bros. definiu esta semana que Mike Flanagan será o diretor do filme e que também será responsável pelo roteiro.

 

 

O iluminado foi baseado no livro de Stephen King de mesmo nome. Na obra, Jack Torrance é um escritor que aceita trabalhar como zelador em um hotel afastado. Ele se muda para o hotel com o filho e a mulher durante o inverno rigoroso. O filho de Torrance tem habilidades psíquicas e consegue ver os espíritos que rondam o local. Aos poucos, o escritor é tomado por forças sobrenaturais e se torna uma ameaça para a mulher e o filho.

Lançado em 1980,  O iluminado se tornou referência do gênero terror com cenas marcantes, como o banho de sangue no corredor e a cena das gêmeas.